quarta-feira, julho 14, 2004

Já lá vai um ano!

Bunker, © Margarida Soares do Carmo Ramos

Faz hoje precisamente um ano que a propósito do edifício que, na fotografia acima, atravanca completamente esta antiga rua, me regozijava com o seu derrube, em post que se intitulava O fim do "bunker" e a que se pode aceder clicando aqui.
A dado ponto afirmava o seguinte:

  • Rua Bernardo Marques, Julho 2004, © António Baeta Oliveira(...) Vi, já faz algum tempo, uma planta que permitia reconhecer a melhoria que seria introduzida neste local, com a supressão do "bunker".
    O ajardinamento, as escadarias laterais, o que me pareceu ser a leveza dos candeeiros públicos de iluminação, mas, sobretudo, o espaço, a amplidão do olhar, o simples pormenor de ver a rua toda, desanuviada, e a substancial melhoria de uma zona da cidade, que teve aqui a sua rua principal, onde imperava o saudoso café "Havaneza", e que neste últimos anos se vinha degradando aceleradamente.
    Espero que a planta que em tempos observei não tenha sido alterada significativamente e se o foi, que tivesse sido para melhor. Faço votos de uma rápida intervenção! (...)


Bem!
Passado um ano, o ajardinamento está todo por fazer e os meus votos de rápida intervenção de nada serviram, pois logo dois meses mais tarde, a 30 de Setembro, em post que tem o título O Poço da Câmara e a que se pode aceder clicando aqui, já eu não entendia o porquê do início destas obras, num momento em que o Verão tinha começado e se mantinham paradas e inalteradas passados mais de dois meses, com evidentes prejuízos para o comércio desta e das ruas vizinhas.
De facto, a melhoria do local é indiscutível, mas isso é mérito dos arquitectos, agora o planeamento e funcionamento dos serviços, da responsabilidade da Câmara, deixam imenso a desejar.
Uma palavrinha mais para os cabos que, caoticamente, cruzam os céus desta minha cidade comprometendo o equilíbrio da paisagem urbana e outra palavrinha ainda para uma promessa eleitoral, desde o primeiro mandato, que tinha a ver com a intervenção sobre os edifícios degradados, e há um neste local, que eu propositadamente não incluo nesta fotografia, mas que figura, tal como então, na fotografia que abre este post.


terça-feira, julho 13, 2004

Gama e Ibn Madjid

Apeteceu-me rever um programa de computador, mais exactamente um jogo didáctico sobre Vasco da Gama e a Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia, que eu tinha programado, com o apoio do meu amigo Manuel Ramos, para a Federação Portuguesa de Filatelia, por ocasião de uma grande mostra internacional no Centro Cultural de Belém, conhecida por Portugal 98. A relação com a filatelia tinha a ver com a utilização de selos e outro material filatélico para contar a história que suportava o jogo.



Dizia então que revia esse programa de computador, quando se me deparou este texto, que havia sido escolhido para descrever o encontro de Vasco da Gama com Ibn Madjid (o conhecedor e experimentado piloto árabe que o rei de Melinde facultara a Vasco da Gama para a travessia do Índico), e que reproduzo a seguir:


  • " Quando o capitão português e o piloto árabe, naquele dia, se comunicam os seus conhecimentos, o mundo geográfico e o espírito humano alargam-se de súbito. Alargam-se para sempre. Em frente das cartas de marear de cada um, Ibn Madjid e o Gama entreolham-se e medem, inebriados pela alegria inefável que dá o conhecimento, as novas dimensões da Terra e do Homem. (...) Até então havia apenas homens, povos, religiões diferentes. Mas naquele dia nasce a Humanidade, que hoje está no quinto século da sua breve infância. Daqui por diante a verdadeira história dos povos desenvolve-se como um corolário desse encontro. "
    Jaime Cortesão, História dos Descobrimentos Portugueses, Vol. II, Parte IV, Cap. IX, 2ª edição / Círculo dos Leitores


Entristece-me recordar como há seis anos atrás achava que a Humanidade, nesta perspectiva de Jaime Cortesão, estaria a atingir a adolescência. É que hoje, passados seis anos, acho que estamos num processo de regressão.
Quem me dera que estivesse enganado!


segunda-feira, julho 12, 2004

Pablo Neruda

Deixem-me ser o carteiro, de Pablo Neruda, e trazer-vos um recado que diz que Pablo nasceu, faz hoje cem anos, naquela longa fatia de terra sobre o Pacífico, que ele tornou mais próxima desta curta fatia de terra sobre o Atlântico, apesar do mar, ou precisamente por causa do mar, da poesia e dos homens.


P.S. Aproveito o ensejo para agradecer a todos os que se manifestaram por ocasião do 1º aniversário do Local & Blogal, nomeadamente os que o fizeram nos seus próprios blogs, como Contrasenso e Um pouco mais de Sul com os comentários adjacentes..


sexta-feira, julho 09, 2004

Melancolia(s)

Este será o primeiro poema luso-árabe do mês de Julho e também o primeiro deste novo ano de publicação que agora se inicia.
É feito de melancolia, dessas de final do dia, da beleza do momento, das que amadurecem nos dias já vividos, com os olhos postos em novas madrugadas.

  • De Ibn Sara, de Santarém

    olhai, o rio em seu manto!
    que noiva o tingiu do açafrão da tarde?

    a brisa soprou
    e ao fazê-lo
    sacudiu a sua superfície
    numa armadura de guerreiro
    pronto para a luta.

Adalberto Alves
O meu coração é árabe
Assírio & Alvim, Lisboa 1998



quinta-feira, julho 08, 2004

Um (1) ano!

Também chegou a vez do Local & Blogal cumprir um ano. Dei um salto aos arquivos e fui visitar o mês de Julho de 2003 e as minhas primeiras ablogadelas.
Lá estão os poemas luso-árabes (que tendem a esgotar-se, mas que entretanto vêm merecendo a companhia de outros poetas), os comentários à vida local, as referências à comunidade blogal, a atenção à actividade cultural da região, o reflexo dos estados de espírito, a perspectiva crítica sobre o nosso mundo...

Aqui deixo um abraço a todos os que me vêm acompanhando e comentando, no fundo os que justificam que ainda por cá continue.

Obrigado!


quarta-feira, julho 07, 2004

Lhasa de Sela

http://mapage.noos.fr/weblhasa/v2/portrait/fr_portrait.html

 

 

 

 

Permitam-me que me lastime junto de vocês pelo acidente na minha perna esquerda, que me impede de estar hoje no Fórum Lisboa para ouvir Lhasa.


Ouçam-na aqui, em pequenos excertos.

 



A fraternidade no Al-Ândalus

Ibn 'Arabi, de Múrcia, famoso filósofo e místico sufi que, curiosamente, se referiu na sua obra a Ibn Qasi, de Silves, comentando um seu tratado de filosofia - "O Descalçar das Sandálias" - proclamava, em plena época almoada (séc. XII-XIII):


  • "O meu coração abriu-se a todas as formas: é uma pastagem para gazelas, um claustro para monges cristãos, um templo de ídolos, a Caaba do peregrino, as tábuas da Tora e o Alcorão. Pratico a religião do Amor; qualquer que seja a direcção em que as caravanas avancem, a religião do Amor será sempre o meu credo e a minha fé."


P. S. Tradução de Adalberto Alves