As portas de Egitânea
Sabeis como é!?
Passar as portas da romana Civitas Igaeditanorum, velha de vinte séculos, ou da Egitânea visigoda do séc. VI. Saber que caminho sobre as mesmas lajes que outrora foram pisadas por outros pés, então vivos, que carregavam cuidados e afectos semelhantes aos meus, porque humanos, hoje, neste cenário arqueológico, despido de outra vida que não a minha, na tarde quente de um Outono por chegar, nestas terras de Idanha-a-Velha.
P.S.
Pode aceder a mais das minhas fotos de Egitânea (Idanha-a-Velha) clicando aqui.
À margem do texto sobre a Egitânea, permitam-me que divulgue este alerta de uma amiga, a propósito do apelo de Kofi Annan, a todos os países membros das Nações Unidas, para que o apoiem nas decisões da Organização e sua implementação em todo o mundo. O Secretário-Geral pede apoio para agir.
O alerta agora é meu, para a leitura de Balanço Patriótico, em Almocreve das Petas, em tempo de comemorações do 5 de Outubro.
quarta-feira, outubro 06, 2004
Egitânea
segunda-feira, outubro 04, 2004
Silves, em marcha contra o cancro
Gostei de viver hoje a minha cidade.
Pela quarta vez consecutiva, já la vão quatro anos, a Associação Oncológica do Algarve organizou a MamaMaratona, uma marcha de carácter lúdico e desportivo num percurso pedestre de extensão variada, conforme a opção dos marchadores. 
O valor obtido com as inscrições, os donativos, os apoios das mais diversas empresas e instituições, a venda de T-shirts, bonés e outros materiais, servirá à construção de uma Unidade de Medicina Nuclear e à divulgação da necessidade do diagnóstico precoce do cancro da mama.
E é uma festa, uma alegria, ver as ruas e os arredores cheios de gente (cerca de duas mil pessoas) de todas as idades, marchando "contra o cancro".
Este ano juntou-se à festa o 1º Passeio a Cavalo e Atrelagem, incluído numa interessante iniciativa da edilidade - a 1ª Mostra d'O Saber Fazer do Concelho - a emprestar um outro colorido, com este passeio de algumas dezenas de cavalos e respectivos cavaleiros e amazonas, que se cruzaram com os marchadores.
Assim, apetece dizer que: "Silves tem mais encanto!"
segunda-feira, setembro 27, 2004
A essência do amor
Este será o meu último post de Setembro, pois irei ausentar-me até ao fim-de-semana por terras da Serra da Estrela. Não, não vou pelos desportos de Inverno. :-)
Marcamos encontro aqui, no blog, na próxima segunda-feira.
Entretanto, deixo-vos com um poema de إبن حزم - Ibn Hazm (sécs. X-XI), de Córdova.
Referindo-se à "Essência do Amor", no seu primeiro capítulo de "El collar de la paloma", fala-nos de um seu amigo caído nas malhas de uma absorvente e desesperada paixão e de quem, ao desejar-lhe o consolo divino, vendo-o assim tão triste, cabisbaixo e taciturno, não recebeu senão sinais de um marcante desagrado. Sobre uma situação semelhante teria, algum tempo antes, composto este poema:
Oh esperanza mía! Me deleito en el tormento que por ti sufro.
Mientras viva, no me apartaré de ti.
Si alguien me dice:«Ya te olvidarás de su amor»,
No le contesto más que com la ene y la o *.
P.S.* - “la ene y la o” quer dizer no, em castelhano, não, em português. No original está, naturalmente, “el lam y el alif”, o ل (l) e o ا (a) - لا (la), as letras que formam a negação. (Nota de edição, adaptada pelo a(post)ador).
sexta-feira, setembro 24, 2004
O Sultão de Aghmat
المعتمد إبن عبّاد - Al-Mu'tamid Ibn 'Abbâd (1040-1095), nasceu em Beja, foi governador de Silves, rei de Sevilha e deportado para Aghmat, onde morreu. Nesta pequena localidade perto de Marraquexe, no Sul de Marrocos, ainda hoje, o seu túmulo é local de peregrinação. É ele o Sultão de Aghmat no poema de Mohamed Chacor.
El Sultán de Agmat
Agmat, dormido en el olvido, se incrusta,
de súbito, en la historia. Peregrinar
a este bosque de versos y suspiros, reverdece
mis raíces del Sur. Pero no quiero sonrisas
que lloran, ni cadáveres hechos de sueños rotos.
Quién salmodia aún una azora en la memoria
del Rey Poeta? Acaso el hombre es un ángel
ahogado en la desdicha? Es el recuerdo
la única supervivencia? Si el tiempo
no es favorable, no culpemos al destino.
Nuestra existencia es destierro vitalicio.
La flor cautiva enciende soles ineclipsables
y alumbra lunas llenas. En el oasis
del silencio la poesia abre caminos de luz
eterna. Ni siglos ni milenios destronarán
al sultán que reina en el corazón del poema.
Mohamed Chacor
Latidos del Sur
quinta-feira, setembro 23, 2004
A ficção não reproduz a realidade, mas reflecte-a
Outras "urgências" têm adiado este escrito sobre o meu regresso às salas de cinema, de que me afasto, habitualmente, durante a época de verão.
A minha rentrée teve lugar no "Terminal de Aeroporto".
Trata-se da recriação de um certo tipo de sociedade, em "universo fechado". Uma sociedade de direito que, fria e desafectuosamente, se rege por normas e onde os vazios legais atiram as decisões sobre os ombros de um responsável que, supostamente, tem o poder de decidir. Acontece que o acto de decidir não recai sobre os ombros de um qualquer, mas sobre os ombros de quem, ao longo de uma carreira serviu, fria e objectivamente, o rigoroso cumprimento de normas.
Claro que há executivos mais ou menos frios e impessoais, com maior ou menor sentido de justiça, mas que, no momento da decisão, agirão sempre "conforme manda a sua consciência".
Também a massa anónima, a que, na obscuridade dos seus "papéis", faz funcionar toda a enorme trama organizativa do "grande aeroporto", se retrai perante a quebra de normas, o receio da perda do emprego e, no labirinto dos vazios legais, cada um tenta chamar si a sua oportunidade. Mas, face ao "herói", quando ele ganha a dimensão do mito e a todos une numa identificação comum, então é capaz de solidariedade e altruísmo.
The Terminal - The Movie
Nos filmes, o mito identificador é sempre "o bom da fita", na vida real não é assim, até porque o "bom mito" de uns pode ser o "mau mito" de outros.
Conhece sociedades como esta, em "universo aberto"? Não!?
Procure-a então, apesar dos exageros da ficção e em "universo fechado", num qualquer "Terminal de Aeroporto" perto de si.
quarta-feira, setembro 22, 2004
Equinócio
O Equinócio de Outono, que hoje deve ocorrer pelas 16h30, segundo as informações que recolhi, é um tempo de mudança. A partir daquela hora o dia tornar-se-á mais breve do que a noite, até ao próximo equinócio, o da Primavera.
A palavra é curva Nunca atinge
o alvo Só o silêncio
é recto
Mas a chama de um e de outro
limpa a lepra do tempo
e descobre a fonte branca
como o desenho latente que na página respira
António Ramos Rosa
Antologia Poética
Publicações D. Quixote, Lisboa 2001
P.S.
Que Ramos Rosa me perdoe esta ligação do seu poema ao equinócio, mas nem eu sei bem por que fui tentado a fazê-lo.
terça-feira, setembro 21, 2004
O populismo de Santana Lopes
Recordo-me perfeitamente de ter lido este texto de Pacheco Pereira e concordado com o seu prenúncio do proceder populista do governo de Santana Lopes. Achei estranho que tivesse sido escrito no início de Agosto, como ele afirma, pois eu não estava em Portugal nessa altura. Fui verificar. Está na Internet desde 8 de Julho.(Creio que foi enganado por esta confusão com a leitura de datas, introduzida com a adesão à Comunidade Europeia, e que, francamente, não sei se é ou não respeitada pelos outros países. 8.7.04 quer dizer 7 de Agosto ou 8 de Julho?)
"Existe em certos sectores da direita e da esquerda intelectual portuguesa a ilusão que um governo Santana Lopes será um governo que prosseguirá políticas liberais, ou, como pejorativamente agora se diz, “neo-liberais”. Enganam-se completamente. Se há coisa que em Portugal sofrerá com o populismo é o discurso genuinamente liberal. O populismo é nacionalista, defensor da closed shop, “social” e clientelar. O populismo será alicerçado em duas coisas muito próximas na vida política portuguesa: um discurso social, que pode mesmo chegar a ser socializante, e na gestão de clientelas. É uma fórmula muito eficaz em Portugal, potenciada agora pela forma como actuam os media. (...)"
A sua leitura aqui, neste local, não impede, antes estimula, a percepção do contexto em que este escrito de Pacheco Pereira foi produzido:
- Ingenuidades às 10h18 de 8.Jul.04, Levar às 14h14 do dia 19.AGO.04 (com saída para o texto de João Pedro Henriques, no Público) e Levar 2 às 01h37 de 20.AGO.04.
Particularmente no que se refere a Ingenuidades, do dia 8.JUL.04, atrevo-me a aconselhar que suba até ao menu do browser, faça Editar > Localizar e aí procure por "Santana Lopes".