quarta-feira, abril 06, 2005

Passe a Pobreza a História

Não sei se a fitinha branca no canto superior esquerdo do blog, de tão discreta, conseguiu despertar o interesse de quem por aqui aparece.

MAKEPOVERTYHISTORY, neste ano de 2005, em que o governo britânico acolhe a cimeira do G8 e assume a presidência da União Europeia, é uma oportunidade muito plausível para pressionar, com sucesso, os grandes líderes mundiais a acabar com a pobreza global.

Visite o site da MAKEPOVERTYHISTORY e apoie este movimento, bem como a ACT!ONAID, enviando emails e postais a Tony Blair ou George Bush, divulgando a iniciativa com a aposição da fitinha branca no seu site ou blog e adquirindo para seu uso pessoal uma fitinha branca, não virtual, usando-a no seu próprio pulso, chamando a atenção dos seus amigos e dos que consigo convivem no dia-a-dia.

Eu procedo dessa forma, lutando pelo cancelamento da dívida internacional dos países em vias de desenvolvimento e por mais justiça nas trocas comerciais.

HELP US
MAKEPOVERTYHISTORY


terça-feira, abril 05, 2005

Vossemecê disse "Rali"!?

No passado fim-de-semana, com um Rally de Portugal em terras algarvias e duas provas de classificação denominadas "Silves", resolvi meter-me à serra com alguns amigos.

Fiquei boquiaberto com a quantidade de gente, de Norte a Sul do país, que se desloca em busca destes eventos, suponho que com alguma regularidade pelo aparato dos meios de que dispõem para ficar de noite e manter-se por alguns dias acompanhando esta manifestação desportiva.
As imagens abaixo, se bem que batidas sobre diversos locais, são fotografias tiradas a propósito da mesma prova de classificação. Suponho que noutras provas esta movimentação possa ser maior ou pelo menos idêntica, já que há outros atractivos como os reabastecimentos, as partidas e as chegadas, sem os inconvenientes que podem trazer os caminhos rurais e as suas surpresas; os meus amigos que o digam, a propósito do mau estado dos caminhos de acesso ou da passagem do pequeno curso de água, a vau.

Rally de Portugal, Abril 2005, ©António Baeta Oliveira Rally de Portugal, Abril 2005, ©António Baeta Oliveira Rally de Portugal, Abril 2005, ©António Baeta Oliveira

Apesar de tudo ainda há quem, se bem que instado pela curiosidade, revele algum alheamento, mesmo em cima do seu próprio telhado e sujeito ao pó, à enorme nuvem de pó que tudo cobre à passagem de cada concorrente.

Durante o Rally de Portugal, Abril 2005, ©António Baeta Oliveira           Rally de Portugal, Abril 2005, ©António Baeta Oliveira

segunda-feira, abril 04, 2005

Um olhar sobre nós e sobre a democracia

Günter Grass, o Nobel da Literatura em 1999, visita o Algarve, preferencialmente na Primavera e no Outono, há mais de duas décadas.
Entrevistado por ocasião de uma sua exposição de litografias, a ilustrar contos de Hans Christian Andersen, no Centro Cultural de São Lourenço, respondia assim a algumas questões da entrevistadora, Malin Löfgren:

    (...)

    - Acha que a região tem vindo a mudar muito desde que começou a passar aqui as suas férias?
    - Sim, sem dúvida. Essa modificação começou depois da chamada Revolução dos Cravos, quando o país se abriu. E tivemos a esperança de que Portugal não copiasse os erros dos espanhóis. Mas, infelizmente, as pessoas tendem a repetir os mesmos erros. E assim construiu-se desmesuradamente ao longo de grandes extensões de costa. Também a paisagem se alterou com os numerosos campos de golfe, de uma forma que já não tem nada a ver com Portugal. Podia-se estar noutro sítio diferente. E esses campos de golfe são prejudiciais para a região, porque fazem gastar muita água. E isso faz descer sempre o nível dos lençóis de água subterrâneos. Como esta região, de tempos em tempos, tal como acontece presentemente, é ameaçada por secas, esta é uma maneira muito irresponsável de lidar com a terra. É de lamentar.

    (...)

    - Sendo uma pessoa com uma preocupação social, política e cultural, como descreve o seu engajamento?
    - ... com a globalização, e paralelamente com o chamado neo-liberalismo, os Parlamentos, que são verdadeiramente os únicos órgãos eleitos em todas as democracias, têm sido, cada vez mais, despojados de poder. Na Alemanha, pode observar-se isto muito claramente e creio que noutros países também. A ingerência da economia, dos bancos, embora não estejam democraticamente legitimados, tornou-se tão forte que algumas decisões saídas dos Parlamentos se parecem mais com demonstrações de impotência. No fundo, este é o maior perigo que existe actualmente para a democracia. É que ela se transforme numa farsa. É que as pessoas se dêem conta que votam todos os quatro ou cinco anos, mas as decisões já não são tomadas nos Parlamentos, mas sim nos lobbys, nas sedes das grandes empresas industriais, de forma global, e que eles não passam de peões no jogo da economia. Este é o maior perigo para a democracia, desde que as ideologias foram desfeitas. Depois do fascismo e do comunismo ortodoxo, ficou o capitalismo como o último verdadeiro perigo, a ameaça, capaz de minar os fundamentos da democracia.

    (...)

in Barlavento, nº 1445, de 31 de Março de 2005

P.S.
Sobre o falecimento do Papa remeto-vos para um post que publiquei, em 7 de Outubro de 2003, sob o título Como os que escondemos... longe da vista....

sexta-feira, abril 01, 2005

Finalmente!


Nunca mais será assim.
Finalmente o BLOGGER renovou-se com um grafismo de fazer inveja, mas sobretudo acabando definitivamente com as dificuldades de acesso aos "comentários", as indisposições a que a zona de "posting" era frequentemente acometida, gerando duplicação de posts e dificuldades acrescidas de publicação, as perdas de templates, as inacessibilidades temporárias, por tempo indeterminado, os (as)...

Acabaram as dificuldades e as nefastas perdas de tempo.

Daqui para o futuro será mais fácil blogar.

quinta-feira, março 31, 2005

Van Gogh


Ontem (entre as 13 e as 14 horas, tempo em que me pude disponibilizar), apesar da melhor das minhas intenções, o BLOGGER não permitiu que eu me associasse às comemorações do aniversário do nascimento de Van Goog(h)le.
Mais vale tarde do que nunca, sempre ouvi dizer.

Mas o que realmente me vai incomodar hoje, 31 de Março, é a exposição pública, em tribunal, de mais duas mulheres, desta vez em Setúbal, acusadas da prática do aborto, só porque a lei ainda funciona apesar de ninguém acreditar na sua aplicação. É esta a hipocrisia de uma sociedade que se diz baseada no direito.

quarta-feira, março 30, 2005

Mil e uma pequenas histórias

 Clique para comprar

Recebi hoje, pelo correio, o que significa que ainda não tive oportunidade de ler, mil e uma pequenas histórias, de Luís Ene, o tal dos blogs Ene Coisas e mil e uma pequenas histórias.
Trata-se de uma edição, em papel, de histórias previamente divulgadas no seu blog com o mesmo título.
Assim como eu, também pode fazer a encomenda à cobrança ou pagamento online; basta clicar na imagem que reproduz a capa do livro.
Que melhor forma tenho de o divulgar, que a de publicar aqui uma dessas histórias!? É o que vou fazer.
Tive dificuldade em escolher, porque ainda só li muito poucas, mas a primeira pareceu-me longa, a segunda tinha qualquer coisa que já nem me lembro o quê, a terceira voltou a ser longa e decidi: a nº13, se não for longa. Não era.

  • 13

    Um destes dias, subitamente, faleceu no seu leito o senhor João Anódino, aos 90 anos de idade. A sua vida foi simples e sem história, tão simples e tão sem história, que a única pessoa presente no funeral não soube o que dizer. Quem não gostou foi o coveiro que não passava sem ouvir um elogio fúnebre. Ficou tão triste que se embebedou e caiu numa cova aberta.

Valeu?!

terça-feira, março 29, 2005

Restos da "Semana Santa"

Procissão da Páscoa em efeito de carimbo, Silves, Março 2005, © António Baeta Oliveira

  • Ao lento caminhar das procissões

    Agita-se o relevo escuro às multidões,
    Sobre a praça ofegante...
    Treme, no céu fanado, a luz bruxuleante
    Da lâmpada mortiça, onde oscila o poente...
    Num fúnebre arrepio, as velhas procissões,
    Caminham lentamente.

    (...)

João Lúcio
Poesias Completas
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa 2002