
A foto documenta a reprodução de uma casa algarvia, serrana, na sala de entrada da Quinta Pedagógica da Serra de Silves, que recentemente serviu de sala de recepção aos participantes na 4ª Batida Fotográfica APARTE/Racal Clube, ocasião em que bati a fotografia, e foi, neste 1º de Maio, o local de convívio proposto aos cidadãos pela Junta de Freguesia (em Silves o 1º dia de Maio é tradicionalmente comemorado no campo, petiscando caracóis).
Os dois figurões sentados ao fundo são dois bonecos, designados por "maios", que se construíam no 1º de Maio de cada ano, simulando visitantes, com quem partilhávamos os "queijos" de figo e nos saudávamos com um cálice de aguardente de medronho (evocação que aqui recordo numa transcrição de um texto de Rosa Dias, em Um pouco mais de Sul).
Desconheço qual a origem desta tradição e o seu profundo significado, para além do relacionamento com o equinócio da Primavera ou, ainda, com a deusa romana da fertilidade, donde se diz que provém o nome deste mês.
Recordo, de criança, a curiosidade que sempre despertava a maia ou maios do professor Samora Barros. Ricamente vestidos, eram colocados a uma das janelas do seu solar, na margem esquerda do Arade, frente à ponte, e todos os queriam apreciar.
A minha mãe sempre os construíu e mesmo eu os fui fazendo ao longo de alguns anos, durante a infância de minhas filhas.
P.S.
No dia em que publico este post, 3 de Maio, é tempo da Feira das Cruzes, uma feira tradicional, praticamente em vias de extinção, cujas designação e origem me proponho sempre investigar em cada ano que passa e acabo por esquecer. Alguém avança uma sugestão?