
Ainda não possuo a tecnologia necessária para recolher e difundir o cheiro da flor da laranjeira, que se começa a sentir e em breve invadirá a cidade, inebriando as noites e adocicando os dias.
Posso no entanto contribuir com sugestões dos aromas das rosas em muro de antiga quinta ou dos amores-perfeitos em pleno ambiente urbano, intercalados por esta profusão de verde sobre a avenida.


terça-feira, maio 10, 2005
Maio e seus odores
segunda-feira, maio 09, 2005
Maio e as flores




Maio é tambem a exuberância da roupagem das árvores, do verde das folhas à variada paleta de cor das flores suspensas dos ramos ou já fenecidas, cobrindo o chão, nas calmas e prazenteiras praças da minha terra, brincando com os ocres das paredes de pedra, o branco caiado das alvenarias e o azul brilhante do céu.
sexta-feira, maio 06, 2005
Um Conto (IV)
Ressaca
Conhece aquela sensação de que se tem uma cabeça enorme; como na ressaca de uma noite em que se bebeu demais? - perguntou-me.
É isso. Isso e a batida ritmada, a ressoar, ao longe. E o meu corpo a reagir, a acompanhar aquele beat, feito função vital do meu próprio ser.
Os movimentos lentos, como se flutuasse num meio aquático.
E uma inquietação, uma carência permanente de qualquer coisa indefinível. Por vezes, também, uma embriaguez que percorre o corpo, como um caldo morno, apaziguando os sentidos, relaxando.
Ainda sem assumir consciência deste universo comecei a sofrer, a espaços cada vez mais insistentes, uma acção que me era exterior. Como que o efeito de um vómito no estômago. Dolorosamente a esmagar, a contorcer, a empurrar, a expelir.
Subitamente um ligeiro alívio, interrompido por uma forte dor no peito, a rebentar, e uma luz, muito clara e violentamente intensa, no meu olhar.
Sabe. Aquelas chapadas para recobrar os sentidos?
Aplicaram-me uma no rabo.
Ouvi então uma voz grave, calma, bem audível, dirigida a alguém na minha frente, que me soou a algo totalmente incompreensível.
Contou-me minha mãe, mais tarde, que essa voz lhe teria dito:
- «Parabéns! Tem aqui um belo e robusto rapaz».
Lentamente, o ABRUPTO

Lentamente, dia após dia, já lá vão quase vinte e dois (22) meses, comecei a ler o ABRUPTO e até hoje continuo a lê-lo: ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ...
Foi o primeiro blog que conheci e nesse mesmo dia iniciei o meu próprio.
Hoje, ABRUPTO completa dois anos de vida.
quarta-feira, maio 04, 2005
Maio e a nostalgia do mundo rural
Ainda na sequência do que aqui se disse sobre o mês de Maio e os "maios" da casa rural da Quinta Pedagógica, quero deixar-vos algumas fotos que lá tirei por ocasião da já referida Batida Fotográfica dedicada à Serra de Silves.
Revisito as minhas memórias de menino onde a água, agora canalizada, era então servida em cântaros; havia leitos de ferro, pintados de branco e sobre as mesas-de-cabeceira mantinha-se o cocharro, junto à bilha de água, e o despertador, de tecnologia mecânica da época; o penico e o tapete de retalhos coloridos, sob o leito.



Ainda os utensílios de costura; as maçarocas de milho e as quartas e os alqueires para a medição dos cereais e das leguminosas secas; os apetrechos indispensáveis ao transporte do leite e ao fabrico do queijo.



Casa rica esta, de agricultor de medianas posses, nada comparável aos pequenos casebres, de chão de terra batida e telhados de cana e telha dos pequenos proprietários ou dos que se ocupavam das ricas e requintadas quintas dos grandes proprietários de então.
terça-feira, maio 03, 2005
Maio e os maios

A foto documenta a reprodução de uma casa algarvia, serrana, na sala de entrada da Quinta Pedagógica da Serra de Silves, que recentemente serviu de sala de recepção aos participantes na 4ª Batida Fotográfica APARTE/Racal Clube, ocasião em que bati a fotografia, e foi, neste 1º de Maio, o local de convívio proposto aos cidadãos pela Junta de Freguesia (em Silves o 1º dia de Maio é tradicionalmente comemorado no campo, petiscando caracóis).
Os dois figurões sentados ao fundo são dois bonecos, designados por "maios", que se construíam no 1º de Maio de cada ano, simulando visitantes, com quem partilhávamos os "queijos" de figo e nos saudávamos com um cálice de aguardente de medronho (evocação que aqui recordo numa transcrição de um texto de Rosa Dias, em Um pouco mais de Sul).
Desconheço qual a origem desta tradição e o seu profundo significado, para além do relacionamento com o equinócio da Primavera ou, ainda, com a deusa romana da fertilidade, donde se diz que provém o nome deste mês.
Recordo, de criança, a curiosidade que sempre despertava a maia ou maios do professor Samora Barros. Ricamente vestidos, eram colocados a uma das janelas do seu solar, na margem esquerda do Arade, frente à ponte, e todos os queriam apreciar.
A minha mãe sempre os construíu e mesmo eu os fui fazendo ao longo de alguns anos, durante a infância de minhas filhas.
P.S.
No dia em que publico este post, 3 de Maio, é tempo da Feira das Cruzes, uma feira tradicional, praticamente em vias de extinção, cujas designação e origem me proponho sempre investigar em cada ano que passa e acabo por esquecer. Alguém avança uma sugestão?
segunda-feira, maio 02, 2005
Saudando o mês de Maio
Canção de Maio
Em certos dias maio
é um touro de chuva
e o lume dum raio
atravessa uma nuvem
Porém rapidamente
acaba a trovoada
e uma névoa quente
sai da terra molhada
Em terra corre o touro
que de maio é o signo
e de tarde o besouro
ao calor zune estrídulo
Num muro branco voga
paciente o caracol
como alguém que se afoga
num mar com muito sol
Gastão Cruz
Rua de Portugal
Assírio & Alvim, Lisboa 2002