quarta-feira, maio 18, 2005

Um animal virtual

Apresento-vos o


adopte também um animal virtual

Hoje, depois do jogo, vou "entrar em estágio".
Irei também ausentar-me. Viajo até ao Festival Islâmico de Mértola. Fica garantido o conto de sexta-feira, mas enquanto o aguardam podem brincar com o lony. Ele reage aos movimentos e aos cliques do rato. Insistindo nos cliques podem até fazê-lo perder o equilíbrio.






Ainda deixo esta outra sugestão, via Klepsýdra. Basta clicar sobre o cartaz. Aconselho.




terça-feira, maio 17, 2005

Nem tudo são flores e odores

Conversávamos entre amigos e referíamos, sem discordância, que Silves parecia querer mudar por finais da década de 90, mas que apresentava de novo sinais de um total marasmo; de ausência de um projecto de desenvolvimento económico e social e de uma estratégia para o aplicar. Dizíamos que a sociedade civil agonizava e a autarquia chamava a si todas as iniciativas, abafando, em vez de incentivar e promover, tudo o que parece mexer-se nas redondezas.

Nem tudo são flores e odores. Ainda por estes dias a Manuela, de Dias com Árvores, numa publicação em Naturlink, lá mesmo no fim do artigo, perguntava se já floriam os jacarandás do Castelo de Silves.

Castelo de Silves, Outono 2004, © António Baeta Oliveira
Olha, Manuela! O castelo parece em obras, mas depois do derrube das árvores e nesta desolação, as obras estão paradas e os jacarandás...

P.S.
Apesar do benfiquismo exaltado em post do passado domingo, em tom de proclamação pontifical, não posso deixar de me congratular, não pela vitória de tal Benfica, mas antes pela passagem de vinte e quatro meses de escrita bloguítica, das melhores que se fazem em Portugal. Um abraço ao Almocreve das Petas.

segunda-feira, maio 16, 2005

A face insondável do céu

Ibn Sara, de Santarém, viveu ao tempo de Al-Mu'tamid e soube da sua queda, na sequência da chegada dos almorávidas. É um dos mais apreciados poetas do seu tempo. Morreu em Almeria, tendo conhecido todo o Al-Ândalus.
Pôr-de-sol na Ria Formosa, Inverno de 2004/05, © António Baeta Oliveira


  • imagina-nos
    na aragem cuja face se distende
    ao sol que lentamente se afunda.

    leva-nos uma barca
    vela panda na viração ligeira,
    qual jovem grávida,
    sobre um rio:
    espelho puro, como o paraíso
    onde se reflecte a face insondável do céu.

Adalberto Alves
O meu coração é árabe
Assírio & Alvim, Lisboa 1999

sexta-feira, maio 13, 2005

Um Conto (V)

  • Eu vi com os meus olhos. Tenho a certeza

                - «Off side! Fora de jogo!» - gritou o Carlos.
                - «Fora de jogo?» - interrogou o Luís.

    Apesar de uma amizade fraterna, indesmentível, sempre assim fora. Tinham diferentes pontos de vista.
    Quando acabaram o Liceu rumaram a outras paragens, carregando muitos anseios e demasiadas certezas.
    O Carlos é hoje um homem que está de bem consigo próprio, apesar de há alguns anos ter sofrido um terrível desastre de automóvel que o privou da visão. Um transplante oportuno e feliz, de um dos olhos, devolveu-lhe a vista.

    O Luís foi um amigo inseparável à cabeceira do enfermo e um companheiro de todas as horas durante a sua convalescença.
    Conversando, outro dia, num dos seus regulares encontros, dizia o Carlos:

                - «Eu perdi os olhos, ganhei um que não é meu, mas continuo a ver o mundo da mesma maneira; à minha maneira. Tenho a certeza de que sempre assim será.»

    Retorquiu o Luís:

                - «Eu vou gastando o olho em leituras e vejo sempre o mundo de maneira diferente. Já nem sei se me resta alguma certeza.»


quinta-feira, maio 12, 2005

Presa do Padre Pedro

Presa do Padre Pedro cumpre hoje um ano de vida.

Conheci o José Carlos Barros (jcb), a sua escrita, em Um pouco mais de Sul, num registo quente, mediterrânico, tão ao jeito destas terras do Algarve, a Sul. Reconheci-o depois em Presa do Padre Pedro, no tom meditativo, saudoso das suas memórias de juventude em terras de Trás-os Montes, a Norte.

Há alguns posts atrás jcb adoptou a simbiose destes dois estados de espírito a que a vida o conduziu.

© José Carlos Barros© José Carlos Barros
Fotos de jcb

É do jcb, dessa simbiose, mesmo antes da sua assunção, de quem eu falava há cerca de um ano em Há património nas palavras de "jcb":
  • Não é uma obrigação, antes a satisfação de um desejo que se cumpre na leitura dos escritos do jcb, que ali quase diariamente me deixa, para que as colha, pequenas sínteses de vivências com sabor a poesia.
    Este fim-de-semana, mais exactamente no domingo à tarde, fiquei preso por longo tempo num seu poema, daqueles que ele nos deu a conhecer e que sentimos correr como a água de que falam, que tratam pelos seus nomes os animais e as árvores, que evocam utensílios que vão perdendo o uso, que arrastam aromas de ervas de que se fazem chás ou mezinhas e paladares esquecidos nos muros brancos, abandonados, que demarcavam quintas onde havia dessa água, dessas árvores, desses cheiros e sabores que quase só restam na memória.

Se quiserdes conhecer o poema a que faço referência, é só clicar aqui.

Um grande abraço, Zé Carlos!

quarta-feira, maio 11, 2005

Casimiro de Brito premiado em Itália


Prémio Aleramo-Mário Luzi para
Casimiro de Brito
.

Libro delle Cadute foi considerada a melhor obra poética estrangeira publicada em Itália em 2004.

Saiba mais sobre este prémio em Muita Letra.

Nota:
Aqui, no Local & Blogal, Casimiro de Brito é o poeta mais citado. Pode conhecê-lo melhor através de alguns dos seus escritos ao fundo desta página, em Poesia de outros Poetas, procurando Casimiro de Brito, que se encontra por ordem alfabética.

terça-feira, maio 10, 2005

Maio e seus odores

Silves, Maio 2005, © António Baeta Oliveira
Ainda não possuo a tecnologia necessária para recolher e difundir o cheiro da flor da laranjeira, que se começa a sentir e em breve invadirá a cidade, inebriando as noites e adocicando os dias.

Posso no entanto contribuir com sugestões dos aromas das rosas em muro de antiga quinta ou dos amores-perfeitos em pleno ambiente urbano, intercalados por esta profusão de verde sobre a avenida.

Silves, Maio 2005, © António Baeta OliveiraSilves, Maio 2005, © António Baeta OliveiraSilves, Maio 2005, © António Baeta Oliveira