segunda-feira, julho 18, 2005

CONCURSO


(Clique em cada uma das fotos, se preferir maior ampliação)

As três fotos acima foram batidas no Sul da Península Ibérica e reportam-se a duas cidades diferentes, relacionadas culturalmente com a civilização do Al-Ândalus.
Três fotos para duas cidades:
      - 1. Que cidades?
      - 2. Qual das cidades tem uma só foto?
Sintetise uma informação sobre o monumento representado na foto que acabou de referenciar; a tal única foto de uma das cidades.

    Nota importante:
    A síntese serve ao desempate dos que vierem a acertar nas duas primeiras perguntas.
    Remeta as suas respostas para o email de Local & Blogal (baeta.silves@gmail.com) , com indicação dos seus nome, email e blog (se houver). No assunto (subject), refira "Concurso".
    Há um prémio para a que vier a ser considerada a melhor síntese, desde que estejam correctas as respostas às duas perguntas. O premiado, a quem será solicitado o endereço postal, para envio do prémio, será notificado através do email que nos enviou.
    Serão consideradas as respostas que forem recebidas no email do Local & Blogal até à meia-noite de sábado (dia 23 de Julho).


Entretanto, em Loulé, a vereação, unânime, decide destruir o Jardim do "Boné" (Bonnet). Saiba mais, em Dias com Árvores.

sexta-feira, julho 15, 2005

Um Conto (X)

  • Piano Man

    Tinha passado toda a noite a estudar aquela pauta. Repetia e tornava a repetir as passagens mais difíceis, tentando libertar-me das exigências técnicas e abraçar definitivamente o tom interpretativo que pretendia conferir. Aproximava-se a data do concerto.
    Exausto, reclinei-me sobre o piano.

    Estava uma manhã fria, húmida. Passeava na praia deserta quando fui abordado por alguns homens que se me dirigiam numa linguagem estranha. Inquiriam-me. Agarravam-me.
    Arrastaram-me para uma viatura e conduziram-me para uma casa onde, num quarto de paredes brancas, me deitaram num leito de ferro, também pintado de branco.
    Sujeitaram-me a recolhas de sangue e mucos. Observaram minuciosamente todo o meu corpo com uma intenção que me parecia criteriosa, mas cuja finalidade eu não entendia. Parecia que me receavam, como se fosse portador de algum mal.

    Deram-me papel e lápis. Desenhei.

    Mudaram-me para uma sala maior, onde algumas pessoas pareciam aguardar-me. Num ponto mais elevado da sala havia um piano de concerto, como o meu. Puseram-me ao piano e afastaram-se.
    Toquei durante horas.
    Deixaram-me depois, só, num belo e extenso jardim.

    Contemplando o pôr-do-sol, que tudo pintava de vermelho, senti que regressava ao meu próprio piano.
    E então toquei. Toquei... até que, exausto, adormeci.


quinta-feira, julho 14, 2005

jcb na Periférica


(Clicando na imagem acederá a Periférica online)

Está aí a última edição de Periférica.
Conta com a participação de José Carlos Barros (jcb), de Casa de Cacela, na forma de cinco belos poemas.
Para vos despertar o apetite, transcrevo:

  • A casa, 3

    Na casa em ruínas fica ainda durante algum tempo
    uma espécie de música rumorosa
    que ligava as pessoas e os objectos,
    um caderno
    de deve e haver,
    uma cédula,
    um fragmento iluminado da parede
    onde se penduram retratos,
    um bilhete de comboio esquecido na gaveta da cómoda:
    mas também isso
    são escombros.

P.S.
Permitam-me uma chamada de atenção para um novo blog no Algarve:
Mais do que mil palavras, onde o texto acrescenta algumas mais.

quarta-feira, julho 13, 2005

Num ponto qualquer


  • Num ponto qualquer
    sensualmente subtil
    algo que antes não servia para nada
    irradia agora habitada surpresa.

António Ramos Rosa
Antologia Poética
Dinâmica Subtil (1984)
Publicações Dom Quixote, Lisboa 2001

terça-feira, julho 12, 2005

Srebrenica

© www.pbs.org/cryfromthegrave
(Ao clicar na foto pode aceder ao site)

Dez anos passaram.
Na Europa, supostamente civilizada, um destacamento do exército sérvio, supostamente não terrorista, separa, de entre a população de Srebrenica, as famílias muçulmanas e sistematicamente assassina cerca de 8 milhares de homens e rapazes, no maior genocídio que se conhece desde a II Guerra Mundial.
Soldados e civis sobreviventes, muitas mulheres, regressaram ontem para chorar de novo durante o funeral de mais 610 homens e rapazes, recentemente descobertos numa vala comum.
Li por estes dias, via Courrier Internacional, o pequeno texto que transcrevo abaixo, de Aleksander Hemon, escritor nascido em Sarajevo:

  • " (...) O deslize mais grave é a existência da Bósnia-Herzegovina de Dayton. Esse Estado tem na sua presidência e no Parlamento representantes de forças políticas que não o reconhecem. Os herdeiros ideológicos dos criminosos governam as vítimas. (...) "


segunda-feira, julho 11, 2005

A vida continua

Londres, Inverno 2004, © António Baeta Oliveira

Foi com Londres ainda muito presente, a exaltar a sensibilidade, que regressei ao CAPa (Centro de Artes Performativas do Algarve) para assistir, se não à melhor, pelo menos a uma das melhores peças de teatro de toda a minha vida. O CAPa tem destas surpresas e esta não é a primeira. Disso já aqui dei conta, por mais de uma vez, nomeadamente em Outubro de 2003 (KIP).

Desta vez a responsabilidade coube a uma das companhias portuguesas que mais admiro - O Teatro da Garagem.

A luz, azulácea, acende lentamente, ao ritmo de um trecho musical que impõe uma sonoridade triste, angustiante e gradativamente grandiloquente. Avistam-se peças de mobiliário, três ou mais, de estilos característicos do princípio do século XX ou finais do XIX, todas ou quase todas com espelhos ou vidro, a reflectir o presente ou a sugerir o passado; o solo é uma camada de água, de um palmo de altura, a projectar por toda a sala cambiantes de luz, a lembrar um aquário, qual sítio de experimentação e observação de comportamentos. Ao centro uma estrutura móvel, de um material plástico, branco, onde, no decurso do enredo, algumas personagens se refugiam como num confessionário. Neste cenário evolui uma dama, descalça, de tiques aristocráticos, que abre e fecha gavetas, revisitando as suas memórias.

A Vida Continua é o título deste trabalho, cujo texto e encenação tem a assinatura de Carlos Pessoa. Um texto fabuloso, servido por uma cuidada e rigorosa encenação e cinco excelentes actores, entre eles Miguel Mendes, que sempre identifico como a face visível da companhia, e que me deslumbra, sucessivamente, pelas suas superiores interpretações. É uma peça dramaticamente irónica, cómica até, roçando o trágico, onde se vive um louco estado de decadência, que lentamente parece apodrecer, esvaindo-se naquela camada de água que torna mais lento e arrastado o movimento e onde se afundam todos os mitos que parecem gerar-se por afinidades, a partir de frases soltas, citações, sonhos, devaneios, enganos, prazeres, burlas, compadrios, truques, inconsequências, sugestão e reflexo de uma sociedade que chega ao fim, que se degrada e morre, enquanto... a vida continua.

P.S.
1 - Antes que as restrições orçamentais levem ao encerramento de espaços como este ou que a economia acabe por degradar, irremediavelmente, o já de si degradado estado cultural do nosso país, lembro o fim do Ballet Gulbenkian e deixo-vos este link, que apela à assinatura de uma petição dirigida ao Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian.
2 - Quero agradecer ao João, de Asul, ao Manuel, de Limites de Luz e ao Helder, de Contrasenso pela simpatia dos seus escritos a propósito do 2º aniversário do Local & Blogal. Um grande abraço ainda a todos os outros que a tal propósito se manifestaram nos comentários. Obrigado, amigos!

sexta-feira, julho 08, 2005