quarta-feira, novembro 15, 2006

Timbuktu, uma das 21 Maravilhas do Mundo

© Melissa Enderle
      (Clique na imagem para mais fotos)
  Thank you, Melissa


Timbuktu é a minha cidade mítica, a inatingível, aquela para onde vão as caravanas que se dirigem às paragens mais remotas e donde regressam as que vieram dos confins do mundo.
Amin Maalouf, escritor de origem libanesa, um dos mais conceituados romancistas na vertente do romance histórico, levou-me a Timbuktu (Toumbouctou, em francês) na caravana de um dos mais prestigiados viajantes de sempre, Leão, o Africano, editado em português pela Bertrand, cuja leitura me impressionou profundamente. Recordo ainda outro lugar remoto e mítico, cruzamento de caravanas e civilizações, sobre o qual Amin Maalouf escreveu, também em edição da Bertrand - Samarcanda.

Pois não é da cidade mítica que vos quero falar. É da cidade real, da actual cidade de TIMBUKTU, no Mali, próxima das margens do Níger, famosa há mais de um milhar de anos; é da sua universidade com milhares de estudantes, do inestimável espólio dos seus livros milenares, das suas construções em terra, desta cidade que é Património da Humanidade (UNESCO).

Timbuktu é uma de entre as 21 candidatas à eleição das Novas 7 Maravilhas do Mundo.

Lisboa será o palco onde se dará a conhecer o resultado da votação que envolve já perto de 20 milhões de pessoas e onde se conta com 100 milhões de intenções de voto.

Quantos se lembrarão destas modestas construções de terra, em Timbuktu, quando a atenção de cada povo se centra sobre os exemplares mais significativos da sua região e onde países como os Estados Unidos, o Japão, a Rússia, a China, dos mais populosos do mundo, têm os seus próprios exemplares em que votar? Quantos africanos terão acesso à Internet ou até ao telefone para fazer valer o seu voto regional?

Vote, e quando votar, lembre-se de TIMBUKTU entre as suas preferidas Sete Maravilhas do Mundo (clique para votar).

NOTA:
Não perca estas outras e muito belas fotos, aqui. (clique)

terça-feira, novembro 14, 2006

Novos poetas algarvios (VII)

Termino hoje esta ronda pelos cinco poetas que constam da Antologia dos Novos Poetas Algarvios. Os poemas que aqui transcrevi, escolhidos de entre alguns outros, obedeceram a opções de extensão, adequando-os a este tipo de suporte, e de meu gosto pessoal. Não traduzem certamente as opções dos seus autores ao colocá-los por determinada ordem ou até as da organizadora da publicação, Maria Aliete Galhoz, quando escreve na apresentação:



  • «A poesia não é mais a visitação do "lugar ameno" real ou num imaginário possibilitado.
    A poesia destes cinco "novos poetas algarvios" não se compraz em si, não glosa estereótipos, nem de paisagem nem do "sujeito".»

Do Solo ao Sul
(Antologia de Novos Poetas Algarvios)
ARCA (Associação Recreativa e Cultural do Algarve), Faro 2005

segunda-feira, novembro 13, 2006

Novos poetas algarvios (VI)



  • Fumar o sopro da vida, travar-te no pulmão, reter-te respirar-te
    Constróis-me como num parto, vivo por dentro de ti como um feto
    És o músculo que empunha o martelo, o ferreiro que bate, aperfeiçoando,
    [o metal
    O cavalo alado da minha juventude, excitando-me, amedrontando-me,
    [atiçando-me
    O abanador que espalha a minha fogueira, que espalha o meu calor
    O índio que me cura espetando agulha
    És a árvore, eu era o fruto caído no chão que germinou com o teu cheiro
    E agora estamos os dois aqui, olhando-nos como vitrais de Igreja
    Permanecemos
    Com o vento abanando nossos frutos verdes

Ruben Gonçalves
Do Solo ao Sul
(Antologia de Novos Poetas Algarvios)
ARCA (Associação Recreativa e Cultural do Algarve), Faro 2005

sexta-feira, novembro 10, 2006

Ao jeito de um fotoblog (III)

Cigarros e jornais, 2005, © António Baeta Oliveira


  • Denúncia da sua presença.
    Tensão da sua ausência.


A partir de hoje vou deixar de usar aquele título - "Ao jeito de um fotoblog" - pois pude aperceber-me que uso com frequência, desde o primeiro mês de existência deste blog, comentar, de forma pretensamente poética, algumas fotografias, de minha autoria, que aqui vou colocando.
Continuarei a usar a fotografia comentada, mas com titulação própria.
Irei também recordando alguns desses posts com fotografias comentadas, em anos anteriores, de cada vez que aqui publicar uma nova fotografia com um comentário a seu propósito.

Aqui vai a primeira - Entardecer (clique) - publicada em Julho de 2003.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Novos poetas algarvios (V)

  • AVÉ MUNDI

    LE MONDE EST MORT...
    VIVE LE MONDE!
    O mundo morreu.
    Fui hoje
    Ao seu funeral.
    A tristeza
    Era muita,
    Tanta,
    Que me esqueci
    Do meu...

Ricardo Paulo
Do Solo ao Sul
(Antologia de Novos Poetas Algarvios)
ARCA (Associação Recreativa e Cultural do Algarve), Faro 2005

P.S.
Ricardo Paulo é natural de Silves.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Novos poetas algarvios (IV)



  • Boca aberta que tens plátano em ti,
    Dessa copa aberta e agra
    Abisma-me o contorno de giz, quarto encerrado, voz tácita.
    O gesto de morte desse braço aberto de meio,
    Mãos esculpidas de pedra
    Têm nas unhas de mármore o sangue calcinado,
    Pintado em tons de aspar,
    Rastreio poluto, asco asceta.
    Sôfrega pulsa ânsia
    Apura o odor desse peso que caminha lento na incerteza
    Do fatídico.

Pedro Sousa
Do Solo ao Sul
(Antologia de Novos Poetas Algarvios)
ARCA (Associação Recreativa e Cultural do Algarve), Faro 2005

terça-feira, novembro 07, 2006

Novos poetas algarvios (III)



  • Fixamos num olhar o engano mútuo
    trocamos umas palavras por necessidade de esclarecimento
    separamo-nos       nessa noite       tão frios
    na proximidade inventamos uma distância

    Decidimos pelo melhor um beijo no rosto
    traçando uma linha de amizade
    insuficiente para o estado em que acabamos
    com vontade dos lábios um do outro

João Bentes
Do Solo ao Sul
(Antologia de Novos Poetas Algarvios)
ARCA (Associação Recreativa e Cultural do Algarve), Faro 2005