segunda-feira, novembro 27, 2006

Parabéns, Torquato!

Torquato da Luz cumpriu ontem mais um aniversário. Venho presenteá-lo com o seu próprio trabalho criativo.

© Torquato da Luz
Acrílico sobre tela (pormenor)

  • Dúvida

    A dúvida é a única certeza:
    nada é seguro, tudo é vago e incerto.
    Nem sempre a natureza
    favorece o clima
    que gera oásis no deserto.
    Gostava de crer acima
    de qualquer hesitação
    ou egoísmo,
    mas não me é possível, não,
    esconder o cepticismo.

    Só não vacila quem crê
    apenas no que vê.

Torquato da Luz
Ofício Diário

sexta-feira, novembro 24, 2006

Um Cont(inh)o (XIII)

Aqui está algo que não fazia há algum tempo - um microconto (cerca de 50 caracteres):


  • Andei perdido no tempo que me roubaram no dia em que a hora mudou.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Esquecido num cigarro

Fumando um cigarro, Tavira. Verão de 2006, © António Baeta Oliveira


  • É no cigarro que me esqueço
    no fim
    da tarde que devagar desce a calçada.

    O muro a que me encosto
    ficará
    numa baça lembrança
    do que foi
    a minha desvanecida imagem
    do que fui.


Recordando uma antiga fotografia comentada - Diversidade de opinião (clique) - publicada em 22 de Agosto de 2003.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Em Silves, vendo o tempo passar

Luiza Neto Jorge viveu em Silves. Desse tempo ficou uma publicação que recebeu o título Silves 83.


  • Águas passadas
    não moem rodízios
    de moinhos

    Águas passadas
    não moem ruínas
    de moinhos

Luiza Neto Jorge
Poesia
Silves 83
Assírio & Alvim, Lisboa 2001

P.S.
O título que dei ao post tem a ver com algum desencanto que se vive na cidade; desmazelo e obras por todo o lado, paradas, sem fim à vista, ausência de iniciativas culturais, de vida comercial, de vivência social, de perspectivas.
Um marasmo.
O problema maior é que, quando se trata de civilização, ficar parado não significa ficar no mesmo estádio de desenvolvimento, mas recuar, no que chamaria de involução.

sexta-feira, novembro 17, 2006

A várias mãos

Amanhando peixe, Silves 2005, © António Baeta Oliveira

  • Mãos
    túrgidas no amanho do peixe
    ágeis sobre as teclas de um piano
    calejadas no esforço da picareta
    hábeis na moldagem do barro
    nervosas num momento de tensão
    humedecidas na convulsão do choro
    frementes no apelo do desejo
    largas na expressão da dádiva
    abertas ao acolhimento
    em punho na explosão da raiva
    trucidadas num acidente de trabalho
    envelhecidas pelo passar do tempo
    quentes num coração frio
    frias num coração
    quente quando num gesto de afeição.


Recordando uma outra fotografia comentada - Como uma almenara (clique) - publicada em 8 de Agosto de 2003.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Timbuktu, uma das 21 Maravilhas do Mundo

© Melissa Enderle
      (Clique na imagem para mais fotos)
  Thank you, Melissa


Timbuktu é a minha cidade mítica, a inatingível, aquela para onde vão as caravanas que se dirigem às paragens mais remotas e donde regressam as que vieram dos confins do mundo.
Amin Maalouf, escritor de origem libanesa, um dos mais conceituados romancistas na vertente do romance histórico, levou-me a Timbuktu (Toumbouctou, em francês) na caravana de um dos mais prestigiados viajantes de sempre, Leão, o Africano, editado em português pela Bertrand, cuja leitura me impressionou profundamente. Recordo ainda outro lugar remoto e mítico, cruzamento de caravanas e civilizações, sobre o qual Amin Maalouf escreveu, também em edição da Bertrand - Samarcanda.

Pois não é da cidade mítica que vos quero falar. É da cidade real, da actual cidade de TIMBUKTU, no Mali, próxima das margens do Níger, famosa há mais de um milhar de anos; é da sua universidade com milhares de estudantes, do inestimável espólio dos seus livros milenares, das suas construções em terra, desta cidade que é Património da Humanidade (UNESCO).

Timbuktu é uma de entre as 21 candidatas à eleição das Novas 7 Maravilhas do Mundo.

Lisboa será o palco onde se dará a conhecer o resultado da votação que envolve já perto de 20 milhões de pessoas e onde se conta com 100 milhões de intenções de voto.

Quantos se lembrarão destas modestas construções de terra, em Timbuktu, quando a atenção de cada povo se centra sobre os exemplares mais significativos da sua região e onde países como os Estados Unidos, o Japão, a Rússia, a China, dos mais populosos do mundo, têm os seus próprios exemplares em que votar? Quantos africanos terão acesso à Internet ou até ao telefone para fazer valer o seu voto regional?

Vote, e quando votar, lembre-se de TIMBUKTU entre as suas preferidas Sete Maravilhas do Mundo (clique para votar).

NOTA:
Não perca estas outras e muito belas fotos, aqui. (clique)

terça-feira, novembro 14, 2006

Novos poetas algarvios (VII)

Termino hoje esta ronda pelos cinco poetas que constam da Antologia dos Novos Poetas Algarvios. Os poemas que aqui transcrevi, escolhidos de entre alguns outros, obedeceram a opções de extensão, adequando-os a este tipo de suporte, e de meu gosto pessoal. Não traduzem certamente as opções dos seus autores ao colocá-los por determinada ordem ou até as da organizadora da publicação, Maria Aliete Galhoz, quando escreve na apresentação:



  • «A poesia não é mais a visitação do "lugar ameno" real ou num imaginário possibilitado.
    A poesia destes cinco "novos poetas algarvios" não se compraz em si, não glosa estereótipos, nem de paisagem nem do "sujeito".»

Do Solo ao Sul
(Antologia de Novos Poetas Algarvios)
ARCA (Associação Recreativa e Cultural do Algarve), Faro 2005