segunda-feira, janeiro 08, 2007

Um contributo para a história local

Torreão e sua sombra, Silves, Maio de 2006

A minha pesquisa regular sobre Silves, no Google, levou-me a Mafra Regional, revista digital, e a um artigo do historiador Manuel Gandra sobre o topónimo de Mafra.
Afirma o articulista que «[...] a mais remota fonte documental conhecida a reportar-se a Mafra: “villam quae dicitur Mafarã cum omnibus suis terminis novis et veteribus”, [é] o da sua doação por D. Sancho I e pela rainha D. Dulce à diocese de Silves, na pessoa do bispo Dom Nicolau e seus sucessores, em 1189,[...]»
Mafra seria, assim, propriedade da diocese de Silves.
Acrescenta ainda o articulista, a dado passo, que «[...] A doação ficaria sem efeito, revertendo a povoação para a Coroa, após Silves ter sido reconquistada pelos muçulmanos, em 1191, [...]»

Quem quiser aprofundar um pouco mais a pesquisa de Gandra sobre o topónimo de Mafra, pode fazê-lo, através do link da revista - Mafra Regional.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Mas estes não passam de animais

Cães ao Sol, Silves, Inverno de 2003/2004, © António Baeta Oliveira


  • Há comunidades que vivem assim, por instinto, ao calor do Sol.
    Relacionam-se na base da sua satisfação pessoal, em torno do que comem ou do que bebem: sobre o local onde se encontram esses produtos de consumo, sobre a sua qualidade, sobre o seu preço, ou seja, o grau de dificuldade para os obter.
    Lutam pela sua posse, impondo a lei do mais forte, e definindo territórios que controlam e demarcam com os seus sinais.
    É a luta pela sobrevivência, onde os mais fortes dominam.
    Há ainda a luta pela posse da fêmea, marcada também pela hierarquia do poder.
    Os mais novos aprendem com os mais velhos as suas normas societárias, a defesa do status quo, e treinam-se entre si, sob a forma de jogos ou lutas tribais. O seu acesso ao poder faz-se por via do sucesso nesses jogos e lutas ou pela proximidade à família dos mais fortes.
    Não sabem de abstracções, não possuem horizontes culturais.
    Há quem diga que são felizes assim.
    Para mim, a felicidade é uma abstracção a que eles não têm acesso.
    Mas estes não passam de animais. Não os podemos culpar por isso.


Recordando uma antiga fotografia comentada - Assim... suspenso...
(clique) - publicada em 1 de Setembro de 2003.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Regressei da minha busca

Procurei em vão. Não encontrei Cristo no Natal dos nossos dias.
Falaram-me de festas em família, como se isso não integrasse a cultura de qualquer povo, em qualquer parte do mundo; falaram-me de prendas, de compras, de decorações de Natal, com ou sem presépio, e da animação das ruas, como se isso não integrasse esta fúria insana de delapidação dos nossos recursos.

Se Cristo tem a ver com isto, «valha-lhe Deus!»

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Não há Ano Novo, nem novos anos

  • COMEÇA HOJE O ANO

    Nada começa: tudo continua.
    Onde 'stamos, que vemos só passar?
    O dia muda, lento, no amplo ar;
    Múrmura, em sombras, flui a água nua.

    Vêm de longe,
    Só nosso vê-las teve começar.
    Em cadeias do tempo e do lugar,
    É abismo o começo e ausência.

    Nenhum ano começa. É Eternidade!
    Agora, sempre, a mesma eterna Idade,
    Precipício de Deus sobre o momento.

    Na curva do amplo céu o dia esfria,
    A água corre mais múrmura e sombria
    E é tudo o mesmo: e verbo o pensamento.


Fernando Pessoa
in Poemário
Assírio & Alvim, Lisboa 2006

Com um abraço ao meu amigo António Guerreiro, que mo ofereceu e a que dei o uso que me sugeriu.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Parto, em busca do Natal

Cacela Velha, Verão de 2006, © António Baeta Oliveira

Vou sair por aí, procurando entender o que haverá de Natal (leia-se nascimento de Cristo) no meio da euforia que parece ter tomado conta das pessoas nesta época do ano.
Conto regressar, mas lá mais para Janeiro ou talvez antes. Quem sabe!

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Pela luz desta janela

Luz de Inverno, Silves, Inverno de 2005/2006, © António Baeta Oliveira


  • É ténue e fria
    a luz
    que ainda penetra
    pela luz
    desta janela

    E a luz que se esvai
    frágil e docemente
    morna
    pela luz desta janela
    abandona
    o âmago das coisas
    e fixa-se
    por algum tempo
    mais
    nos contornos nos
    recortes da memória


Recordando uma minha fotografia, a que juntei um poema de Sophia de Mello Breyner - Longe dos cenários de confrontação e morte (clique) - publicada em 26 de Agosto de 2003.

P.S.
A razão do título - "Longe dos cenários de confrontação e morte" - residia no sentimento que, em Agosto de 2003, ainda nos angustiava, a propósito da Invasão do Iraque, no anterior mês de Março.
Hoje, Dezembro de 2006, a chaga ainda está aberta e purga, mas aqui, longe dos cenários de confrontação e morte, a nossa mente já ganhou resistência à dor.
É importante recordar, quando a rotina faz esquecer.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Haverá quem acredite?

O Diário de Notícias de hoje refere que «A Comissão Europeia decidiu ontem, em Estrasburgo, arquivar o processo contencioso da barragem de Odelouca, depois de Portugal assegurar que a sua água seria para consumo humano e não industrial...»

Já estou a imaginar os campos de golfe com a relva seca e as piscinas a ganhar pó!
Haverá quem acredite que Portugal irá mesmo cumprir com o que assegura?