Tenho um heterónimo numa segunda vida. Esta noite, pelas 21h00, abre uma sua exposição com fotografias de Sevilha, Londres, Cacela Velha e, na larga maioria, de Silves. A foto acima regista o acontecimento nas vésperas da vernissage.
Ibrahim Bates, assim se chama o meu heterónimo, é um divulgador das belezas de Silves, num mundo que já ultrapassa os 4 milhões de residentes. O seu trabalho é referido na imprensa brasileira.
Já tinha notado que a cadência do meu blog estava a ficar demasiado centrada nestes meus desapontamentos locais. Pois ainda não é desta vez que me consigo libertar da pressão local.
A administração da cidade não deveria ter gostado de ver toda a gente que por aqui passou, alegremente em passeio ou exercício, durante o fim-de-semana, e logo pela manhã de terça-feira, eu e cerca de uma dezena mais de outros como eu, pelo que conheço nesta minha hora habitual de exercício, vimo-nos confrontados com o encerramento da pista, impedindo o acesso à margem do rio. É certo que esta barreira de arame agora erguida tinha sido derrubada, mas não entendo o porquê, apesar do atraso das obras, para este encerramento. Bem poderia ter ficado uma pequena abertura para os transeuntes, já que o que se pretende evitar, julgo eu, seja a entrada e estacionamento de veículos sobre a pista, visto que as dificuldades em estacionar obrigam os condutores a aparcar nas mais inverosímeis situações. Pode até haver um motivo muito plausível para o encerramento, que eu não vislumbre, mas o crédito dos motivos plausíveis está esgotado, num parque cujas obras estão paradas há meses e se previa, no "planeamento científico do POLIS", estar terminado em Maio do ano passado. Estou sem acesso a esta margem do rio, da ponte para jusante, vedado por causa de obras, paradas desde Fevereiro do ano passado.
Devolvam-me o rio, por favor, para poder regressar ao silêncio, à paz de espírito que agora só encontro na música que prefiro ouvir, já que esta cidade parece que não quer resultar. Quem me lê, que fique aqui também um pouco, na companhia de Carlos Bica e do seu contrabaixo. Vão ver que vale a pena!
O que espera esta criança, que olha para além do mar?
Uma notícia do Correio da Manhã, na semana passada, referia-se a um espancamento ocorrido no Algôs, concelho de Silves, sobre dois assaltantes, perpetrado por um grupo de cidadãos não identificados, que os entregaram à GNR.
Fiquei a pensar nos sinais reveladores da inoperância cada vez maior das forças segurança, que conduzem a estas acções de "justiça popular". A lei não faz sentido por si se não houver um mecanismo de fiscalização e controlo da sua aplicação e é na sua ausência que ocorrem estes actos de intervenção popular, que vão gerando um campo fértil para a actuação dos que defendem um estado policial, exactamente porque o seu discurso vai de encontro à sensação de insegurança das populações.
"...ontem à tarde ainda não tinha sido apresentada qualquer queixa relativa ao incidente. Uma vez que a detenção não foi efectuada em flagrante delito, os dois homens foram restituídos à liberdade.", concluía o referido jornal.
O problema é que notícias destas surgem todos os dias, em vários pontos do país.
Li esta informação através do meu computador e aí, o leitor, tem possibilidade de anexar à notícia o seu comentário. Cerca de duas dezenas de comentadores eram unânimes em congratular-se com a aplicação da "justiça popular", e a fúria mais devastadora, a maior insurgência, recaía na situação desses dois assaltantes serem imigrantes romenos.
Esta fúria anti imigrante assume foros de uma xenofobia perturbadora e este é também um campo fértil para a sementeira dos nacionalismos e dos patriotismos bacocos, de gente a quem só falta um partido de direita onde se reconheça, para que comecem a engrossar as suas fileiras, como vemos acontecer pela Europa fora.
Há que construir outro futuro, porque este que está à vista deixa muito a desejar.
Que diriam as pessoas, se a Câmara Municipal de Silves tivesse designado o espaço, hoje restaurado, do Antigo Matadouro, como Casa da Cultura Cristã e Mediterrânica!? Certamente que achariam isso descabido. A Câmara com uma Casa da Cultura Cristã? Isso não seria antes uma coisa da Igreja? A que propósito uma designação religiosa para um edifício que é património municipal e gerido pela sua própria administração?
Pois. Pior ainda é chamar-lhe Casa da Cultura Islâmica, que é também uma designação religiosa. É certo que este conceito não nos é tão próximo como o conceito de cultura cristã e por isso mesmo estranharíamos a designação de cultura cristã e não estranhámos, à primeira apreciação, a designação de cultura islâmica. Mas um muçulmano sentirá certamente que aquela designação é abusiva e eu já tive oportunidade de ouvir pronunciar essa opinião.
Não é que tenha algo a favor ou contra a religião cristã ou até a favor ou contra a religião islâmica, pois sou alheio a qualquer uma delas, mas aquela designação é incorrecta, eventualmente ofensiva, e deveria ser alterada.
Se a Câmara concordou com esta designação para esta Casa a que chama sua, deve saber do que fala; ou será que não sabe? Cultura Árabe, ou Luso-Árabe, faria lembrar muito o CELAS (Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves), não é?
Isabel Soares teve que justificar-se junto do Tribunal por ter aberto esta Casa em situação ilegal, sem o poder fazer. Esperemos que esta designação não se mantenha ali por muito tempo, já porque a Justiça ou a Comunidade Europeia poderão vir a pronunciar-se pela sua entrega ao CELAS ou até a queda de Isabel Soares, mais cedo do que o previsto, ou mais tarde em próximas eleições, possa vir a resolver a situação, já porque a Assembleia Municipal se revelou contrária, em devido tempo, e a oposição se vem manifestando nesse sentido. Ou haverá quem venha a virar o bico ao prego?
Surpreendente e inédito, são os dois adjectivos que escolho para qualificar esta original experiência de tentar reproduzir virtualmente a beleza do expressivo movimento do bailado.
Só um trabalho de experientes profissionais conseguiria erguer este belo cenário de neve (1º acto) e orientar os movimentos dos bailarinos em cena, alguns deles também profissionais na vida real.
É um pouco maior esta imagem do 2º acto...
... exactamente porque quero fazer notar a excelente coordenação do movimento das duas bailarinas em cena, em segundo plano, para vos solicitar um pequeno esforço para imaginar o significativo número de horas de trabalho que poderão estar na base da execução de um simples movimento como este.
Olmannen - título do ballet - é um trabalho original de Inarra Saarinnen, que escreveu, coreografou e dirigiu este primeiro Ballet na SL.
Alazarin Mondrian, compôs os belos e intensos trechos musicais que são o suporte do trabalho dos intérpretes, mas que não posso aqui reproduzir.
Esta imagem do 3º acto foi obtida já na parte final, com os artistas em pose de agradecimento, a que se seguiu uma fase de comentários e de satisfação dos pedidos de esclarecimento do público, numa interacção muito enriquecedora para a compreensão do esforço e da experiência profissional necessários para erguer esta obra que aqui tenho o privilégio de divulgar.
Notas: - Second Life é um ambiente virtual, acessível na Internet em www.secondlife.com e que conta já mais de 4 milhões de utilizadores. - Uma anterior referência a Second Life já aqui foi colocada neste blog, em - Uma vida virtual com gente real - Para quem frequenta a SL aqui deixo o endereço do Second Life Ballet Theater - Quat (45, 19, 108) - Uma última nota para o site do Ballet - www.slballet.org - e para a música de Alazarin Mondrian, o compositor de Olmannen.
Silves é procurada ao longo do ano, com regularidade, por turistas como o da fotografia, que aqui ficam por alguns dias, junto ao rio. A procura é reveladora de alguma atracção pela cidade, mas devem lamentar-se da ausência de um local onde possam aceder à água necessária para cozinhar e para a sua higiene pessoal, de fossas ou latrinas para escoar os seus detritos. Devem até, eventualmente, ferir alguns dos seus hábitos sanitários ou de protecção da natureza, quando se vêem compelidos a ter que deitar os seus restos de comida, as suas urinas e fezes para alguma zona descampada ou até mesmo para o rio.
Na ausência de qualquer iniciativa privada, no sentido da construção de um parque de caravanismo ou campismo, creio que não seria descabido, à administração da cidade, proporcionar um espaço onde estas necessidades dos caravanistas pudessem ser satisfeitas e onde mecanismos modernos de controlo automático poderiam cobrar pelo serviço prestado.
Fica a sugestão, mas convém que se lembrem de actuar antes que o novo parque de lazer, sobre o rio, fique terminado, porque então irá haver conflito com os utentes do parque ou os que queiram usar as zonas reservadas ao estacionamento automóvel.
Na sequência da permissividade consentida pelo Carnaval vinha a Quaresma, um período de 40 dias de jejum e abstinência que culminava na Páscoa. A ideia central que presidia a toda a Quaresma era a da Morte, a que se seguia a Ressurreição. A Morte é o grande tema de todas as religiões. Sem a Morte para que serviriam as religiões ou a crença em Deus?!
Que percentagem dos 90% dos portugueses que ainda se dizem católicos se lembrará de que a Quaresma começou? Que percentagem de todos os portugueses saberá o que é a Quaresma?
A Quaresma era há uns anos atrás, quando eu era criança, um tema bem presente na sociedade e nos costumes. Hoje passa ao lado da grande maioria. A Igreja vai perdendo a sua influência na sociedade e a que ainda mantém segue pela via das cerimónias e dos rituais associados aos casamentos e aos funerais. O Natal já quase não é uma festividade religiosa, mas sim uma festa consumista, e a Páscoa sai à rua com as procissões, como uma manifestação cénica; se não fosse a sequência dos feriados, a proporcionar o encontro das famílias dispersas pelas grandes urbes, o São Valentim, que não sei o que terá a ver com os namorados, ou o Dia da Mulher, que mais parece o dia do mulherio, poderiam vir a ganhar maior repercussão.
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Recordando uma antiga fotografia comentada - O ocaso da Serra de Silves? (clique) - na sequência dos grandes fogos florestais de 2003, publicada em 22 de Setembro desse ano.