quinta-feira, agosto 30, 2007

Andei perdido, sim!

Algures sobre o Tâmega, © António Baeta Oliveira


Andei perdido, sim!

E trago ainda nos olhos este inebriamento verde, reflectido, no final da manhã, sobre as tranquilas águas do Tâmega.

terça-feira, agosto 14, 2007

O que se pretende com uma Feira Medieval?

Quero, em primeiro lugar, remeter-vos para o que escrevi em Agosto do ano passado a propósito da Feira Medieval de Silves.
Como sei, no entanto, que muitos não o farão e não quero arriscar uma conversa fora de contexto, porque a Feira não começou hoje, e a minha opinião sobre a Feira também não é de agora, permito-me transcrever um pouco do que escrevi o ano passado:


  • quero lembrar que «... estas simulações de recreação histórica que se não baseiam em episódios da história local e continuam a recear a utilização do período mais brilhante da época medieval, o período muçulmano, fazem desta Feira um mero divertimento, que a médio ou longo termo prejudicará a verdadeira imagem histórica desta cidade, vulgarizando-a, pela semelhança com todas as outras feiras do mesmo teor que se realizam, cada vez mais, de Norte a Sul de Portugal, sem falar da vizinha Espanha.
    Não se queira medir o "sucesso" pelo número de visitantes, que em última análise prejudica a qualidade dos serviços prestados e a própria fruição das propostas de animação que são dirigidas a quem nos visita.

    A FEIRA pode e deve ser melhorada, visando a defesa e a divulgação da identidade local e a melhoria da oferta turística, servindo a economia, a história, a cultura e o lazer. (...)»


Tenciono pronunciar-me, a seu tempo, sobre o que disse a propósito da recreação de episódios da história local, este ano introduzidos, e ao recuo do período histórico para o séc. XI, mas do que quero falar hoje é da concepção da Feira na mente dos responsáveis locais, assunto que venho abordando desde a primeira Feira e de que a fotografia abaixo é o paradigma mais eloquente.

Feira Medieval, Agosto de 2007, © António Baeta Oliveira
Estas duas torres e seu passadiço, efémeras, pelo material em que foram construídas, com ar de cenário de cinema de tipo hollywood(esco), de filme de 2º ou 3ª série, escondem duas torres em pedra da região, restauradas muito provavelmente sobre outras preexistentes e que se avistam ao fundo, por detrás do mamarracho.

É esta concepção que está em causa na produção desta Feira dita de recreação histórica: preferir o mito ao episódio histórico, o bonitinho ao vetusto, o folclorezinho de meia tigela à verdadeira FESTA e à sua alegria, a animação bacoca à recreação que diverte e educa.
Faz-me lembrar a programação televisiva em horário nobre, e que cada vez mais se alarga ao longo do dia, ao serviço dos interesses comerciais da publicidade e enredada na necessidade de ter público, para ter receitas, e que vem influenciando a mentalidade das maiorias.
Será que a Administração Local deve proceder da mesma maneira, usando os nossos impostos?

Há uma identidade local que deve ser preservada e divulgada e é essa identidade que deve justificar tudo, sob pena desta FEIRA se tornar num mero e boçal divertimento de gente mascarada.

Mas se é isso que se pretende, já cá não está quem falou, desde que não se justifique com base na verosimilhança histórica ou na recriação e recreação históricas confinadas a períodos precisos, iludindo e prejudicando a identidade de uma cidade que já existia antes de nós e onde viveram os nossos antepassados, o que nos deve merecer todo o respeito e admiração.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Está aí a Feira Medieval!


A partir de hoje e até dia 15, Silves vive a sua Feira Medieval.
Conto trazer aqui as minhas impressões.

terça-feira, julho 31, 2007

De novo com Metheny & Mehldau

Loulé, 30 de Julho/07 - Metheny & Mehldau

Se bem que com a câmara do telemóvel, a foto documenta a entrada do quarteto, na sua primeira interpretação, nos minutos em que a organização permitiu este tipo de registo.

Em pleno Verão algarvio, Metheny e Mehldau confrontaram-se com um espectáculo de ar livre e um público que, na grande maioria, acorreu a uma oferta amplamente divulgada, mas que aparentava desconhecer os músicos e o tipo de música que se propunham apresentar; demasiada gente de pé, a circular, revelando alguma inquietação, gente que abandona o espectáculo sem sequer esperar o intervalo entre as músicas, gente que fala sem reservas, desrespeitando quem quer ouvir, gente que aplaude demasiadas vezes, particularmente após as exuberâncias estilísticas de Metheny (provavelmente o músico que atraiu o maior número de pessoas), ou os ataques de Ballard sobre a sua bateria.
Estivemos longe do concerto de Lisboa: o público satisfez-se com um curto encore e os próprios músicos limitaram-se a cumprir; Jeff Ballard não se conseguiu entusiasmar o suficiente para ensaiar o longo e excelente solo que tanto entusiasmou a Aula Magna.


sexta-feira, julho 27, 2007

O Verão convida ao lazer


Foi o ter ido em busca deste local, Odeceixe, no Algarve, se bem que na costa a Sudoeste, o motivo que me afastou por alguns dias do vosso convívio.

O Verão irá provocar destas abertas, ou porque o calor aperta e as férias convidam ao lazer, ou porque me afasto para outras paragens, mais ou menos remotas.

segunda-feira, julho 16, 2007

Uma (1) noite de Jazz


Uma noite de jazz permitiu-me usufruir, pela primeira vez, do agradável espaço situado nas traseiras da Fissul, junto ao rio, cuja conclusão nos foi prometida para finais de Maio de 2006 e que ainda hoje, apesar do recente e apressado reatar das obras, se mantém por concluir.

Gostei bastante do que nos trouxe Afonso Pais, num repertório de proximidade cultural, tanto pelas opções de compositores brasileiros, como das suas próprias composições; uma referência especial para a voz e interpretação de Joana Machado, de uma sobriedade e um desempenho, que me surpreenderam pela positiva.

Pena é que estas ofertas se apresentem isoladas, como por mero acaso, sem uma estratégia visível. O público aderiu muito bem, mas é uma iniciativa sem consequências, apesar da programada sessão didáctica, que não irá influenciar o público que aqui ontem acorreu.

Uma palavra ainda para uma situação que pode ser solucionada. Já tinha notado a ausência de uma caixa de distribuição eléctrica e, eventualmente, de distribuição de uma rede de som. É inadmissível que uma obra em vésperas de inauguração tenha que recorrer a cabos sobre o chão, vindos de outro lado, para uma electrificação que deveria existir no local e que já me tinha saltado à vista, apesar de leigo na matéria.
Mais uma "programação científica" da POLIS, locução que já ouvi usar várias vezes, por responsáveis, a propósito de reparos ou opiniões contrárias.

terça-feira, julho 10, 2007

Uma prenda de aniversário

No passado fim-de-semana parti ao encontro de Pat Metheny e Brad Mehldau (bem como de Larry Grenadier e Jeff Ballard, no contrabaixo e bateria), no que veio a ser, de encontro às minhas melhores expectativas, um inesquecível concerto, na Aula Magna, em Lisboa.

De regresso à rotina diária, vim a verificar que nesse Domingo, dia 8 de Julho, este blog cumprira quatro anos de vida.

Foi uma bela oferta de aniversário!

Saudando todos os que têm a paciência de me ler e que justificam a minha escrita, quero partilhar um pouco das minhas emoções, exactamente com o trecho que abriu este grande concerto.



P.S.
Este Worl Tour de Metheny e Mehldau, que se iniciou em Março, nos Estados Unidos, e terminará em finais de Setembro, no Japão, passará ainda por Loulé, a 30 de Julho.