segunda-feira, setembro 24, 2007

Milreu, Monumento Nacional

No passado fim-de-semana, por ocasião das Jornadas Europeias de Património, fui "aliciado" por um convite para ouvir um grupo de câmara da Orquestra do Algarve (clique) entre as Ruínas de Milreu (clique).

Ruína da ábside do Templo de Milreu, Estoi, Setembro 2007, © António Baeta Oliveira
O tempo que se fez sentir, com bastante humidade e ameaçando chuva, se bem que não tenha impedido a visita guiada, alterou o local do concerto, transferido para a Igreja de Estoi.

O concerto perdeu, para mim, grande parte do fascínio que as ruínas lhe podiam emprestar. Esse fascínio reside na nostalgia que me assalta nestes locais relacionados com vivências de um passado remoto. Já a tal me referi num post de Fevereiro de 2005, que vos convido a visitar, e onde transcrevi um belo poema de Jorge de Sena, inspirado na peça escultórica aqui encontrada e que se identifica pelo nome de cabecinha romana de Milreu (clique)

P.S.
Ainda vos convido a visitar o local onde publiquei, além da foto que ilustra este post, várias outras que bati nesta deslocação a Milreu (clique).

quarta-feira, setembro 19, 2007

Ainda o Mediterrâneo

Promontório e Ermida da Senhora da Rocha, junto a Armação de Pêra, &copy, António Baeta Oliveira

É ainda o Mediterrâneo e a sua influência que se faz sentir neste promontório feito barco, rasgando o mar, transportando no seu dorso esta ermidinha branca de cal.

As colunas da entrada da Ermida foram datadas como dos primeiros tempos do cristianismo na Península Ibérica.

P.S.
Algumas fotografias de minha autoria, que incluem o capitel de uma das colunas atrás referidas, bem como alguns pormenores do exterior da Ermida e vários olhares à sua volta, podem ser encontrados em Senhora da Rocha (clique)

terça-feira, setembro 18, 2007

Planície Mediterrânica

No passado fim-de-semana dei um salto a Castro Verde, perseguindo a XV edição do Festival Sete Sóis, Sete Luas. Fi-lo a uma sexta-feira, na impraticabilidade de o fazer no sábado ou no domingo, por motivos de ordem pessoal e familiar, e isso deve ter pesado na quebra das minhas melhores expectativas: reduzido interesse e reduzido público nas manifestações programadas para a tarde. Mas, de facto, a uma sexta-feira, quem não está de férias tem que trabalhar e não pode andar em festivais, como eu.

Quando a noite veio, as coisas animaram em volta da gastronomia, com pratos que apresentavam nomes e ingredientes de sabor mediterrânico; mas o que mais apreciei foi a animação à mesa, à boa maneira desta gente do Sul.

Vieram depois, no Cine-Teatro, as tonalidades mediterrânicas provenientes da Grécia e da Turquia pelos Café Aman, e do País Basco, Itália e Portugal, pelos Gialetta. Soube então que a gialetta é o nome italiano para o nosso gaspacho, com as naturais diferenças que se registam de região para região e se patenteiam nas diversas designações que assume.


Igreja dos Remédios, Castro Verde, Setembro 2007, © António Baeta OliveiraMas, com mais ou menos Mediterrâneo de outras paragens, a Planície Mediterrânica, que dá o nome ao Festival, esteve sempre presente, como podeis comprovar pela fotografia ao lado, da Igreja dos Remédios, em Castro Verde, bem mediterrânica, apesar dos traços culturais do Sul de Portugal, a marcar a diferença que nos caracteriza no todo identitário desse mar interior e da sua periferia.


P.S.
Pode ter acesso a mais fotos desta minha viagem, clicando em Castro Verde

quarta-feira, setembro 12, 2007

O Verão despede-se devagar

Kite-surf, Praia do Carlos, Armação de Pêra, Agosto 2007, © António Baeta Oliveira

Esta deverá ser a última foto do que chamarei o meu Verão balnear, mas não a última foto deste Verão (é claro que não sou eu o surfista; a minha relação com a foto está na sua autoria).

O Verão despede-se devagar, como quem não quer partir, mas o equinócio ditará o seu fim, inelutavelmente, na manhã de domingo, dia 23.


Por estes dias, mais exactamente a 13, outra civilização viverá uma mudança radical - a chegada do Ramadão muçulmano.

Que as mudanças dos nossos calendários sejam favoráveis à paz e harmonia entre os Homens!
Bem estimaria que esta minha referência e este meu desejo viessem de alguma forma contribuir para uma chamada à reflexão e à compreensão das diferenças. Conhecer ou tentar conhecer, é sempre um grande passo.
Saibamos dá-lo!

quinta-feira, agosto 30, 2007

Andei perdido, sim!

Algures sobre o Tâmega, © António Baeta Oliveira


Andei perdido, sim!

E trago ainda nos olhos este inebriamento verde, reflectido, no final da manhã, sobre as tranquilas águas do Tâmega.

terça-feira, agosto 14, 2007

O que se pretende com uma Feira Medieval?

Quero, em primeiro lugar, remeter-vos para o que escrevi em Agosto do ano passado a propósito da Feira Medieval de Silves.
Como sei, no entanto, que muitos não o farão e não quero arriscar uma conversa fora de contexto, porque a Feira não começou hoje, e a minha opinião sobre a Feira também não é de agora, permito-me transcrever um pouco do que escrevi o ano passado:


  • quero lembrar que «... estas simulações de recreação histórica que se não baseiam em episódios da história local e continuam a recear a utilização do período mais brilhante da época medieval, o período muçulmano, fazem desta Feira um mero divertimento, que a médio ou longo termo prejudicará a verdadeira imagem histórica desta cidade, vulgarizando-a, pela semelhança com todas as outras feiras do mesmo teor que se realizam, cada vez mais, de Norte a Sul de Portugal, sem falar da vizinha Espanha.
    Não se queira medir o "sucesso" pelo número de visitantes, que em última análise prejudica a qualidade dos serviços prestados e a própria fruição das propostas de animação que são dirigidas a quem nos visita.

    A FEIRA pode e deve ser melhorada, visando a defesa e a divulgação da identidade local e a melhoria da oferta turística, servindo a economia, a história, a cultura e o lazer. (...)»


Tenciono pronunciar-me, a seu tempo, sobre o que disse a propósito da recreação de episódios da história local, este ano introduzidos, e ao recuo do período histórico para o séc. XI, mas do que quero falar hoje é da concepção da Feira na mente dos responsáveis locais, assunto que venho abordando desde a primeira Feira e de que a fotografia abaixo é o paradigma mais eloquente.

Feira Medieval, Agosto de 2007, © António Baeta Oliveira
Estas duas torres e seu passadiço, efémeras, pelo material em que foram construídas, com ar de cenário de cinema de tipo hollywood(esco), de filme de 2º ou 3ª série, escondem duas torres em pedra da região, restauradas muito provavelmente sobre outras preexistentes e que se avistam ao fundo, por detrás do mamarracho.

É esta concepção que está em causa na produção desta Feira dita de recreação histórica: preferir o mito ao episódio histórico, o bonitinho ao vetusto, o folclorezinho de meia tigela à verdadeira FESTA e à sua alegria, a animação bacoca à recreação que diverte e educa.
Faz-me lembrar a programação televisiva em horário nobre, e que cada vez mais se alarga ao longo do dia, ao serviço dos interesses comerciais da publicidade e enredada na necessidade de ter público, para ter receitas, e que vem influenciando a mentalidade das maiorias.
Será que a Administração Local deve proceder da mesma maneira, usando os nossos impostos?

Há uma identidade local que deve ser preservada e divulgada e é essa identidade que deve justificar tudo, sob pena desta FEIRA se tornar num mero e boçal divertimento de gente mascarada.

Mas se é isso que se pretende, já cá não está quem falou, desde que não se justifique com base na verosimilhança histórica ou na recriação e recreação históricas confinadas a períodos precisos, iludindo e prejudicando a identidade de uma cidade que já existia antes de nós e onde viveram os nossos antepassados, o que nos deve merecer todo o respeito e admiração.