quinta-feira, janeiro 31, 2008

O amor é um claro mês

A apresentação deste novo trabalho de Fernando Cabrita, publicado pela recente editora algarvia Gente Singular, e a circunstância de me ter deslocado a Faro nessa data, fez-me decidir pela ida a Olhão, comparecendo à sessão, que contou com animação musical, nomeadamente com a presença de Viviane, intérprete de alguns trabalhos do poeta.
Permito-me publicitar que Viviane estará em Faro, no Teatro das Figuras, no próximo dia 9, com um concerto acústico - Confidências da Minha Rua.

Deste trabalho de Fernando Cabrita, dedicado ao AMOR, trago-vos:


  • SONHAS?

    Sonhas comigo?

    Eu sonho contigo, amiúde. Vejo-te nessa diluída e vaga luz dos sonhos. Junto a mim estás, diáfana, movendo-te como um navio que longinquamente voga o horizonte. Perto e longe, sobre praias, em nosso peito vogando, em nossa voz.

    Acordo porém - e não estás.

    Mas fecho os olhos e regressas, luz e barco, com tuas velas altas, com tuas altas janelas em que a luz preguiça, com teus olhos, esses castiçais de sol que iluminam toda a escuridade.

    Amo-te. Amo-te tanto, que não sei dizê-lo. Amo-te mesmo quando não és, ou és apenas a clara neve de um claro sonho, essa difusa luz que antecede a manhã.

    Amar-te-ei sempre, haja o que houver. Que no sonho perdures, e eu assim te amarei também.

Fernando Cabrita
O amor é um claro mês
Gente Singular, Olhão 2008

segunda-feira, janeiro 28, 2008

FLORIPES (II)

(...)

Pois, Miguel Gonçalves Mendes, realizador natural de Olhão, pegou na memória oral de FLORIPES, acrescentou-lhe alguns outros mitos locais e traduziu-os para a linguagem do cinema.

Não lhe bastou a narração dos episódios. Quis dar-lhes vida, misturando, ora aqui, ora acolá, testemunhos da actualidade, de gente real de Olhão que tem opinião para dar. Gente com rostos que conheço de miúdo, que não precisamente de Olhão, mas de outros lugares da minha meninice, de Armação ou Alcantarilha. Gente de pele crestada pela exposição ao Sol, à maresia, às intempéries de uma vida dura de trabalho... ao tempo. Gente que fala de FLORIPES como coisa real, mesmo quando se obstina em negar o fenómeno. Gente que, por vezes, receia falar - «Não vá o diabo tecê-las!». Gente que recusa a existência de fantasmas, mas que acaba sempre por ter, como seu, um episódio de estranhos contornos para contar.

Este filme tocou-me bem fundo, como registo de uma cultura e de uma época de que já quase só restam vestígios.
O meu obrigado a todos os que, ao participar neste registo, contribuíram de alguma forma para a preservação da memória de tal tempo.

Deixo-vos agora com as imagens do trailer oficial.



quinta-feira, janeiro 24, 2008

FLORIPES

Zona tradicional de Olhão, Janeiro 2008, © António Baeta Oliveira
Estes muros de paredes brancas de cal e estas texturas que reproduzem os tons ocres da terra, são obras do saber milenar que casa os artefactos e as construções com a natureza e as condições do lugar, em harmonia perfeita com o ambiente. São marcas de um tempo que vai deixando de existir.

Também perdeu o seu lugar aquela cultura, popular, que remetia para o mito (na forma de um poema, de uma canção, de um conto, de uma lengalenga...) a procura de uma interpretação para os fenómenos da natureza e da vida, permitindo olhar o dia-a-dia sem grandes preocupações sobre o que "há-de vir". As explicações sobre a vida, o amor, a morte, o transcendente, eram contadas pelas avós e pelos mais velhos, nessa forma de mito que as gerações sucessivas iam reconstruindo, adaptando-as à maneira do seu tempo.

Assim é FLORIPES, essa moura encantada que de noite surpreende os homens, esse mito de Olhão, de cal e ocre, de mar, de mistério, de amor e infortúnio, tão mediterrânico, mudando de nome conforme o povo que o transmite ou o recebe, que mereceu exportação para paragens do Novo Mundo, nomeadamente na América do Sul, levado na mente de todos estes povos que habitam as margens desse mar interior.
Quem não se lembra das sereias de Ulisses e da telenovela brasileira da Mulher de Branco, que surgia envolta no nevoeiro da noite para arrastar os homens para o olvido!?

(Continua, brevemente, no próximo post)

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Quando um amigo se vai

Algures na velha Faro, Dezembro 2007, ©António Baeta Oliveira
Quando um amigo se vai, algo de nós parte com ele.


              Não entendo exactamente o que dizem as palavras, mas o que me levou à escolha deste tema dos Radiohead foi a música no seu pungente lamento.



quinta-feira, janeiro 17, 2008

No paraíso da construção civil

Velha casa, algures em Olhão, Dezembro 2007, © António Baeta Oliveira
Cadeira branca, torneada, exposta à varanda.
Dá-se ares de habitada, a velha casa.

Quem passa, raramente dá por ela.
Que sabem eles de restauro no paraíso da construção civil!?

segunda-feira, janeiro 14, 2008

A repassar memórias

Algures em Olhão, Dezembro 2007, © António Baeta Oliveira
À varanda da velha casa, que poderia ter sido a dos seus avós, a repassar as memórias da sua memória.
Creio vislumbrar um sorriso na sua expressão. Um certo assomo de felicidade ou de ironia, quem sabe, perante quem, disfarçadamente, tenta prender este seu momento como um momento seu.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

O meu avatar de SL é autor e editor

Ibrahim Bates, o meu avatar na Second Life (SL), acaba de produzir um livro em 3D, que se pode desfolhar, dando início a uma colecção que intitulou de Contos Fantásticos.
O primeiro conto não é inédito. Trata-se precisamente do primeiro conto que aqui foi publicado neste blog - Um conto a fazer de conta.
Outros contos virão a preencher a colecção; uns inéditos e outros de entre aqueles que aqui figuram nesta página.

Capa do 1º livro da colecção CONTOS FANTÁSTICOS, de Ibrahim Bates
Este post marca o arranque da divulgação desta iniciativa na vida real (RL) e na SL. Aí, prepara Ibrahim o lançamento do primeiro livro e realiza contactos de divulgação e distribuição para venda em livrarias, lojas e outros locais vocacionados para o efeito.
Uma versão em língua inglesa está em fase de ultimação e circulará em breve nesse mundo da Second Life, onde os residentes, mercê do reconhecimento dos seus direitos face aos produtos que ali desenvolvem, são efectivamente os reais criadores daquele paradigma virtual.