Não sou religioso, portanto nem sequer sou católico, mas o cristianismo está culturalmente entranhado na minha formação e na minha maneira de ser e proceder.
E digo isto porquê?
Porque esta foto me transmite uma enternecedora sensação de paz e tranquilidade, que certamente tem a ver com a projecção das sombras, com o branco da cal nas paredes, com o azul do céu, com a componente tão mediterrânica da arquitectura do templo, a mexer com as minhas raízes, mas também com a simbologia religiosa: o cruzeiro a lembrar o sacrifício em função dos outros, o sino a chamar à reunião toda a comunidade.
Junto ainda a corda, que do sino corre ao longo da parede, nesta singeleza tecnológica que parece refutar este tempo de consumismos vários, que fazem esquecer o Natal da fraternidade.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
A uma semana do Natal
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Boas Festas
Peguei na foto acima e juntei-lhe um poema de Luiza Neto Jorge, do seu período de permanência nesta minha terra, de que resultou a publicação que mereceu o título Silves 83, e que já aqui havia colocado faz algum tempo.
Com estes elementos construí uma página em html e enviei a alguns amigos como se fosse um cartão de Boas Festas.
Os que quiserem conhecer esse cartão, recebam com ele os meus votos de fraternidade neste Natal de 2008. (clique).
terça-feira, dezembro 09, 2008
No silêncio das abóbadas
É nestes lugares de sombra, abobadados, que ressoam os ecos de um tempo que já foi.
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Sol de Inverno
Quando o Inverno se começa a instalar, o Sol assume atitudes estranhas e furtivas, evitando as casas.
Vem baixo, sorrateiramente junto às paredes, fazendo a aproximação junto às cantarias das portas, fixando-se nas gelosias para mirar a intimidade, mas evitando a todo o custo as maçanetas, não vá tocar à porta inadvertidamente, ser surpreendido e convidado a entrar.
sexta-feira, novembro 28, 2008
ESTA CASA
- ESTA CASA
Gosto dela assim: ainda vibrante dos passos
que a deixaram a sós comigo
desobrigada
de abrigar seus moradores
Comigo é
diferente:
não me limito a usá-la
a habitá-la:
namoro com ela
Comigo
abandona-se a seus mais íntimos rumores
e cheiros
e aliviada do dever de ser útil
em silêncio
canta
Teresa Rita Lopes
ALGARVE todo o mar
(Colectânea)
D. Quixote, Lisboa 2005
terça-feira, novembro 25, 2008
Mediterrânic Ensemble


Já os tinha ouvido, quando o APARTE/Racal Clube ainda existia, e voltei a ouvi-los de novo agora, na Biblioteca Muncipal, se bem que sem a sua formação completa, mas com os dois principais criativos: o Zé Carlos Severino, no bandolim, e o Mário Bacelar, no violão.
Recreio-me nos acordes que me evocam o Sol e o Mar e abandono-me na corrida do bandolim, instalando-me nos sons mais graves e confortáveis do violão. Gosto de viajar com riscos, mas sem perigo. É da minha natureza: meio louca, mas controlada. Coisas de criação!
Ouçam então esta faixa que escolhi e deixem-se embalar, como eu, quando a música desperta estas minhas raizes de homem do Sul.
domingo, novembro 23, 2008
Pelo aniversário de Herberto
Boca.
Brûlure, blessure. Onde
desembocam, como se diz em nome, os canais muitos.
Pura consumpção em voz alta, ou num murmúrio,
entre sangue venoso, ou
traça de lume. Gangrena,
música,
uma bolha.
Arte medonha da paixão.
Um poro monstruoso que respira o mundo.
Nele se coroam
o escuro, o fôlego, o ar ardido.
O ouro, o ouro.
Tubo sonoro por onde se coa o corpo.
Se escoa todo.
Herberto Helder
Flash
Ou o Poema Contínuo
Assírio & Alvim, Lisboa 2004





