quarta-feira, maio 06, 2009

O Arrabalde Oriental

Quando se iniciaram os trabalhos de construção do novo edifício da Biblioteca Municipal de Silves foram postas a descoberto algumas ruínas que vieram a justificar, pela sua importância, a alteração do projecto de arquitectura de forma a poder vir a enquadrar, na cave do edifício, um dos mais importantes achados arqueológicos do período muçulmano da nossa cidade - A Muralha do Arrabalde Oriental.

Esta conversa vem a propósito da recente publicação de uma brochura, que serve de roteiro da exposição, mas que efectua uma síntese muito necessária para a divulgação junto do grande público dos mais recentes avanços no conhecimento do que foi a Silves islâmica.

Cerâmica estampilhadaFoto de António Baeta

Pode agora chegar junto de quem visita a biblioteca e o núcleo museológico uma informação histórica completamente desconhecida há cerca de 30 anos atrás, quando em Silves se iniciaram as primeiras escavações que visaram o período islâmico da nossa cidade, até aqui do conhecimento de alguns iniciados e curiosos, mas agora disponível aos cidadãos em geral.
Esta síntese deve-se à arqueóloga Maria José Gonçalves e à equipa que coordena, na Câmara Municipal de Silves.

segunda-feira, maio 04, 2009

Lídia Jorge entre nós

Lídia Jorge na Biblioteca. Foto com telemóvel. © António Baeta OliveiraLídia Jorge foi a convidada da Biblioteca Municipal de Silves para falar dos livros da sua vida - uma rubrica que integra a animação regular da biblioteca.
Paulo Pires, o animador, abriu a sessão com o seu acordeão e leu alguns textos com a assinatura da autora. A sala estava com os seus lugares bem preenchidos, tendo em conta acontecimentos desta natureza, que não suscitam grande afluência num país onde pouco se lê.
Quem sabe se estas redes de bibliotecas públicas e escolares não abrirão novas perspectivas nos hábitos de leitura dos portugueses?! A insistência na oferta há-de produzir resultados, confio eu.

Lídia Jorge, com a serenidade que a caracteriza, num rit(m)o muito vivo e muito seu, revelador da intensidade com que vive as suas ideias, os seus projectos e a sua visão do mundo e dos Homens, falou-nos, com alguma preocupação didáctica, do seu percurso pela literatura.
Usou "Por quem os sinos dobram", de Hemingway, para nos dizer do seu sentimento perante a leitura e referenciar o iniciar da sua escrita, tentando descobrir as formas, os processos, os jogos emotivos que conduzem a uma história.
Falou depois dos romances onde a história deixa de ser o motivo principal, para se debruçar antes sobre o pulsar das emoções, das circunstâncias, das motivações psicológicas que conduzem e precipitam os acontecimentos da narrativa.
Lídia Jorge foi um livro aberto durante o diálogo que se entabulou, satisfezendo diversas curiosidades dos seus leitores.

Creio não fugir à verdade ao declarar que todos lhe ficámos muito gratos.

segunda-feira, abril 27, 2009

Memória da Violência

O Museu de Portimão lançou o primeiro volume da colecção Memória Futura que, conforme referiu o seu Director, José Gameiro, visa a «...edição prioritária de trabalhos e estudos originais relacionados tematicamente com Portimão e o Algarve. ...».
O lançamento ocorreu no auditório do referido Museu, por ocasião das comemorações do 25 de Abril.

Maria João Raminhos, doutorada em História Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, procedeu à apresentação deste seu livro - Presos Políticos Algarvios em Angra do Heroísmo e no Tarrafal (Edições Colibri) - de «... forma a proporcionar aos portugueses um maior conhecimento e identificação com o seu espaço histórico, dando-lhes a conhecer um especial contributo, a História dos presos políticos algarvios, isto é, o trágico destino dos que, de algum modo, mais se opuseram e resistiram ao regime ditatorial, ao "Estado Novo", nessa região

Um dos dois biografados foi meu amigo pessoal, pai de uma amigo com quem mantenho uma relação de muita proximidade, e que é, nessa altura com pouco mais de 20 anos, o que se situa no canto direito da fotografia abaixo, na prisão da Trafaria, onde aguardava o julgamento que o privaria da Liberdade por cerca de 13 anos - António Estrela.

São 30 os prisioneiros em Angra do Heroísmo e Tarrafal, dos quais 17 são de Silves. É do martírio de todos eles e em especial dos dois biografados, ambos do concelho de Silves, de que se ocupa este livro.
Como refere a autora, «... Nas vidas destes homens cruzaram-se as ideologias políticas e destinos particularmente atribulados. Nas suas personalidades e nas suas vidas, jogou-se, para além das suas opções políticas, [a sorte e o azar, o acaso e a necessidade, o plano e o improviso, o acto reflectido e o impulso instintivo, a ditadura dos factos e o triunfo da acção, o determinismo da matéria e a liberdade da escolha] (citando Maria de Fátima Bonifácio, em Apologia da História Política, Estudos sobre o Século XIX, Quetzal Editores, Lisboa 1999, p. 114)»

quinta-feira, abril 23, 2009

Os erros do Algarve em Marrocos

Foto de António Baeta

De Al-Hoceima diria que é o deslumbramento da beleza natural da sua enorme baía e o descontentamento de uma arquitectura e de uma urbanização de "faz-de-conta que somos ricos e desenvolvidos". Já vimos disso no Algarve.
É uma cidade com mais 70 mil habitantes, incaracterística, com ar de cidade espanhola camuflada do pior kitsch orientalista.

Foi o nosso ponto de apoio, por causa dos hotéis e restaurantes, e aqui passei alguns dias de agradável convívio com amigos de há alguns anos e outros que vim agora a conhecer e com os quais foi fácil partilhar ideias e afectos, dada a sintonia de interesses que nos fez congregar ali.

Das amizades e convívios possuo fotos que me reservo de divulgar, como matéria que é de foro pessoal, mas de al-Hoceima e periferia podereis visitá-las na Webshots (basta um clique).

quarta-feira, abril 22, 2009

Sentimento de pertença

Foto de António Baeta

O Centro Social e Cultural de Imzúren foi pequeno para acolher a autêntica multidão, de gente de todas as idades, que queria assistir à homenagem pública a um dos seus conterrâneos - Ahmed Tahiri - na forma de um Encontro Internacional sobre o Rif na História e na Civilização.

Fiquei verdadeiramente surpreendido com o afluxo de tanta gente a um acontecimento cultural e senti-me comovido ao deparar com a espontaneidade e a sincera alegria que eclodia dos rostos de muitos dos adolescentes presentes, orgulhosos de um dos seus, ao escutar do que dele diziam os conferencistas que ali se deslocaram, provenientes de vários países e continentes.

Ali o ídolo não era do mundo da música, da moda, do cinema ou da televisão, não era um ricaço ou um político, mas um intelectual dedicado e um amante da sua terra e da sua gente.

Esta atitude foi manifesta, não só na sessão inaugural, mas também durante as longas sessões, de conferencistas que lhes traziam novidades interpretativas sobre os factos da sua História, da sua Geografia, da sua Antropologia... da civilização que os torna tão peculiares.

Ocorreu-me frequentemente comparar esta avidez e curiosidade intelectual com a dos nossos jovens, tão alheios ao mundo dos adultos.

Aqui houve sentido comunitário. Aqui a comunidade funcionou, para além da política e dos políticos, da religião, da moral e dos costumes, da polícia e da arbitrariedade repressiva.

terça-feira, abril 21, 2009

De al-Hoceima a Tetuan

Foto de António Baeta

Quando me refiro às 9 horas de autocarro para atravessar as altas e longas cadeias de montanhas do Rif, de al-Hoceima a Tetuan, em Marrocos, recebo exclamações de desconforto e de incomodidade.

Felizmente assim foi, penso eu, pois se a nova estrada junto à costa, já construída, estivesse aberta ao público, eu nunca teria conhecido esta maravilha da Natureza, esta diversidade de paisagem em cada vale e cada encosta, este mundo que nos surpreende a cada curva da estrada e que na sua maior extensão me tinha ficado oculto na viagem de ida, devido à chuva, ao nevoeiro e, por fim, ao anoitecer.

Quero partilhar convosco o que pude guardar na minha câmara fotográfica e deixei disponível na Webshots (basta um clique).

terça-feira, abril 14, 2009

Estreitando laços, na outra margem do Mediterrâneo

A imagem reproduz o emblema da Cidade de Imzúren, no Rif (cadeia de montanhas sobre o Mediterrâneo), em Marrocos.
Pois é para lá que me desloco, a partir de amanhã, num "fim-de-semana" prolongado, para participar num Encontro Internacional - O RIF na História e na Civilização - em homenagem ao Dr. Ahmed Tahiri, estimado amigo, repetidamente mencionado nestes últimos posts.
Entre os conferencistas identifiquei os provenientes de Portugal, Espanha, França, Egipto e Síria, além dos marroquinos, residentes em Marrocos e no estrangeiro.

No regresso conto trazer fotos e impressões.

Até breve!