Dois registos deste último fim-de-semana, em Odeceixe:
a imagem do sítio na hora da chegada e a doce tranquilidade da voz e interpretação de Madeleine Peyroux.
'Tá-se!
terça-feira, julho 21, 2009
'Tá-se bem!
quinta-feira, julho 16, 2009
A força das utopias
Sei que é Verão, que está calor, que os temas de reflexão se tornam fastidiosos, mas a mente não pára na sua tentativa de entendimento do que usamos chamar realidade mesmo quando de tal não nos damos conta.
Quero falar-vos de Rui Bebiano que, mesmo que ele não o saiba, tem sido um instrumento de confirmação de algumas das minhas reflexões críticas sobre a sociedade, quando não mesmo de guia de alguns caminhos que eu desconhecia ou a que teria, eventualmente, passado ao lado sem reconhecimento do percurso.
Acompanho-o desde os tempos da revista electrónica NON, de apontamentos em revistas e jornais e dos seus blogues individuais ou partilhados, há cerca de uma década.
Rui Bebiano, por ele próprio, é (...) historiador, professor de história contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Estudos Sociais. (...). Trabalha actualmente em temas de história cultural e política desde os anos cinquenta à actualidade, em particular no campo das construções utópicas, das práticas de exclusão e das representações contemporâneas do passado. (...)
Acompanhei no seu blogue - A Terceira Noite - os materiais que aí divulgou e que agora constituem esta sua última publicação:
... que aconselho a todos os que no geral se interessam pelos temas da História Contemporânea e, em particular, aos que alguma vez simpatizaram ou ainda nutrem essa simpatia pelas correntes ideológicas que conduziram à Revolução de Outubro de 1917 ou à crítica da sua evolução e do seu fracasso.
Deixo-vos ainda com uma entrevista ao autor de "Outubro", para um melhor esclarecimento sobre esta sua publicação - Entrevista a Rui Bebiano (basta clicar).
terça-feira, julho 14, 2009
Os animais da cabeça
Já por várias vezes nos cruzámos, em locais onde um apelo semelhante nos juntou ou por via de amigos que nos são comuns. A poesia de Rui Dias Simão é feita dos desmaiados contornos dos sonhos, onde tudo se cruza no desalinho das nossas inquietações, onde é preciso recordar para questionar, rememorar para entender, contar para exorcizar.
Na irreversível clarabóia dos teus passos
uma passagem de rugas
uma leve língua de fogo desmaiada
pelo diuturno vento do mar de fora...
Levanta-te, levanta-te mais e penetra o céu
não vaciles para as alforrecas sombreadas
pelo curtume da melania das noites
A água a espuma imensa da água
tudo tinge
tinge o corpo e a alma
a alma ainda moribunda da vida embaciada
Não pernoites a imedicável paranóia
do remoinho da rotina suja
sossega a viagem
é quase meio-dia dentro de ti
A lua: a lua logo se vê
Rui Dias Simão
Os animais da cabeça
4 Águas Editora, Tavira 2008
quarta-feira, julho 08, 2009
Sexto aniversário
Este blog acaba de cumprir seis anos.
Aos que continuam a honrar-me com a sua visita, ofereço um poema de um autor silvense, Ibn Al-Milh, (que ainda não constava na minha pequena antologia ao fundo da página) falecido em 1107, e que nunca trocou esta cidade pela corte de Al-Mu'tamid, em Sevilha.
O JARDIM brinca com a brisa
Que, dir-se-ia, ser sua emissária
No chamamento à festa da alvorada.
Está ébrio, preso de seus ternos ramos,
E quando os doces pássaros o cantam
Ele vai repetindo essa canção.
Não faltam flores, estratégicos espias
Com seus olhos vigiando namorados.
E se destacam na folhagem verde
Como luz brilhando sobre as trevas.
Adalberto Alves
O meu coração é árabe
Assírio & Alvim, Lisboa 1987
P.S.
A imagem que antecede o poema é um efeito caligráfico de qalbiy 'arabiyy - O meu coração é árabe - conforme figura na capa do livro citado acima. A frase provém, segundo Adalberto Alves, de uma canção árabe ainda cantada pelo povo no tempo de Gil Vicente e que este utilizou, nomeadamente, numa fala da Ama, na Comédia de Rubena.
segunda-feira, julho 06, 2009
Cadernos de Areia
Quase como num diário de viagem pela Tunísia que tanto ama, Luís Maçarico publicou...
Lembrei-me deste meu amigo e dos seus poemas em dia de intenso calor, aqui, nesta cidade do barrocal algarvio.
De tão cru, o sol apaga lembranças
E germina esquecimentos.
O meu destino, são os incontornáveis
Grãos que semeiam o Nada.
Este horizonte infinito de ilusões
O céu de areia de certas tardes.
Estou longe, dizem-me alguns
Sinais. Mas é tão perto, a minha
Casa: Poema futuro, luminosa
Oliveira, manhã desejada!
Tozeur, 11.11.1996
Luís Maçarico
Cadernos de Areia
Edição de Autor, 2ª edição, 2009
quinta-feira, julho 02, 2009
Cinco anos de ausência
Imagem de Sophia, a crayon, por Carlos Botelho,
conforme Wikipédia
Quero iniciar este mês com Sophia. Quero recordá-la como a conheci; como quando, muito provavelmente, da primeira vez que a li.
- UM DIA
Um dia, mortos, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.
Sophia de Mello Breyner
Grades
Publicações Dom Quixote, Lisboa 1970
sábado, junho 27, 2009
Criatividade na Educação (II)
Aqui deixo, para os que se interessaram, a segunda parte da palestra de Ken Robinson.
Votos de bom fim-de-semana!

