segunda-feira, agosto 10, 2009

Silves de regresso à recreação medieval


Cortejo medieval, Feira Medieval de Silves, edição de 2009Foto de António Baeta

Insisto no uso da palavra recreação, em vez de recriação, porque é de facto de recreio que se trata. Recreio e comércio; que o digam os comerciantes de Silves, que passaram a aceder ao afluxo turístico que a Feira Medieval suscita, numa região onde a procura sobrevaloriza o litoral.
Silves dá assim uso à sua característica fundamental, a da sua afirmação histórica.

Congratulo-me também com a vontade de usar da experiência acumulada no intuito de melhorar certos aspectos que a edição deste ano vem revelar com maior destaque, como são o da divulgação mais insistente de episódios ou figuras locais, em amplos cartazes, o saber dosear a implantação de tendas, apresentando um ar mais solto e arrumado, a facultar maior espaço para circulação e observação do pormenor, libertando mais os largos de alguma carga mais intensa, como é o caso da Praça do Município, e envolvendo a cidade com animações várias, que poderiam até ser um pouco mais insistentes junto da zona comercial da cidade, libertando o centro histórico de algum peso excessivo, repartindo os visitantes por zonas diferenciadas.

quinta-feira, agosto 06, 2009

Cuidado! É tempo de eleições


Cartaz do PSDPois é!

Olhe Dra. Manuela, aqui em Silves a sua candidata Isabel Soares não prometeu o paraíso, mas durante a apresentação do PEDS (Plano Estratégico de Desenvolvimento de Silves) prometeu fazer de Silves o melhor concelho da Europa, provavelmente estimulada por ter conseguido um plano estratégico ao fim de doze anos de mandato.

A Europa que se cuide, seja lá ela quem for!

terça-feira, agosto 04, 2009

Uma pequena preciosidade


Foi com alegria que deparei com este pequeno livro, que há muito não via, que apresenta a curiosidade de nos revelar a poesia de Paul Éluard numa antologia organizada e prefaciada por António Ramos Rosa, que também a traduziu num trabalho comum com Luiza Neto Jorge.
Um notável das letras francesas que nos chega pelas mãos de dois de entre os maiores poetas algarvios.


Seleccionei:

  • Onde é que eu ia?

    Faz-se tarde o céu abandona o quarto
    Esta noite vou vender as minhas cabras
    Caminho atrás de um rebanho
    De claridades delicadas
    As árvores que me guiam
    Fecham-se
    Ficam ainda mais seguras
    Hoje vou construir uma noite excepcional
    A minha noite
    Informe como o sol
    Toda em colinas redondas sob mãos camponesas
    Toda em perfeição em esquecimento de mim próprio

    A dançarina imóvel e o peso das suas pernas
    Se eu agora a fosse beijar
    Suas frívolas cúmplices giram em torno dela
    Ondulam alto nas linhas de candelabro
    Marcarei de negro o soalho e o tecto
    De negro e de repouso de ausência de felicidade
    Entre palma e pupila a multidão do prazer
    Até no sono se mantém inteira

    Esta noite acenderei uma fogueira na neve

Paul Éluard
Cours Naturel (1938)
Algumas das Palavras
Publicações Dom Quixote, Lisboa 1969

quinta-feira, julho 30, 2009

Ainda aqui este lugar


Capa de ainda aqui este lugar


  • só acredito nestes amanheceres
    prateados em que me diluis
    com tua boca
    e uma voz escorre morna ao acordar
    são ficções de pólen
    que se soltam
    por entre as pedras frias
    dos chãos dos dias

Pedro Afonso
ainda aqui este lugar
4 Águas Editora, Tavira 2008

terça-feira, julho 28, 2009

Falemos


CAPA de Doze poemas de saudade

  • FALEMOS

    Falemos então de todas essas coisas a que nunca soubemos dar
    um nome.
    Coisas como café e cerejas,
    coisas como memórias do verão de ontem
    e de tudo o que repousa já no ónix frio dos dias.
    Falemos não porque as vejamos,
    mas porque as sentimos à vaga luz dos crepúsculos que morrem
    e são para nós as florestas que passam velozes nos vidros do
    carro
    e os silêncios dos faunos que atravessam os bosques e as
    ilusões
    e as pequenas ondas que vêm desmaiar à praia
    e as vozes antigas que ainda nos falam na alma coisas
    despercebidas
    e as luas que havia no final do verão.
    Falemos, para que de novo sejam
    e de novo vivam.

    Falemos, para que estejamos vivos.

Fernando Cabrita
Doze Poemas de Saudade
4 Águas Editora, Tavira 2008

quinta-feira, julho 23, 2009

Rumores poéticos do al-Andalus


Cacela, entre a Fortaleza e a Igreja, © António Baeta Oliveira

Foto de António Baeta

Será precisamente neste lugar, entre a Fortaleza e a Igreja, que estarei no próximo dia 26, a partir das 19 horas, a convite do Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela, da Câmara de Vila Real de Santo António, para uma sessão de um ciclo de "conversas ao cair da tarde, aos domingos, com o areal da península a enquadrar os azuis da paisagem da Ria Formosa", como refere o email de divulgação.
Também aqui (clique) poderá aceder ao cartaz que publicita o evento.

Rumores poéticos do al-Andalus, foi o título que sugeri à organização e é sobre esses rumores que me debruçarei nesta localidade onde nasceu Ibn Darraj, o poeta que aqui foi homenageado em Abril passado.

terça-feira, julho 21, 2009

'Tá-se bem!


Odeceixe, Aljezur, Portugal

Dois registos deste último fim-de-semana, em Odeceixe:
            a imagem do sítio na hora da chegada e a doce tranquilidade da voz e interpretação de Madeleine Peyroux.

'Tá-se!