quinta-feira, outubro 08, 2009

Os nossos dias




Miguel Godinho, jovem poeta, é o autor do 5º volume da colecção de poesia da 4Águas Editora.

É dele este poema que vos trago:


  • Dêem-nos circos e paradas que nós
    inventamos um novo mundo e sentimo-lo
    da maneira que quereis

    este é o fim das consciências
    aguardamos novas ordens
    já só funcionamos com instruções sapientes

    dêem-nos as coordenadas
    indiquem-nos um caminho
    providenciem roteiros organizados e objectivos

    as estradas enlameadas não serão obstáculos
    seremos felizes no fim do horizonte
    bem para lá de nós próprios

Miguel Godinho
Os nossos dias
4Águas Editora, Tavira 2009

terça-feira, outubro 06, 2009

Olvido



Beco na Travessa da Cató, Silves, Verão 2009
Becos escuros e portas cerradas vedam o acesso às memórias já de si toldadas pelas teias do esquecimento e pelas reconstruções que o tempo tece sobre ténues lembranças de uma furtiva alegria ou de uma tristeza que fazemos ainda mais sombria.

quinta-feira, outubro 01, 2009

UIVO


Capa de
Foi com o seu UIVO, plangente, que Allen Ginsberg se projectou como um dos mais famosos poetas da geração beat, e se afirmou entre os destacados homens de letras ligados ao grupo da Livraria City Lights, em São Francisco da Califórnia.

Demasiado longo para se prestar a uma divulgação por este meio escolhi, do caderno cuja capa aqui se reproduz, um outro poema de sua autoria. Contudo, no link que inseri na palava "UIVO", acima, é possível aceder na íntegra àquele poema, se bem que numa tradução diversa da que possuo.
Espero que o uivo de Ginsberg nos incomode através deste poema feito denúncia e que possa contar connosco para que a estatística prossiga:

  • Litania dos Lucros de Guerra

    Estes são os nomes das companhias que ganharam
                dinheiro com esta guerra
    no Annodomini de mil novecentos e sessenta e oito
                no ano hebraico de quatro mil e oitenta
    Estas são as sociedades anónimas que lucraram
                com a venda de fósforo para arder na
                pele ou granadas fragmentadas em milha-
                res de agulhas para perfurarem a carne
    e aqui relacionados estão os milhões ganhos por
                cada grupo na sua actividade industrial
    e aqui estão os ganhos numerados, num índice que
                alastrou por uma década, arrumados por
                ordem
    aqui nomeados estão os Pais tutelares dessas indús-
                trias, que pelo telefone dirigem as suas
                finanças
    os nomes dos administradores, fazedores de desti-
                nos, e os nomes dos accionistas destes
                predestinados Conglomerados,
    e aqui estão os nomes dos seus embaixadores no
                Capital, dos seus representantes no se-
                nado, daqueles que se reúnem nos bares
                dos hotéis para beber e convencer,
    e, numa lista separada, os nomes daqueles que
                lançam anfetaminas com a intriga militar,
                e convencem
    sugerindo a política a seguir, escolhendo a lingua-
                gem, propondo a estratégia, tudo isto feito
                mediante emolumentos como embaixado-
                res junto do Pentágono, como consultores
                dos militares, pagos pela sua indústria:
    e estes são os nomes dos militares, generais e ca-
                pitães, que trabalham actualmente para
                os fabricantes de material de guerra;
    e por cima destes, por ordem, os nomes dos bancos,
                grupos e fundos de investimentos que con-
                trolam estas indústrias;
    e estes são os nomes dos jornais que pertencem a
                estes bancos
    e estes são os nomes das estações de rádio que
                pertencem a estes grupos;
    e estes são os números dos milhares de cidadãos
                empregados por estas companhias;
    e o começo desta contagem teve lugar em 1958
                e o seu fim em 1968, devendo esta esta-
                tística ser prosseguida de juizo perfeito,
                coerente & definitivo;
    e a primeira versão desta litania, principiada no
                primeiro dia de Dezembro de 1967, inte-
                gra-se no poema que estou dedicando a,
                estes Estados.
(Do volume The Fall of America - poems of these states)


Allen Ginsberg
UIVO
Publicações Dom Quixote, Lisboa 1973

terça-feira, setembro 29, 2009

É d'ouro...


Do Furadouro para a outra margem, Verão 2009... este rio ao anoitecer, na margem esquerda, e é Douro nas duas margens, noite e dia.
É d'ouro o sol armazenado em gradas uvas nas encostas soalheiras, Douro acima.
É d'ouro o Douro que me envolve nesta melancolia.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Claro que não resisti...



Casa, a nível inferior ao chão - Cerveira
...mas interrogo-me sobre esta pulsão que nos impele a mergulhar na intimidade dos outros e que se exacerba perante os rituais de sobrevivência, como este, de dispor a mesa para o almoço.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Passeio de férias - Viana



Viana do Castelo
Viana do Castelo foi das cidades que mais mudou, de entre estas localidades do Minho que agora voltei a visitar passada uma década.
Modernizou-se, sabendo manter as suas características mais peculiares.
Abriu-se ao rio...

Viana do Castelo, Clube Náutico

            ...e junto à sua margem ergueu novos equipamentos sociais e culturais, como a Bilioteca...

Viana do Castelo, Biblioteca Pública

                                                            Viana do Castelo, Biblioteca

                  ...e aprazíveis zonas de lazer...

Viana do Castelo, junto ao rio

...e fruição estética.

Viana do Castelo, peça escultórica

O centro também foi alvo de renovação urbana e os comerciantes parece terem correspondido com lojas de boa aparência, restaurantes, cafés e pastelarias, hotéis e equipamentos turísticos.

É um prazer ver renovar, abrir-se às potencialidades do lugar e da região e saber respeitar o passado.

Mais fotos de Viana do Castelo em álbum na Webshots (basta clicar).