O meu obrigado a todos os que contribuíram para que este blogue tenha ultrapassado, há poucos minutos,
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Fui cativado pela graça e sensibilidade do realizador francês Gilles Porte, cujo trabalho a TV5Monde (canal internacional da televisão francesa) elegeu como forma de divulgar a passagem do 20º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, que se comemora precisamente hoje, 20 de Novembro de 2009.
Gilles Porte percorreu 20 países, dos 5 continentes, propondo a crianças entre os 3 e os 6 anos de idade, que não soubessem ler nem escrever, que desenhassem o seu retrato, em transparência, sobre uma superfície vidrada.
São 80 os retratos que a TV5Monde irá revelar no dia 20 e onde, ao vídeo de cada criança no momento de desenhar, se segue uma animação sobre o seu próprio retrato.
A banda sonora joga também um papel fundamental nesta série de vídeos que, creio, vos irão tocar emotivamente.
Penso não ir interferir nos direitos de autor, que me parece ter defendido nos vários links e referências aqui deixados, a que acrescento o do local preciso onde, a partir de hoje, é possível aceder aos 80 vídeos deste cineasta: (clicando aqui).
Fica uma amostra, com o vídeo de um miúdo birmanês.
Firmino Mendes
A Terra e os Dias
Pedra Formosa, Guimarães 2000
Adosinda Providência Torgal
Madalena Torgal Ferreira
ALGARVE todo o mar
(colectânea)
Dom Quixote, Lisboa 2005
Uso aqui publicar fotos que ilustram poemas ou até, mais frequentemente, fotos que comento com alguma escrita de pendor poético, mas o que vos trago hoje não é uma poema-foto, nem um foto-poema, mas um poema em foto.
Trata-se de uma fotografia, batida em Alte, sobre um painel de azulejos, numa homenagem ao poeta Cândido Guerreiro, natural desta singela localidade do concelho de Loulé.
Jorge de Sousa Braga, tradutor de um haiku de Matsuo Bashô que aqui publiquei há duas semanas, é também ele um poeta.
Um seu brevíssimo poema para este fim-de-semana.
Jorge Sousa Braga
O Poeta Nu
[poesia reunida]
Assírio & Alvim, Lisboa 2007

O Infante olhando o mar.
Pelo que conheço dele, apesar de toda a mitografia associada, deveria ser homem pouco dado à contemplação da Natureza e pouco preocupado com as condições do tempo, para além das que teriam a ver com o êxito dos seus projectos.
Com a mentalidade própria da sua época e a classe social de um príncipe, de um Infante de Portugal, não lhe deveria passar pela cabeça qualquer preocupação com as gentes do povo que lhe pudesse merecer algo mais do que a distante atitude da chamada "caridade cristã".
Se caravelas houvesse que não partiam com tempo agreste, mais se deveria ao êxito do empreendimento e menos à preocupação com o número de vitimados pelas calamidades do tempo e as condições da viagem.
Praticamente senhor de todo o Algarve, acumulava dividendos pessoais das mais variadas actividades da região, desde o produto da pesca à produção de farinha, de azeite, de frutos secos, de vinho...
E estou em crer que não os usaria em proveito pessoal, de tal forma seria um homem imbuído nos seus afazeres, projectos múltiplos, lúgubre e misógino como parece ter sido.
Mas os mitos empurram-nos para observar um Infante, superiormente sentado frente ao mar, olhando o vento que verga as palmeiras, preocupado com a sorte dos seus mareantes e o destino daquelas mulheres e filhos que no cais ficavam a acenar.
Embora conheça o poeta, perdi há muito o contacto com a sua poesia.
Voltei a encontrá-la de novo em Escritores Portugueses do Algarve, numa publicação das Edições Colibri.
O poema que transcrevo tocou-me no que de mais autêntico e profundo há no meu próprio ser, do que me alimentei a partir do ambiente envolvente, da paisagem, da gastronomia, dos costumes e tradições, desta terra da minha infância que Palma Dias canta como nunca antes senti.
Um deslumbramento.
Francisco Manuel Palma Dias
Onde Amar Começa a Terra Acaba
Guimarães Editores, 1985
Ilena Luís Candeias Gonçalves
Escritores Portugueses do Algarve
Edições Colibri, Lisboa 2006
P.S.
A minha transcrição respeitou a escrita original.