Na última sessão do Ciclo de Cinema que a Biblioteca Municipal de Silves vem a promover, assisti a um filme de animação que já aqui mereceu referência - Persépolis.
No debate que se lhe seguiu, Graça Lobo, do Cineclube de Faro, mencionou uma cineasta portuguesa, uma das nossas mais premiadas cineastas, segundo as suas palavras, de quem eu nunca antes ouvira falar ou cujo nome se me perdeu nos escombros da memória.
Procurei-a no Google, esse incomensurável repositório, e teria muita pena se não pudesse dá-la a conhecer, de tal forma fiquei bem impressionado pelo que vi e mal impressionado pela forma como autores portugueses deste nível ficam escondidos aos olhos da grande maioria, no meio de uma parafernália de main stream, com que a publicidade da indústria cinematográfica vai construindo o (des)gosto do público.
Trata-se de
Regina Pessoa.
Aqui a tendes, graças ao Youtube:
sábado, novembro 28, 2009
Cinema de animação, esse ilustre desconhecido
quinta-feira, novembro 26, 2009
De ti, para ti
Parece que estou em tempo de particular comemoração de aniversários, mas não passa de mera proximidade de datas.
Permitam-me, então, saudar o aniversário de um poeta amigo - Torquato da Luz.
- PARA TI
Para ti quero a flor da madrugada,
a luz que chega dos lados do mar,
o cântico das ondas sobre a praia
e o voo sereno das mais raras aves.
Para ti quero a estrela da manhã,
a brisa que refresca o fim da tarde,
o sabor perfumado das romãs
e a placidez do tempo das searas.
Para ti quero isto, aquilo e tudo
o que cabe e não cabe neste mundo.
Torquato da Luz
Por Amor e outros poemas
Papiro Editora, Lisboa 2008
segunda-feira, novembro 23, 2009
Pelo aniversário de ...
... Herberto Helder:
Nenhum corpo é como esse, mergulhador, coroado
de puros volumes de água.
Nenhuma busca tão funda, a tal pressão,
como pesa na água uma ilha fria,
a raiz de uma ilha.
Uns procuram ramas de ouro.
Outros, filões de púrpura unindo
sono a sono. Há quem estenda os dedos para tocar
as queimaduras no escuro. Há quem seja
terrestre.
Tu esbracejas entre sal agudo.
Não falas, mal respiras, moves-te apenas
e fulguras
como uma estrela cheia de bolhas.
Feroz, paciente, arremetido, mortal, centrífugo.
Com todo o peso do coração no centro.
Herberto Helder
FLASH, 1980
Ou o Poema Contínuo
Assírio & Alvim, Lisboa 2004
domingo, novembro 22, 2009
Obrigado!
O meu obrigado a todos os que contribuíram para que este blogue tenha ultrapassado, há poucos minutos,
page views.
sexta-feira, novembro 20, 2009
Que vivam as crianças!
Fui cativado pela graça e sensibilidade do realizador francês Gilles Porte, cujo trabalho a TV5Monde (canal internacional da televisão francesa) elegeu como forma de divulgar a passagem do 20º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, que se comemora precisamente hoje, 20 de Novembro de 2009.
Gilles Porte percorreu 20 países, dos 5 continentes, propondo a crianças entre os 3 e os 6 anos de idade, que não soubessem ler nem escrever, que desenhassem o seu retrato, em transparência, sobre uma superfície vidrada.
São 80 os retratos que a TV5Monde irá revelar no dia 20 e onde, ao vídeo de cada criança no momento de desenhar, se segue uma animação sobre o seu próprio retrato.
A banda sonora joga também um papel fundamental nesta série de vídeos que, creio, vos irão tocar emotivamente.
Penso não ir interferir nos direitos de autor, que me parece ter defendido nos vários links e referências aqui deixados, a que acrescento o do local preciso onde, a partir de hoje, é possível aceder aos 80 vídeos deste cineasta: (clicando aqui).
Fica uma amostra, com o vídeo de um miúdo birmanês.
quarta-feira, novembro 18, 2009
Em Silves onde as fontes
- Em Silves onde as fontes
Chegaram os cruzados e o silêncio
tocou o fundo da água da cisterna.
Dispersaram-se os sons do alaúde
nos jardins do alcácer, onde as fontes
acompanhavam vozes e corriam
para um tempo de terra e poesia.
E alguém chorou a sorte destes campos
que, um pouco mais a Sul, vêem o mar.
Alguém deixou a marca para sempre
de um perfume mais branco que as partidas.
Guardam flores de sangue alguns caminhos.
Os guerreiros passeiam sob as naves
Agora, uma flor branca sai da fenda
mais alta da muralha e muda a cor
da pedra à volta, dá-lhe novo brilho
como se o tempo fosse um arco vivo.
Húmido canto chega deste rio
que foi lugar de festa e de viagem:
ainda se ouve um canto nesta margem,
um alaúde, um baile, a dança leve.
Chega do mar um vento luminoso
que toca a pedra ruiva do castelo:
traz o gosto da amêndoa, da laranja,
das rosas bravas, soltas sobre a terra.
O Garb Al-Andaluz mostra as ruínas:
nos poços, nas cisternas de arenito
corre, ainda, o perfume dos vestidos,
esvoaçando leves sobre os corpos.
Quem dera ouvir, agora, Ibn Amar
a ciciar os versos da paixão!
Quem dera, em Silves, ver Al-Muthamid
a oferecer-lhe a rosa do perdão!
Quando chega o perfume incandescente
dos laranjais em flor, canela e tâmara,
ouvem-se versos soltos, prolongados
pelas margens do Arade, o mesmo rio.
De Abu Afan não falam as memórias:
já os candis se apagam sobre o mar.
Firmino Mendes
A Terra e os Dias
Pedra Formosa, Guimarães 2000
Adosinda Providência Torgal
Madalena Torgal Ferreira
ALGARVE todo o mar
(colectânea)
Dom Quixote, Lisboa 2005
segunda-feira, novembro 16, 2009
Poema em foto
Uso aqui publicar fotos que ilustram poemas ou até, mais frequentemente, fotos que comento com alguma escrita de pendor poético, mas o que vos trago hoje não é uma poema-foto, nem um foto-poema, mas um poema em foto.
Trata-se de uma fotografia, batida em Alte, sobre um painel de azulejos, numa homenagem ao poeta Cândido Guerreiro, natural desta singela localidade do concelho de Loulé.

