
Assim
num golpe de asa
baixa o voo
flecte as patas
e está de regresso a casa
Que é a subir e que é penoso subir, mais para uns do que para outros, todos o sabemos, mas a maior ou menor dificuldade está na disposição com que encaramos a subida.
Também, logo ao virar da esquina, desconhecemos o que se nos se apresenta.
Há quem, por receio, o evite, mas há quem o enfrente, apesar de receoso.
O meu avatar, Ibrahim Bates, é uma extensão de mim próprio numa outra dimensão, que não esta a que costumamos chamar "real".
Aí me ocupo de outras actividades que por vezes trago aqui ao vosso conhecimento.
É o que faço hoje com a divulgação da exposição que neste momento está patente na Galeria LX (link acessível aos utilizadores).
São imagens (p/b) de um fotógrafo amigo, português, que retratam a sua envolvência no dia-a-dia da sua comunidade.
Tenho tido vários sítios na vida
mas só no Sul
meu corpo fareja o seu chão
e desabrocha todas as suas folhas
e flores
Meu olhar do Sul rima com água
e com o azul
dos cerros ao longe
mas também com o chão bravio
de estevas em flor
e com a terra de regadio
eternamente noiva
coroada de perfume de flor de laranjeira
Meu olhar do Sul
ama os montes mas também as planícies
mesmo de chão
de mar
Entre água e terra
entre praia e serra
entre barco e raiz
entre casa e asa
meu coração balança
como um papagaio de papel
Teresa Rita Lopes
O Sul dos meus sonhos
Gente Singular, Olhão 2010

É de noite em Londres, no Inverno, às seis da tarde.
Saía do Museu de História Natural e a lua avistava-se, sobranceira ao Victoria & Albert Museum.
Peguei na câmara e bati a foto, tal como o faziam outras dezenas de visitantes.
Veio-me à memória um daqueles poemas que constavam das selectas literárias dos liceus. Creio que, no caso presente, para ilustrar o ultra-romantismo - A lua de Londres, de João de Lemos.
Transcrevo a primeira estrofe:
João de Lemos
Projecto Vercial
Universidade do Minho
Já não me revejo, de todo, nestes poemas de um romantismo exagerado e de uma tendência nacionalista do tipo "o que é português é bom", tão ao jeito de olhar o mundo de olhos fechados.
Quem pretender ler o poema na íntegra pode clicar nos dois links atrás, que remetem para o local donde transcrevi essa primeira estrofe, talvez também a única de que me lembrava.
E de que me lembrava precisamente pelos motivos que atrás referi e que ao tempo me foram servidos como exemplares - os do romantismo e do nacionalismo.
Vejam bem como estes conceitos se entranham na nossa memória, para acudir assim, num ápice, logo que se enfrenta uma situação que os faça despoletar, como uma autêntica bomba instintiva e primária.
Um dos motivos desta ausência de cerca de uma semana prende-se com o edifício que a foto documenta...
Museu de História Natural (Londres)
... e o imponente hall de entrada, de tirar o fôlego.
Uma especial atenção à exposição temporária da Wildlife Photographer of the Year, que reúne os mais famosos fotógrafos de Natureza.
Não perca a galeria online (clique) e não se fique pelos fotógrafos mais profissionais; surpreenda-se com fotos de crianças de antes dos 10 anos de idade até aos adolescentes de 17.
Dará o seu tempo por bem empregue.