... na expressividade e na entrega à leitura dos poemas que cada um escolheu para dizer.
A foto regista um momento que antecede o início dos trabalhos, no auditório da Escola Secundária de Silves, onde alunos de "Português" participam no concurso "Palavras em Voz". No primeiro plano, elementos do júri, convidados de entre colegas de outras áreas de ensino ou cidadãos de alguma forma relacionados com a poesia. Os alunos presentes são concorrentes, na sua grande maioria.
O blogue Palavras Temporárias, que promove o Círculo de Leitura da escola, far-se-á eco desta actividade.
PARABÉNS, a alunos e professores.
sexta-feira, março 19, 2010
E a poesia aconteceu...
quinta-feira, março 18, 2010
Pela liberdade e pela libertação dos presos políticos em Cuba
Um novo abaixo-assinado, desta vez de forma mais alargada e internacional:
Pela libertação dos presos políticos
"Pela libertação imediata e sem condições de todos os presos políticos das prisões cubanas; pelo respeito ao exercício, promoção e defesa dos direitos humanos em qualquer parte do mundo; pelo decoro e o valor de Orlando Zapata Tamayo, injustamente preso e brutalmente torturado nas prisões cubanas, morto após greve de fome por denunciar estes crimes e a falta de liberdade e democracia no seu país; pelo respeito à vida dos que correm o risco de morrer como ele para impedir que o governo de Fidel e Raul Castro continue eliminando fisicamente aos seus opositores pacíficos, levando-os a cumprir condenações injustas de até 28 anos por "delitos" de opinião; pelo respeito à integridade física e moral de cada pessoa, assinamos esta carta, e encorajamos a assiná-la também, a todos os que elegeram defender a sua liberdade e a liberdade dos outros."
Para subscrever clique aqui.
terça-feira, março 16, 2010
... ave...
Agora, que a Primavera já promete chegar.
- Amendoeiras em Porto de Lagos
Já não há amendoeiras
nas estradas do Algarve...
A linda rainha taifa
voou dos meus dedos... ave...
Voou nas verdes ladeiras
das campanhas do Algarve...
A linda rainha taifa
foi pétalas de flor... ave...
Tempestades, as primeiras,
assolaram o Algarve
e a linda rainha taifa,
suspirando pela neve
nos verdes campos que teve,
soltou os cabelos... ave...
Soltou os cabelos... ave...
Pedro Miranda Albuquerque
ALGARVE todo o mar
(Colectânea)
Dom Quixote, Lisboa 2005
sexta-feira, março 12, 2010
Fotos de um mundo virtual
Mais uma vez o meu avatar faculta ao comum dos mortais o conhecimento do que se passa para lá das portas dos que frequentam o mundo virtual da Second Life.
E esta, hein!
(Recomendo que usem o ícone que faculta uma visão em ecrã inteiro)
(Para sair basta premir a tecla Esc)
quarta-feira, março 10, 2010
A velha casa

A velha casa projecta
as suas sombras e
as palavras dizem d
o pai ainda com
o pijama na manhã de domingo
o almoço depois da missa
a gambiarra a iluminar
a refeição onde estamos todos
a neve naquele ano avistada d
a janela da porta d
a cozinha
o fogão de lenha
o poial dos cântaros
o poço
os canteiros de amores-perfeitos
os pés esguios d
as couves-galegas esgargaladas como
o pescoço das galinhas
a erva-azeda para os coelhos
o quarto
o leito de ferro pintado de branco
a janela baixa debruçada sobre
a rua
o canto da chuva n
a noite escura
a luz ainda acesa sob
a porta do escritório d
a mãe
o medo dos ruídos do sótão
o adormecimento d
as memórias
terça-feira, março 09, 2010
O romantismo no séc. XXI
Este fim-de-semana, sem sair do concelho onde resido, no interior algarvio, tive o raro ensejo de assistir a dois concertos de música erudita:
- o primeiro, na Biblioteca Municipal de Silves, com os músicos João Miguel Cunha (viola de arco), João Pedro Cunha e José Gomes (violinos), e Zurab Kala (violoncelo), num concerto comentado de uma obra de Robert Schumann, integrado num ciclo que recebeu o título “Ciclo Musical Persona” e de que esta foi a primeira sessão.
- o segundo, na Igreja Matriz de São Bartolomeu de Messines, com um grupo de câmara da Orquestra do Algarve, num concerto de Mozart, a propósito da passagem do 180º aniversário do nascimento do poeta João de Deus, natural desta localidade onde teve lugar o concerto.
Do primeiro quero manifestar o meu apreço pela iniciativa, que irá continuar com Chopin, a que se seguirão Zeca Afonso, Caetano Veloso e António Variações, a terminar com Beethoven.
Curiosa esta forma de integrar músicos de expressão erudita com músicos de expressão mais popular. Trata-se de uma maneira de tentar cativar novos públicos, partindo de uma base de aceitação que se configura na música de influência romântica.
O segundo concerto também se enquadraria nesta tendência de usar o romantismo para impressionar novos públicos, embora neste caso de homenagem a um poeta romântico fosse este o concerto adequado.
Mas a ideia de interromper um concerto de quatro andamentos, colocando a recitação de poemas a cada mudança, só porque se tratava de João de Deus, foi uma ideia de “bradar aos céus” dentro de uma igreja.
É precisamente esta questão da influência do romantismo que me traz hoje aqui, não porque não a compreenda e aceite, mas porque tenho assistido ao longo da minha vida a tentativas sobre tentativas de agradar ao público desta maneira, queimando sucessivamente etapas de iniciação, sem que se assista alguma vez, pelo menos com continuidade, a ouvir os nossos contemporâneos, no que se refere à música erudita, ou às tendências que sempre estão a emergir no que se refere à música mais popular. Quero ainda mencionar a quase total ausência dos jovens, particularmente os que frequentam agora estudos secundários ou universitários, que são os que detêm a potencialidade capaz de quebrar este ciclo vicioso.
Isto acontece na música, mas também nas artes plásticas e na literatura, onde se recorre ao romantismo ou a tendências que vão beber no gosto dessa época, e se acaba sempre por queimar etapas que se supõe pudessem conduzir a ver um cinema menos padronizado do que o que vem do lado de lá do Atlântico, apesar do seu bom cinema; um teatro com uma expressão mais contemporânea, a valorizar a cenografia, a expressão plástica e outras formas de comunicação, além dos fabulosos textos e interpretações do passado; uma literatura que não se fique pela estória, apesar das belas estórias que todos já lemos; uma poesia que não se expresse senão pela rima e pelos símbolos estereotipados do amorzinho e do luar, apesar dos inesquecíveis poemas que nos cativaram dessa forma; uma expressão plástica que não seja necessariamente figurativa, mas mais conceptual, apesar das belas obras que nos tocaram de maneira bem profunda e de que ainda recordamos a forte impressão que nos deixaram; uma fotografia que ultrapasse o pôr-do-sol, apesar dos belíssimos ocasos que já nos levaram às lágrimas; um concerto que se oiça em pleno silêncio, sem esquecer os que vivemos com os amigos e toda a multidão que connosco comungava o mesmo sentimento…
... uma manhã, uma tarde, um serão divertido, onde o divertimento não se fique pelo riso boçal ou pelo drama choramingas, mas resida no prazer que nos traz a fruição da expressão artística e que nos fale daquilo que somos hoje, porque é hoje o tempo em que vivemos e é preciso entendê-lo para melhor o construir.
segunda-feira, março 08, 2010
João de Deus - 180º aniversário
Passa hoje o 180º aniversário do nascimento de João de Deus.
Um poema em jeito de homenagem.
- A vida é o dia de hoje
A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;
A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!
A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave:
Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou,
A vida - pena caída
Da asa da ave ferida
De vale em vale impelida
A vida o vento levou!
João de Deus
A vida é o dia de hoje
Com a devida vénia a:
Rua da Poesia
(clique)

