Quando as flores se intrometem
a cada ângulo do olhar
e as triangulações nelas se cruzam
o azimute aponta para Maio
em Silves
quinta-feira, maio 06, 2010
Silves em Maio
quarta-feira, maio 05, 2010
Ruralidades
Hábitos de vida urbana, de compras no supermercado, fazem-nos esquecer que também há vida fora das cidades.
O campo, na maior parte das vezes, só nos surge aos sábados, nas cidades de província, no mercado dos produtos mais tradicionais.
No passado fim-de-semana, em Silves, decorreu uma feira, dita de Património e Tradições, denominada RURALIDADES, já na sua 3ª edição.
Fiquei agradavelmente surpreendido pelo aparato e organização.
No interior do pavilhão o artesanato, os produtos rurais, a gastronomia, os recentes vinhos da região a tentar conquistar mercados... lugar ainda a debates e conferências.
No exterior a vida animal, como este burrinho, em vias de extinção, ou esta ovelha, a que se "despe o casaco"...

... e outros animais como cavalos, cabras, vacas, patos, coelhos, galinhas... bem como um espaço dedicado à casa algarvia...

...e a sua colorida decoração, ou a mostra dos utensílios e produtos tradicionais, na sua variedade.


Ainda uma "maia" (boneca que se usa construir pelo 1º de Maio), no acto de passar a ferro, com aquecimento a carvão.
Diversão em volta de uma prova hípica de perícia, designada como equitação de trabalho, pela tarde.
Pela noite houve lugar ao fado, com Carminho, e a música de expressão folclórica, de proveniência cultural oriunda de países do leste europeu, que muito influencia já certas camadas de jovens menos conotados com a música dita comercial, e de que os Melech Mechaya são o agrupamento musical português mais conhecido e representativo.
Uma feira a chamar a atenção para a riqueza e potencialidades da serra algarvia, depois da vaga de incêndios de verões passados e de certa desarticulação económica face à invasão de produtos provenientes do mercado europeu, a preços mais concorrenciais, de que a quebra de produção de citrinos é o caso mais gritante e evidente.
segunda-feira, maio 03, 2010
Postais com poemas (I)
A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.
Ocorreu-me trazê-los aqui, paulatinamente, por ordem alfabética dos nomes dos poetas.
- O livro está deitado sobre a terra
depois de bater às portas da imaginação.
Dentro tem uma mulher e um homem,
unidos pela raiz de uma densa árvore,
nas grandes páginas abertas. (...)
sexta-feira, abril 30, 2010
LINNEU
- LINNEU
para a Sophia
A minha profissão é dar-lhes nomes.
Tal como o outro, passados os seis dias,
foi tudo achando bem, e disse
que era bom, e o chamou,
assim, no bom ou mau,
eu dou nomes à vida, digo
esta é a rosa dos ventos, digo
esta é a flor das águas, digo
esta é a planta do teu pé.
Apenas digo nomes: tudo existe
muito senhor de si,
tudo existe insolente,
independente.
Não era necessário eu ter nascido.
Pedro Tamen
Analogia e Dedos, 2006
Poemas Portugueses - Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI
Porto Editora, Lda., Porto, 2009
quarta-feira, abril 28, 2010
Monólogo e Explicação

Conhecia o Fernando Assis Pacheco dos jornais e o da literatura, embora este um pouco tarde, pouco tempo antes da sua morte, em Trabalhos e Paixões de Benito Prada, esse romance inquietante, de violência justificada na defesa da honra, numa Galiza a que estava vinculado pelo seu avô Santiago.
À sua poesia nunca antes acedera.
Tomei contacto com ela agora, durante a IV Bienal de Silves, e apresso-me a divulgá-la.
- Monólogo e Explicação
Mas não puxei atrás a culatra,
não limpei o óleo do cano,
dizem que a guerra mata: a minha
desfez-me logo à chegada.
Não houve pois cercos, balas
que demovessem este forçado.
Viram-no à mesa com grandes livros,
com grandes copos, grandes mãos aterradas.
Viram-no mijar à noite nas tábuas
ou nas poucas ervas meio rapadas.
Olhar os morros, como se entendesse
o seu turpor de terra plácida.
Folheando uns papéis que sobraram
lembra-se agora de haver muito frio.
Dizem que a guerra passa: esta minha
passou-me para os ossos e não sai.
Fernando Assis Pacheco
Câu Kiên: Um Resumo, 1972
Poemas Portugueses - Antologia de Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI
Porto Editora, Lda., Porto, 2009
segunda-feira, abril 26, 2010
IV Bienal de Poesia de Silves (momentos que destaco)

Destaco o momento da homenagem a Fernando Assis Pacheco e à sentida comunicação do seu amigo e poeta Luís Serrano.
(A criança que ladeia Luís Serrano, no momento da sua comunicação, é o neto do homenageado)

Destaco também outra homenagem, a Pedro Tamen, pela sua obra, em conferência proferida por Maria do Sameiro Barroso, com apoio à declamação por parte do actor Paulo Moreira.
(De pé, na foto, Gabriela Martins, a alma desta bienal, já na sua 4ª edição)
Bem hajas, Gabriela!
quinta-feira, abril 22, 2010
IV Bienal de Poesia de Silves

A partir de hoje e ao longo do fim-de-semana a poesia assentará arraiais em Silves.
Aconselho, desde já, a descarregar o programa oficial (clique).
Pode ainda inteirar-se mais aprofundadamente do que se irá passar através do blogue associado ao evento, em IV Bienal de Poesia de Silves (clique).
Agora, informado, está nas suas mãos a decisão.
Eu irei lá estar, na Biblioteca Municipal.



