segunda-feira, maio 10, 2010

Postais com poemas (II)


A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.

Este é o segundo, de novo a uma segunda-feira.


IV Bienal de Poesia de Silves, postais

  • Vou cavalgar as palavras
    Pra fazer navegações -
    Procuro as selas mais raras:
    Levam-me onde nunca ousaras,
    Mais longe do que supões. (...)

António Simões

quinta-feira, maio 06, 2010

Silves em Maio


                  Quando as flores se intrometem
                  a cada ângulo do olhar
                  e as triangulações nelas se cruzam
                  o azimute aponta para Maio
                  em Silves


Quiosque da Praça do Município, Silves, Maio 2010

Floreira na Praça do Município, Silves, Maio 2010

Janela dos Paços do Concelho, Silves, Maio 2010

quarta-feira, maio 05, 2010

Ruralidades


Hábitos de vida urbana, de compras no supermercado, fazem-nos esquecer que também há vida fora das cidades.
O campo, na maior parte das vezes, só nos surge aos sábados, nas cidades de província, no mercado dos produtos mais tradicionais.

Ruralidades, Silves, Maio de 2010
No passado fim-de-semana, em Silves, decorreu uma feira, dita de Património e Tradições, denominada RURALIDADES, já na sua 3ª edição.

Fiquei agradavelmente surpreendido pelo aparato e organização.
No interior do pavilhão o artesanato, os produtos rurais, a gastronomia, os recentes vinhos da região a tentar conquistar mercados... lugar ainda a debates e conferências.

No exterior a vida animal, como este burrinho, em vias de extinção, ou esta ovelha, a que se "despe o casaco"...

Burro, Silves, Maio 2010           Tosquia de ovelha, Silves, Maio 2010

... e outros animais como cavalos, cabras, vacas, patos, coelhos, galinhas... bem como um espaço dedicado à casa algarvia...

Decoração tradicional da casa algarvia, Silves, Maio 2010

...e a sua colorida decoração, ou a mostra dos utensílios e produtos tradicionais, na sua variedade.

Utensílios e produtos, Silves, Maio 2010

Maia, passando a ferro, Silves, Maio 2010

 


Ainda uma "maia" (boneca que se usa construir pelo 1º de Maio), no acto de passar a ferro, com aquecimento a carvão.

 

 


Diversão em volta de uma prova hípica de perícia, designada como equitação de trabalho, pela tarde.

Prova hípica, Silves, maio 2010

Pela noite houve lugar ao fado, com Carminho, e a música de expressão folclórica, de proveniência cultural oriunda de países do leste europeu, que muito influencia já certas camadas de jovens menos conotados com a música dita comercial, e de que os Melech Mechaya são o agrupamento musical português mais conhecido e representativo.

Uma feira a chamar a atenção para a riqueza e potencialidades da serra algarvia, depois da vaga de incêndios de verões passados e de certa desarticulação económica face à invasão de produtos provenientes do mercado europeu, a preços mais concorrenciais, de que a quebra de produção de citrinos é o caso mais gritante e evidente.

segunda-feira, maio 03, 2010

Postais com poemas (I)


A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.

Ocorreu-me trazê-los aqui, paulatinamente, por ordem alfabética dos nomes dos poetas.


IV Bienal de Poesia de Silves, postais

  • O livro está deitado sobre a terra
    depois de bater às portas da imaginação.
    Dentro tem uma mulher e um homem,
    unidos pela raiz de uma densa árvore,
    nas grandes páginas abertas. (...)

Alice Macedo Campos

sexta-feira, abril 30, 2010

LINNEU



  • LINNEU

    para a Sophia


    A minha profissão é dar-lhes nomes.
    Tal como o outro, passados os seis dias,
    foi tudo achando bem, e disse
    que era bom, e o chamou,
    assim, no bom ou mau,
    eu dou nomes à vida, digo
    esta é a rosa dos ventos, digo
    esta é a flor das águas, digo
    esta é a planta do teu pé.

    Apenas digo nomes: tudo existe
    muito senhor de si,
    tudo existe insolente,
    independente.

    Não era necessário eu ter nascido.

Pedro Tamen
Analogia e Dedos, 2006
Poemas Portugueses - Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI
Porto Editora, Lda., Porto, 2009

quarta-feira, abril 28, 2010

Monólogo e Explicação


http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor/imagens/fernando_assis_pacheco.jpg&imgrefurl=http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor/1973/02/&h=200&w=165&sz=14&tbnid=RYLjtsjuIilN8M:&tbnh=104&tbnw=86&prev=/images%3Fq%3D%2522Fernando%2BAssis%2BPacheco%2522&hl=pt-PT&usg=__aHQQk_SLZWmGObckzZ-DGxqZh6s=&ei=ls_VS4neF9PI_gafxOjXDw&sa=X&oi=image_result&resnum=11&ct=image&ved=0CCMQ9QEwCg
Conhecia o Fernando Assis Pacheco dos jornais e o da literatura, embora este um pouco tarde, pouco tempo antes da sua morte, em Trabalhos e Paixões de Benito Prada, esse romance inquietante, de violência justificada na defesa da honra, numa Galiza a que estava vinculado pelo seu avô Santiago.
À sua poesia nunca antes acedera.
Tomei contacto com ela agora, durante a IV Bienal de Silves, e apresso-me a divulgá-la.

  • Monólogo e Explicação

    Mas não puxei atrás a culatra,
    não limpei o óleo do cano,
    dizem que a guerra mata: a minha
    desfez-me logo à chegada.

    Não houve pois cercos, balas
    que demovessem este forçado.
    Viram-no à mesa com grandes livros,
    com grandes copos, grandes mãos aterradas.

    Viram-no mijar à noite nas tábuas
    ou nas poucas ervas meio rapadas.
    Olhar os morros, como se entendesse
    o seu turpor de terra plácida.

    Folheando uns papéis que sobraram
    lembra-se agora de haver muito frio.
    Dizem que a guerra passa: esta minha
    passou-me para os ossos e não sai.

Fernando Assis Pacheco
Câu Kiên: Um Resumo, 1972
Poemas Portugueses - Antologia de Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI
Porto Editora, Lda., Porto, 2009

segunda-feira, abril 26, 2010

IV Bienal de Poesia de Silves (momentos que destaco)



Destaco o momento da homenagem a Fernando Assis Pacheco e à sentida comunicação do seu amigo e poeta Luís Serrano.

(A criança que ladeia Luís Serrano, no momento da sua comunicação, é o neto do homenageado)



Destaco também outra homenagem, a Pedro Tamen, pela sua obra, em conferência proferida por Maria do Sameiro Barroso, com apoio à declamação por parte do actor Paulo Moreira.

(De pé, na foto, Gabriela Martins, a alma desta bienal, já na sua 4ª edição)


Bem hajas, Gabriela!