segunda-feira, junho 21, 2010

Postais com poemas (VIII)


A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.

Aqui os trago, paulatinamente, a cada segunda-feira.


IV Bienal de Poesia de Silves, postais


  • Fui uma criança medrosa.
    Tinha, como todas as crianças,
    medo do escuro.
    A minha irmã dizia-me: pensa no Mickey. (...)

Filipa Leal

quinta-feira, junho 17, 2010

Deambulando pela cidade


Travessa da Cató, Silves, Junho 2010

Há anos que, com a minha câmara, deambulo pela cidade.
Sempre me surpreendo com novos aspetos: uma sombra, uma chapada de cor, um certo tom que a luz imprime, alguma sensação que o olhar interpretou e me atraiu.

quarta-feira, junho 16, 2010

Lembrando David Mourão-Ferreira


Passa hoje mais um ano sobre a data da morte do poeta que tão bem cantou o amor e o erotismo.

  • Soneto do Cativo

    Se é sem dúvida Amor esta explosão
    de tantas sensações contraditórias;
    a sórdida mistura das memórias,
    tão longe da verdade e da invenção;

    o espelho deformante; a profusão
    de frases insensatas, incensórias;
    a cúmplice partilha nas histórias
    do que os outros dirão ou não dirão;

    se é sem dúvida Amor a cobardia
    de buscar nos lençóis a mais sombria
    razão de encantamento e de desprezo;

    não há dúvida, Amor, que te não fujo
    e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
    tenho vivido eternamente preso!

David Mourão-Ferreira
(Os Quatro Campos do Tempo, 1958)
Poemas Portugueses - Antologia de Poesia Portuguesa do Sec. XIII ao Séc. XXI
Porto Editora, 2009

segunda-feira, junho 14, 2010

Postais com poemas (VII)


A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.

Aqui os trago, paulatinamente, a cada segunda-feira.


IV Bienal de Poesia de Silves, postais

  •  


    A solidão existe apenas onde as palavras
    se tocam num murmúrio de gente. (...)

Fernando Esteves Pinto

terça-feira, junho 08, 2010

A câmara em vez da arma


Lagoa dos Salgados, Pêra - Silves, Maio 2010


Gosto de usar uma câmara em vez de uma arma e surpreender na quietude, sem inquietar, os animais que buscam tranquilamente o seu sustento.


Quem me confirma o nome desta pernalta? Será o PERNILONGO – Himantopus himantopus?

segunda-feira, junho 07, 2010

Postais com poemas (VI)


A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.

Aqui os trago, paulatinamente, à segunda-feira.


IV Bienal de Poesia de Silves, postais

  •  

     

     



    alho.
    olho.
    olho alho.
    o alho e o olho.
    olho o alho:
    vejo a+l+h+o.
    olhalho.
    olho o olho
    e não vejo o alho.


    alho - o olho.
    olho - o alho.
                    alho olho.
    o olhar do alho.
    o olho no alho.
    o olho no olho
    com alho.
                    tressalho.
                              (...)

Fernando Aguiar

terça-feira, junho 01, 2010

Espelho Íntimo


Torquato da Luz, o poeta que em cada dia se revela no seu Ofício Diário, apresentou no passado dia 26, na Livraria Barata, em Lisboa, o seu último trabalho - Espelho Íntimo.

Capa de 'Espelho Íntimo', de Torquato da Luz
Dele retirei este poema:

  • Ah se não fosse

    Ah se não fosse o medo
    e as negas da sorte
    ah se não fosse cedo
    de mais para a morte
    ah se não fosse o muro
    a limitar o espaço
    ah se não fosse o futuro
    amanhecer tão baço
    ah se não fosse a idade
    e a tensão alta
    ah se não fosse a liberdade
    fazer tanta falta
    ah se não fosse o mundo
    estás a ver
    ah se não fosse tudo
    e o mais que vier.

Torquato da Luz
Espelho Íntimo
Editora o cão que lê, Braga 2010