quarta-feira, julho 14, 2010

Deambulando pela cidade (V)


Largo do Município, Silves, Verão 2010

Aprazível final de tarde, à sombra, na leitura ou em contemplação.
Do calor fala a luz na fachada dos edifícios.

segunda-feira, julho 12, 2010

Postais com poemas (XI)


A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.

Aqui os trago, paulatinamente, a cada segunda-feira.


IV Bienal de Poesia de Silves, postais


  • Despede-te da casa
    Para ires ao encontro do bosque do mundo
    Despede-te do espelho
    Para ires ao teu encontro. (...)

Henrique Dória

segunda-feira, julho 05, 2010

Postais com poemas (X)


A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.

Aqui os trago, paulatinamente, a cada segunda-feira.


IV Bienal de Poesia de Silves, postais

  • Desarruma os lábios
    que o silêncio cala
    vigia a doce espiral
    onde o sorriso se refaz
    essa baga de néctar
    expande-se
    para que alguém
    acredite nos anjos.

Graça Magalhães

sexta-feira, julho 02, 2010

Os dias de verão


Faz hoje seis anos que Sophia nos deixou, num dia de verão.

  • Os Dias de Verão

    Os dias de verão vastos como um reino
    Cintilantes de areia e maré lisa
    Os quartos apuram seu fresco de penumbra
    Irmão do lírio e da concha é nosso corpo

    Tempo é de repouso e festa
    O instante é completo como um fruto
    Irmão do universo é nosso corpo

    O destino torna-se próximo e legível
    Enquanto no terraço fitamos o alto enigma familiar dos astros
    Que em sua imóvel mobilidade nos conduzem

    Como se em tudo aflorasse eternidade

    Justa é a forma do nosso corpo

Sophia de Mello Breyner Andresen
Dual, 1973
Poemas Portugueses - Antologia de Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI
Porto Editora, Porto 2009

quinta-feira, julho 01, 2010

Jornada de Reflexão sobre o Museu da Cortiça (Conclusões)


Jornada de Reflexão e Debate
Museu da Cortiça da Fábrica do Inglês, em Silves: que Futuro?
26 de Junho de 2010


Museu da Cortiça da Fábrica do Inglês


Conclusões:


  • 1 – É urgente assegurar a classificação da Fábrica do Inglês nos termos do Decreto-lei nº 309/2009 de 23 de Outubro, tendo em vista garantir a protecção legal do seu património imóvel e integrado. Esta classificação deveria pelo menos atingir o nível de “imóvel de interesse público”. Neste sentido, os participantes nesta Jornada de Reflexão apelam aos responsáveis da Administração Pública, local (Câmara Municipal de Silves) e nacional (Direcção Regional de Cultura), para que exerçam as suas competências neste domínio e mantenham a opinião pública informada sobre o desenvolvimento do processo. Esta classificação, da justificação que tem em si mesma, constituirá também uma mais-valia imprescindível para qualquer projecto futuro a desenvolver no local.


    2 – É urgente assegurar a manutenção dos espaços de ar livre e o acesso ao núcleo museológico. A situação de encerramento actual da Fábrica do Inglês traduzir-se-á no futuro em encargo maior do que o da sua abertura, mesmo que mínima. Qualquer que seja a evolução futura do regime de propriedade, importa atalhar a degradação que se começa a fazer sentir. Neste sentido, recomenda-se à Câmara Municipal de Silves que, na defesa dos interesses patrimoniais em causa, desenvolva esforços para a celebração de um protocolo que lhe permita executar as operações mínimas de manutenção e segurança do espaço. Os custos desta manutenção devem ser considerados como investimento público no local e ser tidos em devida conta aquando da discussão das soluções de futuro que vierem a ser adoptadas.


    3 – É recomendável proceder à identificação das entidades e as formas de participação dos potenciais intervenientes ou parceiros locais, nacionais e internacionais tendo em vista um projecto de reabertura e de reprogramação do conjunto patrimonial em que se integra o Museu da Cortiça – designado por Fábrica do Inglês.


    4 – É consensual a convicção de que o “modelo de negócio” que esteve subjacente ao projecto inicial da Fábrica do Inglês está ultrapassado. Embora generoso e baseado em motivações essencialmente patrimonialistas, tratava-se de um modelo demasiado assente em actividades comerciais, de restauração e de animação, que não somente estavam muito para além da estrita valorização dos bens patrimoniais, como dependiam de variáveis de mercado totalmente alheias ao controlo dos promotores do projecto. Importa, pois, que a Fábrica do Inglês se centre de forma mais incisiva naquilo que deve constituir o seu núcleo central, ou seja, na valorização dos seus patrimónios e na projecção do Mundo da Cortiça. Neste sentido, seria recomendável uma maior participação das entidades públicas locais no capital social da futura estrutura gestionária do espaço.


    5 - É desejável continuar, e intensificar, as acções de sensibilização da opinião pública, em primeiro lugar da comunidade local silvense, para o reconhecimento da importância patrimonial do que está em causa e para a sua salvaguarda e valorização, como recurso de desenvolvimento cultural e identitário local, regional e até nacional. A Comissão Nacional Portuguesa do ICOM, pelo seu lado, manter-se-á atenta ao evoluir da situação e desenvolverá os contactos associativos que forem adequados à manutenção e reforço do movimento social em defesa do Complexo da Fábrica do Inglês.

Silves, em 26 de Junho de 2010.