quarta-feira, julho 28, 2010

Do Gharb ao Algarve: uma sociedade islâmica no Ocidente (II)


Regresso à abordagem da exposição em título, que visitei há alguns dias atrás, depois de ter iniciado a rota da Rede de Museus do Algarve e da múltipla exposição Do Reino à Região.

As exposições em geral, como ato cenográfico de disposição de peças no intuito de prender a atenção do visitante, jogam, como aliás todas as formas de expressão artística, com o intelecto, mas sobretudo com as emoções. E as emoções jogam com o nosso subconsciente e o nosso imaginário.

Isto para vos dizer que foi com imensa emoção que visitei esta exposição, particularmente quando me deparei com esta lápide, encontrada em Silves em 1874, por ocasião da abertura de uma estrada para o novo cemitério (o antigo cemitério ficava nas traseiras da Sé, no local onde hoje existe o Café Inglês).
A lápide é comemorativa da construção de uma torre, que deve corresponder à da Porta do Sol ou de Loulé, alguns metros à frente do Mirante.
Recordo a marcação que existe no local onde foi encontrada, posta a descoberto aquando de uma intervenção urbanística logo nos inícios do POLIS.

A minha foto não faz jus à beleza da peça, pois foi batida sem adequadas condições de luz, mas ei-la!

Lápide comemorativa da construção de uma torre, em Silves. Verão 2010

(Mármore - 965 x 340 x 160 mm - 624 H./1227 d.C.)


É uma peça encontrada em Silves, mas depositada no Museu Arqueológico e Lapidar Infante D. Henrique, em Faro.
Não quero fomentar guerras sobre quem é ou deve ser o fiel depositário, mas na eventualidade da construção de uma réplica, seria com bom grado que veria esta peça colocada no sítio onde foi encontrada, enquadrada numa musealização em conformidade, "democratizando" o seu acesso a todos os silvenses e a quem nos visita.

Queria falar-vos um pouco mais sobre histórias associadas à peça, mas o texto vai longo e creio que ainda virei a ter oportunidade para o fazer.

terça-feira, julho 27, 2010

SOMBRAS E LUZ. O Algarve no Século XIX


Na rota da Rede de Museus do Algarve e das múltiplas exposições que neste momento decorrem, por sete meses, em diversos museus e diferentes localidades, onde sob um tema genérico comum - ALGARVE, do Reino à Região - cada museu exibe o que de característico representa, fui de viagem a São Brás de Alportel e ao Museu do Trajo.

Museu do Trajo, São Brás de Alportel, Verão 2010
"Sombras e Luz. O Algarve no Século XIX" é o título da exposição ali patente.

É do trajar desse tempo que ali se fala, numa museologia de preocupações sociais, que visa recordar, para melhor entender, esse tempo dos nossos avós.


Museu do Trajo, São Brás de Alportal, Verão 2010       Museu do Trajo, São Brás de Alportel, Verão 2010
(Ao clicar nas fotos poderá observá-las com ampliação)


Foi com prazer que percorri as diversas salas, quase diria salões, e me encantei com o rigor do décor, com o cuidado posto nos adereços, com o delicado humor de algumas soluções de cenário, com a abordagem às funções do dia-a-dia de uma casa da alta burguesia na periferia urbana.
Uma sala particularmente dedicada à indumentária e à ambiência da indústria corticeira, riqueza económica da região ao tempo que aqui se aborda.

Uma palavra mais a propósito do catálogo da exposição, que além da exposição propriamente dita, inclui interessantes artigos de investigação, nomeadamente, As mulheres no Algarve de Oitocentos, de Aurízia Anica, Foreigners in the Algarve - 17th to 19th centuries, de Peter Brooker, A Igreja no Algarve no século XIX, de Afonso Cunha, Acordeão! Acordeão! Quando chegaste a Portugal? Que portas escolheste?, de Henrique Cunha, Da Turbulência Política e Labor aos Ecos do Romantismo, Séc. XIX no Algarve, de Glória Marreiros, Como o Romantismo no Algarve se centraliza em Faro, de Teodomiro Neto, Os Judeus no Algarve. Mitos, Saberes, Sabores, Regressos, de Paulo Mendes Pinto, A cortiça em São Brás de Alportel. Rumores Antigos, de Emanuel C. Sancho.

Uma palavra ainda sobre os catálogos das exposições, nesta múltipla exposição algarvia, dos quais ainda poucos estão publicados, mas que virão a constituir, seguramente, um novo olhar sobre o Algarve, a sua cultura e as suas gentes.

segunda-feira, julho 26, 2010

Postais com poemas (XIII)


A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.

Aqui os trago, paulatinamente, a cada segunda-feira.


IV Bienal de Poesia de Silves, postais


  • Encanta-me,
    conta-me um rio que já existiu,
    põe de árvore a primitiva ponte,
    uma corrente bravia só no estio;
    o horizonte na frescura da erva
    talha-o a degraus numa só pedra (...)

José Ribeiro Marto

quinta-feira, julho 22, 2010

Flashback em Olhão


Páteo interior numa colectividade de Olhão, Verão 2010

 



Ontem, àquela hora em que o calor aperta, fui atraído pela luz que irradiava do fundo do corredor de entrada desta colectividade olhanense.

 



Uma colectividade, em Olhão, Verão 2010
Numa sensação de autêntico flashback senti-me num filme italiano de meados do século passado (apesar das cadeiras de plástico).

segunda-feira, julho 19, 2010

Postais com poemas (XII)


A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.

Aqui os trago, paulatinamente, a cada segunda-feira.


IV Bienal de Poesia de Silves, postais

  • Com um lápis, escava no papel,
    empurra pedras para cima
    e para baixo, faz sulcos na terra,
    planta árvores e aves, a breve luz
    do anoitecer, o brusco salto dos peixes
    que rasgam a água e a melodia dos insectos
    que zumbem na lama das margens. (...)

Jorge Velhote

quinta-feira, julho 15, 2010

Do Gharb ao Algarve: uma sociedade islâmica no Ocidente


Poster da Exposição do Gharb ao Algarve
Abre amanhã, dia 16, pelas 19h30, no antigo Matadouro Municipal - unilateralmente usurpado pelo atual executivo camarário ao CELAS (Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves) - a exposição com o título em epígrafe, que integra a iniciativa Algarve - do reino à região, promovida pela Rede de Museus do Algarve.

Passarei a visitá-la em outra data que não a da inauguração, como forma de me desvincular desse ato mais solene, reafirmando a minha posição face à utilização indevida do edifício, se bem que a exposição em si me suscite a maior curiosidade e mereça a minha melhor consideração, pelo que conheço do trabalho dos promotores deste projeto e da Rede de Museus do Algarve.

quarta-feira, julho 14, 2010

Deambulando pela cidade (V)


Largo do Município, Silves, Verão 2010

Aprazível final de tarde, à sombra, na leitura ou em contemplação.
Do calor fala a luz na fachada dos edifícios.