Três das fotos que utilizei para ilustrar a divulgação que venho fazendo da Feira Medieval de Silves, em Notícias de Silves (clique).
terça-feira, agosto 10, 2010
Feira Medieval de Silves - 2010 (II)
segunda-feira, agosto 09, 2010
Postais com poemas (XV)
A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.
Aqui os trago, paulatinamente, a cada segunda-feira.
- o amor não é de modo nenhum uma receita veloz.
com um pouco de água
cenouras
batatas e cebolas
não se fazem manjares.
dão-se algumas cambalhotas
dentro do calor. (...)
sábado, agosto 07, 2010
Feira Medieval de Silves - 2010
Está aí a FEIRA MEDIEVAL!

P.S.
Sugiro que acompanhem as Notícias de Silves (clique), com programa e fotos da Feira Medieval.
quinta-feira, agosto 05, 2010
O Lince Ibérico de regresso ao seu território

Apaziguada parece estar a grande disputa, entre entidades públicas e as organizações de defesa do ambiente, quanto à construção da Barragem de Odelouca sem os necessários critérios de defesa ambiental, conforme recurso apresentado a instâncias europeias e que mereceu a sua aprovação
De acordo com os discursos que ontem pude escutar de responsáveis públicos, que há algum tempo atrás usavam uma linguagem bem agressiva a propósito do atraso na construção da barragem e contra as propostas que visassem a garantia da sobrevivência do lince ibérico, ontem, o lince, agora em exposição no castelo, tornou-se o alvo dos maiores encómios.
A exposição está patente em vários dos torreões, com percurso assinalado por simulações de pegadas de lince, como na foto acima.
Trata-se de uma exposição de fotografia, de grandes dimensões, que documentam a vida do lince em território da vizinha Espanha, da autoria de Andoni Canela, conceituado fotógrafo de natureza de origem espanhola.

Também há outros painéis, integrando o espaço dos jardins da alcáçova, como na foto acima.
O lince ibérico é o felino mais ameaçado de extinção em todo o mundo.
O Centro de Reprodução na Serra de Silves poderá, a médio prazo, conseguir a reprodução em cativeiro e espera-se por novos indivíduos que um dia possam viver, livres, neste seu território de origem, como acontece na vizinha Espanha nos locais que esta exposição testemunha.
terça-feira, agosto 03, 2010
Do Gharb ao Algarve: uma sociedade islâmica no Ocidente (IV)

É este edifício, cujo pormenor a fotografia documenta, que acolhe a exposição a que venho fazendo referência.
O grande salão de entrada parece pequeno para albergar a quantidade e variedade de peças, que, de certo modo, perdem algum do seu brilho, num labirinto pouco iluminado, onde a cor dominante é o verde-escuro, mas...
... a importância de peças como esta, a lápide do Bispo Julião, do séc. X, testemunhando a importância da comunidade moçárabe no território, ou...
... a perfeição desta placa de marfim com a representação de uma ave de rapina, também do séc. X, que além da surpresa do pormenor e da cativante beleza, testemunha a elegância do viver das classes abastadas, com recursos e sensibilidade artística...
... ou ainda, se bem que mais prosaicas, estas cerâmicas de indiscutível elegância, utensílios do dia-a-dia, e muitas outras peças, nomeadamente de joalharia, que aqui não referi; são, dizia eu, motivo mais do que suficiente para nos maravilhar.
Permitam-me duas referências mais:
- a de uma sala, com uma única peça em exposição, que irá variando em cada mês, e que será motivo de uma palestra, proferida por especialista;
- a de outra sala ainda, por sinal a que mais me surpreendeu e me tocou, sobre azulejaria, modelos, procedimentos, e que enquadra ainda pigmentos vários utilizados na confeção, bem como ingredientes que encantam os olhos com a exuberância da cor e o nariz com a surpresa do odor, usando os sentidos numa certa envolvência desse mundo "oriental".
Não percam a oportunidade se estiverem no Algarve ou passarem por Silves.
segunda-feira, agosto 02, 2010
Postais com poemas (XIV)
A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.
Aqui os trago, paulatinamente, a cada segunda-feira.
- Depois do esquecimento
é o nada
às vezes a flor do remorso
a lágrima tardia
o silêncio
quinta-feira, julho 29, 2010
Do Gharb ao Algarve: uma sociedade islâmica no Ocidente (III)
Cá estou de novo para acabar o queria dizer sobre a lápide a que fiz referência no último post.
Volto a colocar a foto da lápide, se bem que em dimensão mais reduzida (saiba que ao clicar sobre a foto pode sempre vê-la ampliada).
O que vos queria contar tem a ver com um dos mais famosos investigadores da história do Islão, catedrático na Sorbonne, arabista, medievalista e insigne intérprete da história do al-Ândalus. Falo de Lévi-Provençal. Foi ele quem estudou e interpretou esta mesma lápide, o que só por si confere ao objeto um valor muito particular.
Permitam-me que vos situe na época e no contexto da peça.
A 3 de Setembro de 1189 D. Sancho I, com apoio dos cruzados que seguiam para a Terra Santa, conquista Silves. Vivia-se uma época de enfraquecimento dos senhores do Sul, muçulmanos, que os senhores do Norte, cristãos, aproveitavam, para alargar as fronteiras do seu território.
A notícia da queda da cidade mais importante do al-Ândalus ocidental, Silves, merece a reação do emir do al-Ândalus e do Magrebe, o almoada Ya'kub al-Mansur. Logo na Primavera de 1190 envia parte do seu exército por mar, diretamente a Silves, dando início a um cerco.
Silves acaba por cair de novo sobre o poder almoada em 1191.
Em 1227, o filho de Ya'kub al-Mansur, Abu l-'Ula Idris, em visita de inspeção a Silves, ordena a construção desta torre que a lápide comemora, como reforço da capacidade defensiva da cidade, já que a desagregação do poder almoada cada vez mais facilita a aproximação e a cobiça dos exércitos cristãos do Norte.
Sinal da desagregação do poder almoada e das lutas internas dos senhores do Islão, é a formação de um pequeno reino independente, num território que inclui as cidades de Silves e Niebla (esta na atual Espanha, relativamente perto da fronteira com Portugal) por iniciativa do que viria a ser o último rei árabe de Silves, Shu'aib Ibn Muhammad Ibn Mahfuz.
Pois bem!
Notam um pequeno sinal arredondado sobre a margem esquerda da lápide, um pouco abaixo da sua parte superior?
Lévi-Provençal diz que se trata de uma rasura propositada e mandada fazer por Ibn Mahfuz, eliminando da lápide o nome de quem ordenou a sua construção, precisamente o seu inimigo, o almoada Abu l-'Ula Idris, filho de Ya'kub al-Mansur.
Era esta curiosidade que vos queria contar, relacionada com esta peça de inestimável valor, que conhecia por fotografia e através deste estudo de Lévi-Provençal, mas que só agora tive oportunidade de conhecer de perto e que tanto me emocionou.
Voltarei a falar da exposição, mas então para me dedicar à sua apreciação global.




