segunda-feira, setembro 27, 2010

Postais com poemas (XXII)



A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.

Aqui os trago, paulatinamente, a cada segunda-feira.

IV Bienal de Poesia de Silves, postais

  • três minutos não têm vermelhos
    são um coração
    muito bem desenhado (...)

quinta-feira, setembro 23, 2010

Do Reino à Região - Cidade e Mundos Rurais


Quando no fim-de-semana passado me desloquei a Cacela Velha, para participar no "Poesia na Rua", apontei primeiro a Tavira no intuito de visitar a exposição com o título em epígrafe. Esta é mais uma das que integram a grande exposição coletiva da Rede de Museus do Algarve, identificadas pelo título comum de - Do Reino à Região.


Em devido tempo escrevi, neste mesmo blogue, sobre as exposições de São Brás de Alportel e Silves: a primeira sobre o trajo e o Algarve do Séc. XIX  - Sombras e Luz - a segunda sobre a sociedade islâmica que nos antecedeu - Do Gharb ao Algarve. Visitei em finais de Agosto a exposição de Vila Real de Santo António, sobre o urbanismo iluminista desta cidade, mandada construir pelo Marquês de Pombal. Não escrevi sobre ela logo na altura e perdi um pouco a ocasião propícia. É uma exposição de rua, pois o motivo está ali à vista de todos. O catálogo, já publicado, é um ótimo apoio para todos os que visitem a cidade.

Cidade e Mundos Rurais é um debruçar sobre o território de Tavira, um território onde a cidade é o elo de união entre o mar e a serra.

A sala que se sucede à sala de entrada, de visionamento de um vídeo sobre a própria exposição que nos preparamos para visitar, é um belo e detalhado documento que nos ajuda a entender a dinâmica da região.
Comentado por geógrafos, historiadores, um arquiteto, um sociólogo e um professor de Educação Musical, o vídeo habilita-nos então a percorrer a exposição com uma visão prévia e integrada do todo, bem como a ponderar alguns assuntos que anteriormente assumíamos como indiscutíveis e que nos levantaram interrogações. É bom ser questionado. Enriquecemos sempre que tal acontece.

O catálogo, já publicado, é um documento imprescindível para quem quiser entender os sucessos e os infortúnios da nossa economia rural e um apoio ao estudo de qualquer projeto de viabilização de uma agricultura e de uma economia que aspirem a algum sucesso.

terça-feira, setembro 21, 2010

Cacela Velha acolheu "Poesia na Rua"



A uma tarde de sexta-feira não se pode esperar grande aglomeração de gente e mesmo a um sábado, perante um programa tão vasto e diversificado, para muitos houve que escolher a hora que mais lhes convinha ou mais despertava o seu interesse.
Creio poder afirmar que as tardes foram para os já iniciados nestas andanças da poesia e dizer que o número de presentes ultrapassou as minhas expetativas.

O momento mais enriquecedor aconteceu-me na sessão da tarde de sábado, numa mesa redonda onde o debate se centrou sobre "a poesia como deslocamento" e que a fotografia abaixo documenta.

Da esquerda para a direita José Carlos Barros, Juan Andrés Garcia Román, Luís Filipe Cristóvão, José Mário Silva e valter hugo mãe.
Foram lidos poemas e o debate, conduzido por Luís Cristóvão, revelou quatro diversas perspetivas.

Teresa Rita Lopes (na foto à direita), proferiu duas "aulas de poesia" (sexta e sábado), percorrendo a poesia portuguesa desde a de expressão provençal até Fernando Pessoa e outros poetas futuristas, incentivando os presentes à declamação de poemas que soubessem de cor, estabelecendo-se um vivo e interessante diálogo.

Também estive presente, com Ahmed Tahiri (da Fundação al-Idrisi e autor da publicação - Cacela e o seu poeta Ibn Darraj al-Qastalli),  numa sessão sobre a poesia do al-Andalus.
Foi muito agradável ter sido abordado, no final, por Teresa Rita Lopes, que me disse ter gostado muito do que ouviu e que lhe tinha despertado a vontade de aprofundar o seu conhecimento da poesia dessa época.

A Fundação al-Idrisi foi também responsável por parte do serão da noite de sábado, com "Cantares do pôr-do-sol".


A música andalusina, levada para o Norte de África pelos expulsos de Granada, repercutiu-se na noite de Cacela, na limpidez da voz da jovem Zainab Afailal e na primorosa execução de Fahd Ben Kiran, no seu alaúde. O flamenco de Pepe Vela despertou as emoções dos que enchiam por completo o espaço onde o concerto teve lugar.

Na noite anterior também Janita Salomé encantou com a sua música de expressão mediterrânica, enchendo a Igreja de gente que escutava o seu cantar.

Mas o momento que mais justificou o título desta iniciativa da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António - "Poesia na Rua" - aconteceu na noite do encerramento, com o Largo da Fortaleza repleto de gente, escutando os poetas convidados e todos os que se quiseram inscrever, em declamações sucessivas, que a Banda Filarmónica saudava após a audição de cada poema declamado, a que se lhe seguia o lançamento de um petardo.

Aí, à noite, a poesia foi de todos, como pelas manhãs tinha sido das crianças.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Postais com poemas (XXI)


A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.

Aqui os trago, paulatinamente, a cada segunda-feira.

IV Bienal de Poesia de Silves, postais

  • poder-vos-ia contar da tarde
    no café
    da força realista das mesas
    e das cadeiras, os corpos, copos
    vozes, o que fosse
    mas para dizer nada
    prefiro dizer (...)

quarta-feira, setembro 15, 2010

"Poesia na Rua" em Cacela Velha


(Pode ampliar com um clique na imagem)

Informe-se sobre o programa (disponível aqui). Consulte a 2ª página.
Espero encontrar-vos por lá.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Postais com poemas (XX)


A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.

Aqui os trago, paulatinamente, a cada segunda-feira.

IV Bienal de Poesia de Silves, postais
  • Para que serve a poesia?, perguntas. Uma das
    respostas está na forma como o destino do humano
    se projecta na necessidade de absoluto que surge
    num rosto, para além das circunstâncias, quando
    a palidez imprime o vazio do tempo. (...)

quinta-feira, setembro 09, 2010

Porquê, Jean-Luc Ponty no Castelo de Silves?



Na foto, batida com o telemóvel, de fato não se nota a presença de Jean-Luc, mas esse não é o motivo para a interrogação do título.

É importante afirmar que também me satisfaz que o Castelo de Silves possa servir,  pelo seu soberbo enquadramento, para espetáculos desta natureza, de elevado mérito, e com lotações aceitáveis e pouco invasivas do espaço, como foi o caso.

Confesso que tive alguma dificuldade em entrosar-me com o violino, pelo pouco que estou a habituado ao seu timbre em audições de jazz, mas fiquei completamente rendido à versatilidade do intérprete e à sua excelente banda. Uma noite memorável!

Pena foi que a instalação do palco não tivesse levado em conta o lugar onde o concerto iria acontecer e esse é o motivo para a interrogação do título. Porquê vir ao Castelo de Silves, para esconder por detrás do palco aquilo que justifica  a vinda do concerto a este lugar?


Houve certos momentos em que o torreão se avistou, e aí sentiu-se algum rumor de exclamações em surdina, em manifestação de apreço pela beleza das muralhas. Mas foram breves momentos, logo interrompidos pelos holofotes e pelo jogo de colorações várias, que parecem merecer maior valor do que o recorte dos merlões dessa muralha de pedra vermelha como não há outra no mundo e cujo enquadramento Jean-Luc e a sua banda bem teriam merecido por mais tempo.

Se não fosse por isso bem podiam ter dado o concerto noutro lugar qualquer. Porquê, Jean-Luc Ponty no Castelo de Silves?