Apesar da quietude do mar, da aventura das viagens, da vontade de viver os dias felizes de um tempo sem sobressaltos, a marca do sol traz consigo a declinação própria dos dias mais pequenos e a sua coloração exprime preferências pelas cores mais quentes do espectro solar, a denunciar a aproximação de um tempo mais difícil.
A República passou hoje à minha porta na forma de uma banda de música.
(A foto não é de hoje. É de março passado, pela procissão dos Passos)
Reconheci-a no fardamento, no compasso de marcha militar em expressão triunfal e até nas origens da formação destas bandas, patrocinadas pelos mecenas locais do tempo da Monarquia e mais tarde pelos mesmos mecenas ou seus parentes do tempo da República.
Reconheço-a também nos movimentos associativos, a emancipar-se daquelas tutelas, e que eram, na minha cidade, os únicos pólos de acesso à leitura e à cultura e, ainda hoje, à aprendizagem da música.
A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.
Aqui os trago, paulatinamente, a cada segunda-feira.
Que venha o sol e aclare a luz
que venha a lua e ilumine a sombra
que venha Vénus e desnude o
que não tem nome:
o sentido do
príncipe do
princípio do
caminho. (...)
A minha amiga Helena(clique) colocou no seu blogue, há alguns dias atrás, um excerto de um concerto de Mozart, mais precisamente do 3º movimento do concerto para piano nº20, interpretado por Maria João Pires, com a Orquestra Filarmónica de Berlim dirigida por Pierre Boulez, que teve lugar nos Jerónimos em 2003.
Trata-se de um pequeno extrato, de cerca de 3 minutos, onde a figura frágil da nossa pianista interpreta com uma força e uma expressividade impressionantes, e com uma tal aparente facilidade, em diálogo, até no olhar, com a orquestra, que o quero também partilhar com os meus habituais leitores.
Sugiro que sigam o link que aparece no final do vídeo e que vos conduzirá ao local donde este fragmento musical foi extraído. Talvez vos venha a interessar como aconteceu comigo.