segunda-feira, novembro 15, 2010

Postais com poemas (XXIX)


A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.

Aqui os trouxe, paulatinamente, a cada segunda-feira.

Este é o último.

IV Bienal de Poesia de Silves, postais

  • Trazia os olhos bêbedos de mar
    e nos cabelos, que o vento alongava,
    luziam raios de sol e de luar,
    que qualquer deus estranho combinava. (...)

quarta-feira, novembro 10, 2010

Arcos donde se avistam arcos



Na ausência de tema ou falta de inspiração fica esta foto recentemente batida em Granada, numa visita à Alhambra.

segunda-feira, novembro 08, 2010

Postais com poemas (XXVIII)


A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.

Aqui os trago, paulatinamente, a cada segunda-feira.

Este é o penúltimo.

IV Bienal de Poesia de Silves, postais

  • À cautela
    imitar os girassóis em cada vela

    dar moinhos à farinha
    e um nome à estória (...)

sábado, novembro 06, 2010

A pequena praça, de Sophia












(Imagem do blog Banco da Poesia, com a devida vénia)


SOPHIA cumpriria hoje 91 anos.
Quero recordá-la neste seu poema:

  • A Pequena Praça

    A minha vida tinha tomado a forma da pequena praça
    Naquele outono em que a tua morte se organizava meticulosamente
    Eu agarrava-me à praça porque tu amavas
    A humanidade humilde e nostálgica das pequenas lojas
    Onde os caixeiros dobram e desdobram fitas e fazendas
    Eu procurava tornar-me tu porque tu ias morrer
    E a vida toda deixava ali de ser a minha
    Eu procurava sorrir como tu sorrias
    Ao vendedor de jornais ao vendedor de tabaco
    E à mulher sem pernas que vendia violetas
    Eu pedia à mulher sem pernas que rezasse por ti
    Eu acendia velas em todos os altares
    Das igrejas que ficavam no canto desta praça
    Pois mal abri os olhos e li foi para ler
    A vocação do eterno escrita no teu rosto
    Eu convocava as ruas os lugares as gentes
    Que foram as testemunhas do teu rosto
    Para que eles te chamassem para que eles desfizessem
    O tecido que a morte entrelaçava em ti




Sophia de Mello Breyner Andresen
Dual, 1972
Poemas Portugueses - Antologia da Poesia Portuguesa do Séc, XIII ao Séc. XXI
Porto Editora, 2009

quinta-feira, novembro 04, 2010

Na Mesquita de Córdova



No regresso da minha viagem a Granada, também me fiz passear por Córdova.

Apesar dos quase cinco séculos que separam a construção da Mesquita da época final da construção da Alhambra, aqui em Córdova o despojamento arquitetónico, a horizontalidade da construção, o rigor, até mesmo a finalidade, virada para o silêncio, para a meditação, provocam uma sensação completamente diferente da que descrevi a propósito da Alhambra de Granada.

Recordo a primeira vez que visitei a Mesquita, já lá vão mais de 30 anos, e a forte reação emocional que me provocou a entrada no edifício. Verti copiosamente lágrimas que não conseguia controlar. Curiosamente, sucedeu-me a mesma coisa quando pela primeira vez avistei a Catedral de Santiago de Compostela.
Permitam-me que confesse que em Granada e na Alhambra me fico sempre por um mero "beicinho" e não quero com esta afirmação estabelecer qualquer comparação que de alguma forma ponha em causa o profundo apreço que tenho por qualquer uma destas obras monumentais, incontestáveis peças do melhor do Património Histórico da Humanidade.

Recordo também ter uma atitude condenatória face à transformação da Mesquita em Catedral, mas hoje em dia, e habituado que estou à destruição dos templos de outras religiões para implantar a nova, dos novos senhores, acho que Carlos V, apesar de ter querido afirmar o seu estatuto de Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, revelou algum respeito perante o templo muçulmano, incorporando mesmo, na estrutura vertical da nova Catedral, além da Mesquita muçulmana, elementos decorativos que evocam a presença da Mesquita, paredes-meias.
Podeis confirmar isso mesmo em algumas das fotos que aqui (clique) deixo.

quarta-feira, novembro 03, 2010

La ALHAMBRA






La Alhambra é uma janela aberta sobre uma civilização que não existe mais, feita de fantasia e de poder.

É um deslumbramento para os olhos de cada vez que aqui regresso, uma sensação permanente e doce, uma vontade enorme de guardar e trazer comigo, para depois partilhar, os lugares, as sombras, a delícia dos jardins, o exacerbamento da arte de trabalhar a pedra, o envolvimento no jogo geométrico dos desenhos dos estuques e  dos azulejos, dos madeiramentos, do chão, das paredes, das portas e janelas.

Mas eu trouxe imagens, sim, que podeis buscar aqui.

Retratam, infelizmente como sei e posso, o passeio pela zona da Catedral e da Alhambra.

segunda-feira, novembro 01, 2010

Postais com poemas (XXVII)


A IV Bienal de Poesia de Silves editou uma coleção de postais, divulgando poemas de cada um dos convidados.

Aqui os trago, paulatinamente, a cada segunda-feira.

Este é o antepenúltimo.

IV Bienal de Poesia de Silves, postais
  • ela escrevia cartas de amor e algumas tinham
    o movimento da luz e das datas inteiras. entre elas
    as mãos abertas e o antónimo delas mesmas, às vezes
    sobre a mesa até pareciam verdadeiras. pensara muito nisto
    e no lume quente do inverno a assinar o ponto
    mais seguro na casa. ... (...)