Mistérios de Lisboa, filme português com base num texto de Camilo Castelo Branco, realizado pelo chileno Raúl Ruiz, recebeu o prémio Louis Delluc para o melhor filme do ano em França.
terça-feira, dezembro 21, 2010
segunda-feira, dezembro 20, 2010
Um poema a cada segunda-feira (V)
Decidi-me por uma rubrica de poesia à segunda-feira, enquanto assim se mantiver este meu ânimo.
Irei aqui colocando poemas que o critério do momento vier a ditar.
- FRENTE A FRENTE
Estou diante de ti e não sei se revês
o mesmo nome sob
um rosto legendado
Frente a frente é exacto o que mudou
o que vejo diante do que sou
o que tu és perante o que não sabes
Estás diante de mim mudaste tanto
que não mudaste
e posso convocar para te descrever
as imagens passadas que revestem
as paredes do poço destinado a ser casa
Poemas de Gastão Cruz
ditos por Luís Miguel Cintra
Assírio & Alvim / Sons, Lisboa 2005
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quinta-feira, dezembro 16, 2010
O Teatro Mosca esteve no CAPa, em Faro
Terminou no CAPa, em Faro, o circuito de apresentação deste trabalho do teatromosca, baseado num texto de John Berger, autor de origem britânica.
Esta encenação é a primeira de uma trilogia, a apresentar ao longo de 2011, baseada em obras do mesmo autor, dramatizadas e encenadas pelo teatromosca.
Enquanto os espetadores entram e se arrumam na sala, já na cena os atores se envolvem no ato de desmontagem de algumas mesas e outros estrados, de idênticas dimensões, construídos com ripas de madeira.
A desmontagem conduz à construção de uma outra configuração e arrumo das peças, como num puzzle.
Os atores vão iniciando um diálogo que serve a identificação dos personagens - três homens e uma mulher. Começamos a entender que se trata de habitantes de uma aldeia numa zona montanhosa de França e que um dos mitos locais ronda em volta de um animal - Cocadrille - que, se não for parado no momento em que sai de um ovo de serpente, chocado por um galo, acabará por liquidar tudo à sua volta.
Cocadrilha é como os homens nomeiam a mulher, descrita como se tivesse 1,25m de altura, sem peito e sem ancas.
Enquanto os diálogos se sucedem, a construção vai tomando a forma de uma pirâmide e começamos a aperceber-nos de que, apesar do nome de cada um dos personagens, eles se assumem como qualquer um dos outros e por vezes as frases repercutem-se na voz de cada um, num efeito cénico que interpretei como o da assunção do coletivo, como se todos fizessem parte de um todo maior; o todo da comunidade aldeã.
Mundo rural: comunidade fechada, os mitos e a sua função de controlo social, em presença permanente nas falas dos personagens.
A construção da pirâmide terminada, como símbolo do fascínio pelo desconhecido, pela cidade, neste caso Paris e a Torre Eiffel, contada por Jean, regressado da guerra, num discurso irónico sobre o comportamento dos citadinos, viajando como toupeiras na rede do metropolitano, a apelar ao riso da comunidade, num misto de sarcasmo e encantamento.
De novo a guerra, a morte, a denúncia, a quebra de laços familiares e comunitários, o afastamento de Cocadrilha para a montanha e a construção de uma nova disposição cenográfica a sugerir a montanha onde a mulher se refugiou, e onde, além da labuta diária, inicia o contrabando dos seus produtos na zona de fronteira.
Um texto literário, de muita profundidade, a servir um excelente jogo cénico, com atores muito bem preparados.
Uma reflexão que nos ajuda a entender estes mundos isolados, campesinos, que receiam o progresso, mas tendem a desaparecer inexoravelmente, fechados sobre si próprios.
Parabéns ao CAPa pela iniciativa do convite a esta companhia, que eu já conhecia de KIP (uma reflexão sobre o caso de Columbine) e aqui garanto a minha atenção para quando se iniciar a tournée da prometida trilogia.
P.S. :
Entretanto o Luís Ene (clique) apresenta fotografias do espetáculo.
Esta encenação é a primeira de uma trilogia, a apresentar ao longo de 2011, baseada em obras do mesmo autor, dramatizadas e encenadas pelo teatromosca.
Enquanto os espetadores entram e se arrumam na sala, já na cena os atores se envolvem no ato de desmontagem de algumas mesas e outros estrados, de idênticas dimensões, construídos com ripas de madeira.
A desmontagem conduz à construção de uma outra configuração e arrumo das peças, como num puzzle.
Os atores vão iniciando um diálogo que serve a identificação dos personagens - três homens e uma mulher. Começamos a entender que se trata de habitantes de uma aldeia numa zona montanhosa de França e que um dos mitos locais ronda em volta de um animal - Cocadrille - que, se não for parado no momento em que sai de um ovo de serpente, chocado por um galo, acabará por liquidar tudo à sua volta.
Cocadrilha é como os homens nomeiam a mulher, descrita como se tivesse 1,25m de altura, sem peito e sem ancas.
Enquanto os diálogos se sucedem, a construção vai tomando a forma de uma pirâmide e começamos a aperceber-nos de que, apesar do nome de cada um dos personagens, eles se assumem como qualquer um dos outros e por vezes as frases repercutem-se na voz de cada um, num efeito cénico que interpretei como o da assunção do coletivo, como se todos fizessem parte de um todo maior; o todo da comunidade aldeã.
Mundo rural: comunidade fechada, os mitos e a sua função de controlo social, em presença permanente nas falas dos personagens.
A construção da pirâmide terminada, como símbolo do fascínio pelo desconhecido, pela cidade, neste caso Paris e a Torre Eiffel, contada por Jean, regressado da guerra, num discurso irónico sobre o comportamento dos citadinos, viajando como toupeiras na rede do metropolitano, a apelar ao riso da comunidade, num misto de sarcasmo e encantamento.
De novo a guerra, a morte, a denúncia, a quebra de laços familiares e comunitários, o afastamento de Cocadrilha para a montanha e a construção de uma nova disposição cenográfica a sugerir a montanha onde a mulher se refugiou, e onde, além da labuta diária, inicia o contrabando dos seus produtos na zona de fronteira.
Um texto literário, de muita profundidade, a servir um excelente jogo cénico, com atores muito bem preparados.
Uma reflexão que nos ajuda a entender estes mundos isolados, campesinos, que receiam o progresso, mas tendem a desaparecer inexoravelmente, fechados sobre si próprios.
Parabéns ao CAPa pela iniciativa do convite a esta companhia, que eu já conhecia de KIP (uma reflexão sobre o caso de Columbine) e aqui garanto a minha atenção para quando se iniciar a tournée da prometida trilogia.
P.S. :
Entretanto o Luís Ene (clique) apresenta fotografias do espetáculo.
segunda-feira, dezembro 13, 2010
Um poema a cada segunda-feira (IV)
Decidi-me por uma rubrica de poesia à segunda-feira, enquanto assim se mantiver este meu ânimo.
Irei aqui colocando poemas que o critério do momento vier a ditar.
- À ROMÃZEIRA QUE ESTÁ A SECAR
Todos os diálogos acabam no silêncio,
mesmo o murmúrio entre dedos e folhas,
quando o avesso da mão roça
a grande Natureza manifesta na árvore.
Era uma romãzeira em flor e fruto,
segura do seu reverdecer, loquaz.
Aos periquitos, na larga capoeira defronte,
respondia com o júbilo da mudez.
Mas ante mim, que a cantava e canto,
ela deixa-se estar como está um surdo
junto de um cego trovador lírico,
até que ambas aceitemos o fim.
Fiama Hasse Pais Brandão
Quinze Poetas Portugueses do Século XX
Seleção e prefácio de Gastão Cruz
Assírio & Alvim, Lisboa 2004
quinta-feira, dezembro 09, 2010
O que já terei eu escrito em... ?
Estava eu com o editor de mensagens aberto para iniciar um post quando me formulei a pergunta: o que já terei eu escrito em passados 9 de Dezembro?
Fui procurar e encontrei posts com esta data em dois anos passados: 2003 e 2008.
A minha comunicação de hoje, apesar da dupla tarefa, o que implica mais trabalho, é mera cópia, o que é mais simples.
Vou deixar-vos os links, mas esta página vai manter-se ativa; os posts de 2003 e 2008 aparecerão em novas páginas.
- Chegou o Natal (clique)
- No silêncio das abóbadas (clique)
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Um poema a cada segunda-feira (III)
Decidi-me por uma rubrica de poesia à segunda-feira, enquanto assim se mantiver este meu ânimo.
Irei aqui colocando poemas que o critério do momento vier a ditar.
- DA PEQUENA MORTE
Alimento a tua pele silenciosa
enquanto renovas a paz do meu sangue
a febre o sismo a transparente crueldade
onde naufragamos onde agora
o pão e o sol e o canto inventamos
A noite convoca o arco distendido
a ponte reconstruída
dos corpos amantes
Alimento com minhas armas vagarosas
a luz que nos une até aos ossos até
ao núcleo em que terra e fogo desfazem
no corpo a pequena imitação da morte
Casimiro de Brito
69 Poemas de Amor
4Águas Editora, Tavira 2008
quinta-feira, dezembro 02, 2010
TECHNOHENGE
Utilizando o nome do famoso monumento megalítico, Stonehenge, os construtores deste sítio na Second Life, deram um salto gigantesco da Idade da Pedra para a nossa era tecnológica, chamando ao seu produto - Technohenge.
É de facto uma construção admirável esta instalação multimédia, em 3D, que me permitiu percorrer todo esse corredor de círculos e passear-me a pé ou em voo, rodeado de sons eletrónicos e de partículas coloridas que se separam e reúnem produzindo efeitos feéricos.
Uma autêntica viagem no futuro.
Esta foto reproduz o que chamam Node, a 2050 m de altitude, mas na superfície há toda uma cidade de ficção científica a merecer uma visita.
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