sexta-feira, janeiro 14, 2011

A câmara em vez da arma (II)




(ao clicar nas fotos pode observá-las em maior dimensão)

Foram quatro "tiros" sucessivos com a câmara, no rio Arade, frente ao cais, em Silves. No último disparo já a ave estava atenta e levantou voo. Desse voo deixei aqui uma imagem, num post com data de 30 de Dezembro.

Pelo que tentei saber, trata-se de uma garça-branca-pequena (egretta garzetta). Alguém quer fazer o favor de o confirmar? Obrigado.

P.S.
A primeira vez que usei este título, foi aqui.

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quarta-feira, janeiro 12, 2011

Ao ritmo dos ciclos que a natureza impõe



Passada a avalanche, a paisagem ganha este ar de tranquilidade e a luz parece sorrir, de novo, como se nada tivesse acontecido.

Mas sob a água, barrenta, há um torvelinho de miríades de partículas que lutam por não descer à profundidade sombria do leito do rio. É nelas que se gera já o movimento que trará a nova tempestade, a não ser que o sol ou o tempo, na sua demora, façam por tudo contrariar.

O rio, no entanto, irá sempre envelhecendo ao ritmo dos ciclos que a natureza impõe.

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segunda-feira, janeiro 10, 2011

Um poema a casa segunda-feira (VIII)




Decidi-me por uma rubrica de poesia à segunda-feira, enquanto assim se mantiver este meu ânimo.


Irei aqui colocando poemas que o critério do momento vier a ditar.




  • NÃO SEI...

    Não sei. Falta-me um sentido, um tacto
    Para a vida, para o amor, para a glória...
    Para que serve qualquer história,
    Ou qualquer facto?

    Estou só, só como ninguém ainda esteve,
    Oco dentro de mim, sem depois nem antes.
    Parece que passam sem ver-me os instantes,
    Mas passam sem que o seu passo seja leve.

    Começo a ler, mas cansa-me o que inda não li.
    Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir.
    O sonho pesa-me antes de o ter. Sentir
    É tudo uma coisa como qualquer coisa que já vi.

    Não ver nada, ser uma figura de romance,
    Sem vida, sem morte material, uma ideia,
    Qualquer coisa que nada tornasse útil ou feia,
    Uma sombra num chão irreal, um sonho num transe.
Álvaro de Campos
Obras Completas de Fernando Pessoa
POESIAS de Álvaro de Campos
Editorial Nova Ática, Lisboa 2006

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quarta-feira, janeiro 05, 2011

Recordando Lhasa de Sela


Lhasa morreu fez agora um ano pelo 1º de janeiro.

O blogue da bitsounds recorda-a através do link atrás e deste vídeo que incorporei abaixo.





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segunda-feira, janeiro 03, 2011

Um poema a cada segunda-feira (VII)




Decidi-me por uma rubrica de poesia à segunda-feira, enquanto assim se mantiver este meu ânimo.


Irei aqui colocando poemas que o critério do momento vier a ditar.




  • MEDITAÇÃO SOBRE RUÍNAS

    Desembarcou numa sala sem dourados nem cadeiras:
    madeiras velhas, jarras com flores de plástico, janelas
    de vidros partidos para a auto-estrada. Nem vento,
    nem mar: só o ruído dos carros entrava pelas fendas
    para ecoar no tecto (madeiras à vista entre os restos
    de estuque). Depois, na rua, pendurou-se nos ferros podres
    de antigas varandas. Percebia-se, por entre os arbustos
    que invadiam tudo, uma vista que teria sido digna
    de um quadro romântico. O vale, coberto de casas, e
    os montes invadidos por ferro-velho, ocultam um passado
    de rebanhos e pastores. Mas talvez não se tenha ouvido aqui
    a música da flauta. Com efeito, esta casa limita-se
    a guardar antigos silêncios, que o uso transformou em manchas
    sépia na memória. Agora, confundem-se com a cor das paredes;
    e só abrigam tocas de répteis, que apenas se adivinham,
    no inverno, escondidos do universo. Mas alguém passou por aqui,
    há pouco; e um monte de madeira fumega, ainda, enquanto
    o sol avança a partir do nascente, onde as cores frias
    da madrugada não se dissipam, nem pássaro algum saúda
    o nascer do dia.
Nuno Júdice
Meditação sobre Ruínas, 1994
Poesia Reunida - 1967/2000
Publicações Dom Quixote, Lisboa 2000

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quinta-feira, dezembro 30, 2010

Vem aí um novo ano




 
Esta não será a melhor maneira de aguardar o novo ano.

Demasiado expectante.




Melhor esta.

Em pleno voo, traçar a rota e cumpri-la, sem negar as necessárias adaptações à realidade das circunstâncias.


 
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segunda-feira, dezembro 27, 2010

Um poema a cada segunda-feira (VI)




Decidi-me por uma rubrica de poesia à segunda-feira, enquanto assim se mantiver este meu ânimo.


Irei aqui colocando poemas que o critério do momento vier a ditar.




  • SEMPRE A APRENDIZAGEM DO SOSSEGO

    Sempre a aprendizagem do sossego
    a evidência enigmática do silêncio
    não mais que um esboço a furtiva sombra
    da cor futura a ínfima inscrição
    do pólen

    a concha de sangue a sombra de uma folha
    o murmúrio de um delicado insecto
    a confiança num segredo que é espaço
    a adesão às linhas de uma pedra pura

    um abrigo da terra a semelhança
    uma sombra de vermelho ocre
    a cintilação da matéria o puro sabor
    de um fruto azul o natal letargo
    dentro do lúmen
António Ramos Rosa
Pólen-Silêncio, 1992
Antologia Poética
Publicações Dom Quixote, Lisboa 2001

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