quarta-feira, janeiro 19, 2011

Dupont et Dupond



Não sei como nem donde surgiram há algum tempo estes dois gansos no rio, trazendo-lhe alguma animação, pois há gente que se senta a observá-los e outros há que lhes lançam bocados de pão, a que eles acorrem, grasnando, céleres e desengonçados, nessa graça desconcertante do seu andar de palmípedes.
Dois outros patos, negros, também lhes fazem frequente companhia.

Fica o registo e  a curiosidade.
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segunda-feira, janeiro 17, 2011

Um poema a cada segunda-feira (IX)




Decidi-me por uma rubrica de poesia à segunda-feira, enquanto assim se mantiver este meu ânimo.


Irei aqui colocando poemas que o critério do momento vier a ditar.




  • OUVE

    Ouve:
    Como tudo é tranquilo e dorme liso;
    Claras as paredees, o chão brilha,
    E pintados no vidro da janela
    O céu, um campo verde, duas árvores.
    Fecha os olhos e dorme no mais fundo
    De tudo quanto nunca floresceu.
    Não toques nada, não olhes, não te lembres.
    Qualquer passo
    Faz estalar as mobílias aquecidas
    Por tantos dias de sol inúteis e compridos.

    Não te lembres, nem esperes.
    Não estás no interior de um fruto:
    Aqui o tempo e o sol nada amadurecem.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Coral, 1950
Poemas Portugueses - Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI
Porto Editora, Porto 2009

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sexta-feira, janeiro 14, 2011

A câmara em vez da arma (II)




(ao clicar nas fotos pode observá-las em maior dimensão)

Foram quatro "tiros" sucessivos com a câmara, no rio Arade, frente ao cais, em Silves. No último disparo já a ave estava atenta e levantou voo. Desse voo deixei aqui uma imagem, num post com data de 30 de Dezembro.

Pelo que tentei saber, trata-se de uma garça-branca-pequena (egretta garzetta). Alguém quer fazer o favor de o confirmar? Obrigado.

P.S.
A primeira vez que usei este título, foi aqui.

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quarta-feira, janeiro 12, 2011

Ao ritmo dos ciclos que a natureza impõe



Passada a avalanche, a paisagem ganha este ar de tranquilidade e a luz parece sorrir, de novo, como se nada tivesse acontecido.

Mas sob a água, barrenta, há um torvelinho de miríades de partículas que lutam por não descer à profundidade sombria do leito do rio. É nelas que se gera já o movimento que trará a nova tempestade, a não ser que o sol ou o tempo, na sua demora, façam por tudo contrariar.

O rio, no entanto, irá sempre envelhecendo ao ritmo dos ciclos que a natureza impõe.

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segunda-feira, janeiro 10, 2011

Um poema a casa segunda-feira (VIII)




Decidi-me por uma rubrica de poesia à segunda-feira, enquanto assim se mantiver este meu ânimo.


Irei aqui colocando poemas que o critério do momento vier a ditar.




  • NÃO SEI...

    Não sei. Falta-me um sentido, um tacto
    Para a vida, para o amor, para a glória...
    Para que serve qualquer história,
    Ou qualquer facto?

    Estou só, só como ninguém ainda esteve,
    Oco dentro de mim, sem depois nem antes.
    Parece que passam sem ver-me os instantes,
    Mas passam sem que o seu passo seja leve.

    Começo a ler, mas cansa-me o que inda não li.
    Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir.
    O sonho pesa-me antes de o ter. Sentir
    É tudo uma coisa como qualquer coisa que já vi.

    Não ver nada, ser uma figura de romance,
    Sem vida, sem morte material, uma ideia,
    Qualquer coisa que nada tornasse útil ou feia,
    Uma sombra num chão irreal, um sonho num transe.
Álvaro de Campos
Obras Completas de Fernando Pessoa
POESIAS de Álvaro de Campos
Editorial Nova Ática, Lisboa 2006

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quarta-feira, janeiro 05, 2011

Recordando Lhasa de Sela


Lhasa morreu fez agora um ano pelo 1º de janeiro.

O blogue da bitsounds recorda-a através do link atrás e deste vídeo que incorporei abaixo.





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segunda-feira, janeiro 03, 2011

Um poema a cada segunda-feira (VII)




Decidi-me por uma rubrica de poesia à segunda-feira, enquanto assim se mantiver este meu ânimo.


Irei aqui colocando poemas que o critério do momento vier a ditar.




  • MEDITAÇÃO SOBRE RUÍNAS

    Desembarcou numa sala sem dourados nem cadeiras:
    madeiras velhas, jarras com flores de plástico, janelas
    de vidros partidos para a auto-estrada. Nem vento,
    nem mar: só o ruído dos carros entrava pelas fendas
    para ecoar no tecto (madeiras à vista entre os restos
    de estuque). Depois, na rua, pendurou-se nos ferros podres
    de antigas varandas. Percebia-se, por entre os arbustos
    que invadiam tudo, uma vista que teria sido digna
    de um quadro romântico. O vale, coberto de casas, e
    os montes invadidos por ferro-velho, ocultam um passado
    de rebanhos e pastores. Mas talvez não se tenha ouvido aqui
    a música da flauta. Com efeito, esta casa limita-se
    a guardar antigos silêncios, que o uso transformou em manchas
    sépia na memória. Agora, confundem-se com a cor das paredes;
    e só abrigam tocas de répteis, que apenas se adivinham,
    no inverno, escondidos do universo. Mas alguém passou por aqui,
    há pouco; e um monte de madeira fumega, ainda, enquanto
    o sol avança a partir do nascente, onde as cores frias
    da madrugada não se dissipam, nem pássaro algum saúda
    o nascer do dia.
Nuno Júdice
Meditação sobre Ruínas, 1994
Poesia Reunida - 1967/2000
Publicações Dom Quixote, Lisboa 2000

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