segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XII)




Decidi-me por uma rubrica de poesia à segunda-feira, enquanto assim se mantiver este meu ânimo.


Irei aqui colocando poemas que o critério do momento vier a ditar.





  • ... / ...
    Subiram os óleos da terra
    Minha mãe de azeite
    Desceram estrelas do céu

    Verdes sereias
    Vinhos rubros
    Vinhos de areias
    Minha mãe de pão
    Minha mãe de broa
    Teu corpo falou
    Tudo embranqueceu
    Teu corpo dansou
    Aconteceu

    Conchinhas do mar e das ruas
    Peixe de estrela e de terra e deserto
    E vem maresia
    Volvendo do mar
    Maria Maria
    Teus lábios molhados
    Os de beijos meus
    Maria baiana
    Ana de frôr de concha sereia
    Maria baiana
    Estremeceu...

    ... Eu loira e morena
    Xarém e vieira
    Jagunço na ialva
    Meu doce que brigo
    Bravura do céu
    Destemor antigo
    Desfraldou caravela
    O sangue brotou
    A rosa vermelha
    Seu rosto marcou
    Rosto de canela
    Vermelho de sangue
    Coração bateu
    Bateu uma vez
    Os braços ergueu
    Bateu outra vez
    Electro-rangeu
    Bateu a terceira
    Menino brincou
    No seu coração
    Sonho meu
    Sonho seu
    Iemanjá
    Maria
    Sinhá
    ... / ...

Francisco Palma Dias
Excerto de ODE IMPERIAL
Guimarães Editores, Lisboa 1983

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quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Que o Ano do Coelho seja um ano de liberdade


(Foto copiada de China.Org)

Com a Lua Nova,  os chineses dão início às comemorações do Novo Ano, o de 4648 da sua era.
Corresponde na sua cultura a um dos seus 12 signos (como no Zodíaco), que recebem nomes de animais. Este irá ser o Ano do COELHO.

O meu voto das maiores felicidades a todos os chineses.

Os recentes acontecimentos, primeiro na Tunísia e agora também no Egipto e noutros países do Médio Oriente, com estas revoltas populares a reivindicar o fim das autocracias que os dominam há demasiado tempo, numa ânsia enorme de liberdade, trouxeram-me à mente os horrores da Praça de Tiananmen em 1989.

O caos que hoje se instalou no Cairo, fez-me recear o pior.

Estas sociedades sem liberdade, na China, no Egipto, onde quer que existam, são capazes de tudo para manter o status quo.

Remeto-vos para A Terceira Noite (clique), que comenta um artigo de Bernard Guetta no Libération, precisamente sobre esta situação que não se sabe como irá terminar e que tanta esperança despoletou.

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segunda-feira, janeiro 31, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XI)




Decidi-me por uma rubrica de poesia à segunda-feira, enquanto assim se mantiver este meu ânimo.


Irei aqui colocando poemas que o critério do momento vier a ditar.




  • MAR NOSSO

    Emocionadamente
    te reencontro
                              hoje
                                    e
                              sempre
    Mar nosso
    que estás na terra
                              nesta minha
                              tua nossa
                              terra
    e és sempre a mesma bênção
    de água
    a mesma mágoa
    doce
              o mesmo indizível júbilo
Teresa Rita Lopes
O Sul dos Meus Sonhos
Gente Singular, Olhão 2009

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quinta-feira, janeiro 27, 2011

A minha achega às Presidenciais


(Foto copiada de uma das sondagens)


Na perspetiva legal, o Sr. Presidente da República foi eleito por 52,94% (aproximadamente 53%) dos votos expressos nas urnas.

A abstenção atingiu os 53,37% (aproximadamente 53%) ou seja, só cerca de 47% dos cidadãos maiores de 18 anos votaram.

Pelas minhas contas e sem intenção de contestar a eleição do Presidente, que não está em causa nesta minha "achega", o Presidente da República foi eleito por 53% dos 47% dos cidadãos que votaram, ou seja por cerca de 25% dos cidadãos com direito a voto.

O voto é um direito e não um dever legal.

Os cidadãos podem usar do seu direito a recusar votar e a exprimir desse modo o seu descontentamento ou o seu desinteresse pela coisa pública.

Este número que acima apresentei (25%) é o reflexo real destas eleições e não meras contas a fazer de conta.

Isto está muito mau, meus amigos, mas não é preciso rever a lei por este motivo, mas sim pela necessária aproximação aos cidadãos e à prática da cidadania.

Os partidos, sem exceção, têm que mudar antes que isto mude.

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segunda-feira, janeiro 24, 2011

Um poema a cada segunda-feira (X)




Decidi-me por uma rubrica de poesia à segunda-feira, enquanto assim se mantiver este meu ânimo.


Irei aqui colocando poemas que o critério do momento vier a ditar.




  • FOGO

    Vou moldar-te na ponta dos meus dedos
    e sem angústias nem medos
    matar a fome de ti.
    Vou apagar o fogo que por dentro
    me queima, teimoso e lento,
    desde a primeira hora em que te vi.

    Vou prender-te na teia de ternura
    que sempre me vela os olhos
    doidos à tua procura
    quando escapas dos meus sonhos.

    Vou dizer que te amo a toda a gente
    e gravar o teu nome nas esquinas,
    alheio de vez à má sina
    que tenta proibir-nos de ir em frente.
Torquato da Luz
Por Amor e outros poemas
Papiro Editora, Porto 2008

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sexta-feira, janeiro 21, 2011

Tunísia, hoje


Alertado por Rui Bebiano, do blog  A Terceira Noite , venho sugerir-vos que acompanhem estas vozes independentes que comentam a situação na Tunísia, em francês, inglês e árabe, no blog nawaat.


(foto copiada do blogue nawaat (clique), a ilustrar um texto sobre a emancipação da mulher)


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