segunda-feira, abril 11, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XXI)



Os autores até aqui representados nesta rubrica têm uma relação próxima com o Algarve: os primeiros através do Movimento Poesia 61, os que se lhe seguiram porque naturais ou residentes nesta região. Sophia foi a exceção, mas todos sabemos da sua proximidade a estas terras do Sul.
Quando das comemorações do Dia Mundial da Poesia, Paulo Pires, Técnico Superior da Biblioteca Municipal de Silves, compilou uma antologia que intitulou POESIA 21, porque se refere a 21 poetas e ao dia 21 de Março.
São trabalhos desses 21 poetas, jovens que se vêm afirmando no nosso mundo literário, que aqui passarei a incluir a partir de hoje.

  • Variação

    Regressas sempre aos versos
    A arte torpe das palavras
    A fala o fingimento de verdade
    A arte a canção dos mais pobres
    de todos os sobreviventes
    Calas quanto sabes mas escreves
    Por metáforas e símbolos
    as ruínas do corpo e do palato
    essa hostil lâmpada
    sabes que corremos como cortina
    escura o sentido literal da palavra
    Arda no silêncio com que
    nos afastamos ou morremos
    a palavra da esperança
    No longo silêncio que se arrasta
    nenhuma flor nos basta

António Carlos Cortez
à flor da pele
Casa do Sul, Évora 2007
Depois de Dezembro
Licorne, Évora 2010
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves

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quarta-feira, abril 06, 2011

Primavera em Carvoeiro






     





(ao clicar sobre as fotos pode vê-las ampliadas)


O Domingo amanheceu nublado.

Pela tarde saí a passear, mas nem levei a máquina fotográfica.
Pouco depois de ter chegado a Carvoeiro o Sol rompeu, e para poder testemunhar este belo dia de Primavera tive que fazer uso da câmara do meu telemóvel, que até nem se sai mal em boas condições de luz. :)

Aí estão as flores silvestres e o recorte ocre da falésia, a escadaria azul e branca como um reflexo do mar e da espuma das suas ondas e, junto à praia, o colorido dos barcos de pesca tradicionais, cujos tons parecem barrar também as paredes dos restaurantes e cafés do pequeno largo.

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segunda-feira, abril 04, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XX)




Decidi-me por uma rubrica de poesia à segunda-feira, enquanto assim se mantiver este meu ânimo.


Irei aqui colocando poemas que o critério do momento vier a ditar.





  • Entre o real e o que nos oferecem
    o intervalo que nos separa de nós mesmos
    uma densa camada de lama
    besuntada no cérebro

    nos dias que correm somos gaivotas
    atascadas num imenso mar de crude
Miguel Godinho
Os nossos dias
4 Águas Editora, Tavira, 2009

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quarta-feira, março 30, 2011

Verde que te quiero verde



(Com um clique pode aceder à imagem ampliada)
(Foto batida a partir do paredão da Barragem do Arade, em Silves, no passado dia 13)

Ocorreu-me o poema de Garcia Lorca. (clique aqui para aceder ao poema)

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segunda-feira, março 28, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XIX)




Decidi-me por uma rubrica de poesia à segunda-feira, enquanto assim se mantiver este meu ânimo.


Irei aqui colocando poemas que o critério do momento vier a ditar.





  • Desce do orgasmo
    a mulher que vai a pé.

    Desce as escaleiras para a praia

    esta mulher que vai a pé quando
    abre os braços e
    viaja.

    Alguém que passa de carro
    não percebe os aliviados degraus
    quando a mulher que vai a pé
    vai a pé e viaja.

    Abunda ainda o eco duma levíssima alegria...

    Desce linda do orgasmo
    a mulher que vai a pé
    e viaja.
Rui Dias Simão
Os Animais da Cabeça
4 Águas Editora, Tavira, 2008

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quarta-feira, março 23, 2011

O brilho da LUA


(Lua Cheia no passado sábado à noite)

Estão aí a Lua Cheia e a Primavera.

O fenómeno do passado sábado com a Lua tornou-se um fenómeno social; falaram-me dele várias e diversas pessoas com quem me encontrei ao longo do dia. Estranhei a importância dada ao fenómeno, mas não sou sociólogo, nem antropólogo e muito menos astrónomo ou astrólogo.

Como todos parecemos preocupados com a política, ainda me ocorreu que isto teria a ver com o Sócrates ou a eventualidade de termos que apanhar com o seu sósia, Passos Coelho.

Vá-se lá saber!

Vou antes derivar para a música.

Trago-vos Billie Holiday.

Hoje, para cantar, como já aconteceu noutros períodos em que a forma parece querer suplantar o conteúdo, usam-se artifícios com a voz, mas poucos sabem, como a Billie,  fazer vibrar, de dentro de si mesmos, esta caixa de ressonância do profundo sentir, cantando como quem chora aquela dor que Camões dizia que "desatina sem doer".

(clique acima)


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segunda-feira, março 21, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XVIII)




Decidi-me por uma rubrica de poesia à segunda-feira, enquanto assim se mantiver este meu ânimo.


Irei aqui colocando poemas que o critério do momento vier a ditar.




  • PERFÍDIA

    incrível como se ama
    qualquer animal
    recém-nascido.
    por isso, ainda
    que em vão, amamos
    o amor quando nasce, esse
    animal que em criança
    alimentamos,
    e que um dia
    nos comerá o coração.
Tiago Nené
Polishop
Colección PALABRA IBÉRICA, Ayuntamiento de Punta Umbria, 2010

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