quarta-feira, maio 11, 2011

Conserva de calor



(Ao clicar sobre a foto pode aceder à sua ampliação)

São estes muros brancos, de cal, onde a luz e o calor se refletem, e a frescura e a sombra destas plantas, que tornam mais ameno o calor do Verão nestas terras do Sul.

É também no interior destes largos muros e no interior destas casas, de portas e janela fechadas, que se conserva o calor até ao Inverno que há-de chegar.

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segunda-feira, maio 09, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XXV)



Até à vigésima edição desta rubrica, os autores aqui representados tinham uma relação próxima com o Algarve: os primeiros através do Movimento Poesia 61, os que se lhe seguiram porque naturais ou residentes nesta região. Sophia foi a exceção, mas todos sabemos da sua proximidade a estas terras do Sul.
Quando das comemorações do Dia Mundial da Poesia, Paulo Pires, Técnico Superior da Biblioteca Municipal de Silves, compilou uma antologia que intitulou POESIA 21, porque se refere a 21 poetas e ao dia 21 de Março.
São trabalhos desses 21 poetas, jovens que se vêm afirmando no nosso mundo literário, que aqui estou a incluir.

  • EM TODA A CASA

    pelas paredes cheira ainda à tua pele cutânea

    mas desde que te foste estar aqui é oco,
    cansativo, uma espera. E às vezes (como se
    tivéssemos chorado) respirar custa.

    sobretudo nada apetece.
    sair para a rua? Ir então em frente a repetir
    os passos, passear nas avenidas a espaçar as
    horas – dispersar a espera?

    tudo cinzento. Choverá?
    aqui é que não fico. No quarto onde dormimos
    o espaço sobra, e cada coisa já morreu ou está a mais.
    em toda a casa uma violência subterrânea:
    a tua ausência

João Habitualmente
Notícias do Pensamento Desconexo
Edições Mortas, Porto 2003
Os Animais Antigos
Objecto Cardíaco, Vila do Conde 2006
O Problema de Ser Norte
Deriva Editores, Porto 2008
De minha máquina com teu corpo, Cadernos do Campo
Alegre/14

Fundação Ciência e Desenvolvimento, Porto 2010
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves

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sexta-feira, maio 06, 2011

terça-feira, maio 03, 2011

A propósito do assassinato de Osama bin Laden




Melhor do que alguma vez eu o diria, o blog JUGULAR publicou uma análise de Paulo Pinto sobre o assassinato de Osama bin Laden.

Clicar no link acima, para aceder a esse blog, é a oportunidade para se confrontar com uma análise de rigor e clarividência, que o habilitará criticamente face às mensagens, imagens e toda a parafernália dos média, que durante os próximos dias invadirão os jornais, a televisão, a Internet... e as cabeças de biliões de pessoas por todo o mundo.

Clique, leia e ajude-se na formação da sua opinião.

Eu subscreveria o texto do Paulo Pinto.

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segunda-feira, maio 02, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XXIV)



Até à vigésima edição desta rubrica, os autores aqui representados tinham uma relação próxima com o Algarve: os primeiros através do Movimento Poesia 61, os que se lhe seguiram porque naturais ou residentes nesta região. Sophia foi a exceção, mas todos sabemos da sua proximidade a estas terras do Sul.
Quando das comemorações do Dia Mundial da Poesia, Paulo Pires, Técnico Superior da Biblioteca Municipal de Silves, compilou uma antologia que intitulou POESIA 21, porque se refere a 21 poetas e ao dia 21 de Março.
São trabalhos desses 21 poetas, jovens que se vêm afirmando no nosso mundo literário, que aqui estou a incluir.

  • ODE LOUCA

    Todos os homens têm o seu rio.
    Lamentam-no sentados no interior das casas
    de interior e como o poeta que escreve a lápis
    apagam a memória com a sua água.
    Os rios abandonam os homens que envelhecem
    longe da infância, e eles choram
    o reflexo absurdo na distância.
    Por vezes, enlouquecem os rios, os homens,
    os poetas nas palavras repetidas
    que buscam uma ode que lhes diga
    a textura. Todos procuram o mesmo:
    um lugar de água mais limpa
    ou um espelho que não lhes negue
    a hipótese do reflexo.
    O rio sofre mais do que o homem,
    o poeta,
    porque dele se espera que nos devolva
    a imagem de tudo, menos de si próprio.
    Todos os rios têm o seu narciso,
    mas poucos, muito poucos,
    o simples reflexo das suas águas.

Filipa Leal
Talvez os Lírios Compreendam, Cadernos do Campo Alegre/8
Fundação Ciência e Desenvolvimento, Porto 2004
A Cidade Líquida e Outras Texturas
Deriva Editores, Porto 2006
O Problema de Ser Norte
Deriva Editores, Porto 2008
A Inexistência de Eva
Deriva Editores, Porto 2009
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves

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quinta-feira, abril 28, 2011

Fui a Beja por causa de Mértola




Estive ontem em Beja.
Desloquei-me propositadamente para assistir ao colóquio a que se refere o cartaz acima.

Embora tivesse apreciado as intervenções e de ter sido agradável o convívio, este colóquio ficou de certo modo aquém das minhas expetativas.
Programado, certamente, em função da divulgação do 6º Festival Islâmico (veja-se o 6 no cartaz do colóquio), e tendo como alvo um público próximo do Instituto Politécnico de Beja, natural seria que abordagem não fosse dirigida a iniciados.
Não me apercebi à partida desta situação e confesso que me disponibilizei a ir a Beja, sobretudo, por causa de um Workshop de Escrita árabe. Imaginei eu que poderia aperfeiçoar o meu traço e expressividade em torno dos caracteres árabes (o desejo ilude), mas afinal tratava-se de um workshop de iniciação, o primeiro contacto com os símbolos dessa escrita tão bela e harmoniosa.

Deixo-vos o link para o blog do colóquio - coloquioseseb.blogspot.com - a partir do qual é possível aceder ao blog oficial do Festival Islâmico e seu programa, bem como aos sites do Campo Arqueológico, do Museu e da Câmara Municipal de Mértola.

Dia 19 de Maio inicia-se o Festival, que durará até dia 22 e eu vou lá estar, pelo menos  nessa quinta-feira do arranque e conto ficar para o concerto da noite com Eduardo Paniagua.

Aconselho todos a visitar o FESTIVAL e a respirar a sua atmosfera tão autêntica.


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segunda-feira, abril 25, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XXIII)



Até à vigésima edição desta rubrica, os autores aqui representados tinham uma relação próxima com o Algarve: os primeiros através do Movimento Poesia 61, os que se lhe seguiram porque naturais ou residentes nesta região. Sophia foi a exceção, mas todos sabemos da sua proximidade a estas terras do Sul.
Quando das comemorações do Dia Mundial da Poesia, Paulo Pires, Técnico Superior da Biblioteca Municipal de Silves, compilou uma antologia que intitulou POESIA 21, porque se refere a 21 poetas e ao dia 21 de Março.
São trabalhos desses 21 poetas, jovens que se vêm afirmando no nosso mundo literário, que aqui estou a incluir.

  • DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS

    Considera este poema
    num impresso de IRS;
    considera que to dou de seguida
    como quem entrega o modelo 2.

    Considera a prestação de serviços,
    os encargos dedutíveis,
    as retenções na fonte,
    o total uma vogal gorda.

    Considera ainda as deslocações
    no sujeito passivo,
    a profissão de desgaste rápido,
    o consumo de água e de energia.

    Considera as correcções por excesso
    dos limites legais,
    as quotizações para o sindicato,
    os pagamentos dos serviços prestados
    por terceiros.

    Considera o mapa de
    amor
    tizações e reintegrações,
    o imobilizado corpóreo,
    o exercício reduzido a letras
    matemáticas de taxas e valores.

    Considera tudo isto:
    e paga o que deves.

Daniel Jonas
O Corpo está com o Rei
AEFLUP/CGD, Porto 1997
Moça Formosa, Lençóis de Veludo, Cadernos do Campo Alegre/6
Fundação Ciência e Desenvolvimento, Porto 2002
Os Fantasmas Inquilinos
Cotovia, Lisboa 2005
Sonótono
Cotovia, Lisboa 2007
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves

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