quarta-feira, maio 18, 2011

FESTIVAL ISLÂMICO DE MÉRTOLA




Está aí o Festival Islâmico de Mértola, com início amanhã (19).

Lá estarei para a conferência e debate a ter lugar no dia de abertura, pelas 15h00, no Auditório do Parque Natural do Vale do Guadiana - Diálogo e Cidadania no Mediterrâneo.

Interessados em saber mais sobre esta conferência podem clicar aqui.

Mais informações sobre o Festival, aqui.

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segunda-feira, maio 16, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XXVI)



Quando das comemorações do Dia Mundial da Poesia, Paulo Pires, Técnico Superior da Biblioteca Municipal de Silves, compilou uma antologia que intitulou POESIA 21, porque se refere a 21 poetas e ao dia 21 de Março.
São trabalhos desses 21 poetas, jovens que se vêm afirmando no nosso mundo literário, que aqui estou a incluir desde a XX edição.




  • CARA

    dá-me o teu rosto         finge que é o meu
    dá-me o rosto         finge que não é agora
    dá-me o rosto         ama-me como quem mastiga
    dá-me o rosto sem expressão que eu faço o resto
    dá-me o rosto p’ra chorar por ti
            sangrar por ti
            queimar pestanas por ti
            e corar por ti
    dá-me o rosto     um qualquer     um     um
    aquele que não faz falta e que dás às viúvas nos funerais
    dá-me o rosto     o da manhã     túmido cansado do que vai ser a seguir
    dá-me o rosto que eu prometo que não o estrago
    dá-me o rosto que eu     que eu     que eu ponho-lhe creme hidratante
    dá-me o rosto que o meu sobra-me
    está gasto
    foi p’ra longe
    o meu não sei     acho que até o esqueci
    dá-me o rosto     aquele que já não vês       que eu prometo usá-lo como se [fosse meu

João Negreiros
luto lento
Papiro Editora, Porto 2008
o cheiro da sombra das flores
Papiro Editora, Porto 2009
a verdade dói e pode estar errada
Saída de Emergência, Parede 2010
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves

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quarta-feira, maio 11, 2011

Conserva de calor



(Ao clicar sobre a foto pode aceder à sua ampliação)

São estes muros brancos, de cal, onde a luz e o calor se refletem, e a frescura e a sombra destas plantas, que tornam mais ameno o calor do Verão nestas terras do Sul.

É também no interior destes largos muros e no interior destas casas, de portas e janela fechadas, que se conserva o calor até ao Inverno que há-de chegar.

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segunda-feira, maio 09, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XXV)



Até à vigésima edição desta rubrica, os autores aqui representados tinham uma relação próxima com o Algarve: os primeiros através do Movimento Poesia 61, os que se lhe seguiram porque naturais ou residentes nesta região. Sophia foi a exceção, mas todos sabemos da sua proximidade a estas terras do Sul.
Quando das comemorações do Dia Mundial da Poesia, Paulo Pires, Técnico Superior da Biblioteca Municipal de Silves, compilou uma antologia que intitulou POESIA 21, porque se refere a 21 poetas e ao dia 21 de Março.
São trabalhos desses 21 poetas, jovens que se vêm afirmando no nosso mundo literário, que aqui estou a incluir.

  • EM TODA A CASA

    pelas paredes cheira ainda à tua pele cutânea

    mas desde que te foste estar aqui é oco,
    cansativo, uma espera. E às vezes (como se
    tivéssemos chorado) respirar custa.

    sobretudo nada apetece.
    sair para a rua? Ir então em frente a repetir
    os passos, passear nas avenidas a espaçar as
    horas – dispersar a espera?

    tudo cinzento. Choverá?
    aqui é que não fico. No quarto onde dormimos
    o espaço sobra, e cada coisa já morreu ou está a mais.
    em toda a casa uma violência subterrânea:
    a tua ausência

João Habitualmente
Notícias do Pensamento Desconexo
Edições Mortas, Porto 2003
Os Animais Antigos
Objecto Cardíaco, Vila do Conde 2006
O Problema de Ser Norte
Deriva Editores, Porto 2008
De minha máquina com teu corpo, Cadernos do Campo
Alegre/14

Fundação Ciência e Desenvolvimento, Porto 2010
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves

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sexta-feira, maio 06, 2011

terça-feira, maio 03, 2011

A propósito do assassinato de Osama bin Laden




Melhor do que alguma vez eu o diria, o blog JUGULAR publicou uma análise de Paulo Pinto sobre o assassinato de Osama bin Laden.

Clicar no link acima, para aceder a esse blog, é a oportunidade para se confrontar com uma análise de rigor e clarividência, que o habilitará criticamente face às mensagens, imagens e toda a parafernália dos média, que durante os próximos dias invadirão os jornais, a televisão, a Internet... e as cabeças de biliões de pessoas por todo o mundo.

Clique, leia e ajude-se na formação da sua opinião.

Eu subscreveria o texto do Paulo Pinto.

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segunda-feira, maio 02, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XXIV)



Até à vigésima edição desta rubrica, os autores aqui representados tinham uma relação próxima com o Algarve: os primeiros através do Movimento Poesia 61, os que se lhe seguiram porque naturais ou residentes nesta região. Sophia foi a exceção, mas todos sabemos da sua proximidade a estas terras do Sul.
Quando das comemorações do Dia Mundial da Poesia, Paulo Pires, Técnico Superior da Biblioteca Municipal de Silves, compilou uma antologia que intitulou POESIA 21, porque se refere a 21 poetas e ao dia 21 de Março.
São trabalhos desses 21 poetas, jovens que se vêm afirmando no nosso mundo literário, que aqui estou a incluir.

  • ODE LOUCA

    Todos os homens têm o seu rio.
    Lamentam-no sentados no interior das casas
    de interior e como o poeta que escreve a lápis
    apagam a memória com a sua água.
    Os rios abandonam os homens que envelhecem
    longe da infância, e eles choram
    o reflexo absurdo na distância.
    Por vezes, enlouquecem os rios, os homens,
    os poetas nas palavras repetidas
    que buscam uma ode que lhes diga
    a textura. Todos procuram o mesmo:
    um lugar de água mais limpa
    ou um espelho que não lhes negue
    a hipótese do reflexo.
    O rio sofre mais do que o homem,
    o poeta,
    porque dele se espera que nos devolva
    a imagem de tudo, menos de si próprio.
    Todos os rios têm o seu narciso,
    mas poucos, muito poucos,
    o simples reflexo das suas águas.

Filipa Leal
Talvez os Lírios Compreendam, Cadernos do Campo Alegre/8
Fundação Ciência e Desenvolvimento, Porto 2004
A Cidade Líquida e Outras Texturas
Deriva Editores, Porto 2006
O Problema de Ser Norte
Deriva Editores, Porto 2008
A Inexistência de Eva
Deriva Editores, Porto 2009
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves

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