sábado, junho 18, 2011
quinta-feira, junho 16, 2011
David Mourão Ferreira - 15 anos depois
Já lá vão 15 anos sobre a data em que David Mourão Ferreira partiu.
E POR VEZES
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
David Mourão Ferreira
Matura Idade, 1973
Poemas Portugueses - Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI
Poto Editora, Porto 2009
Matura Idade, 1973
Poemas Portugueses - Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI
Poto Editora, Porto 2009
terça-feira, junho 14, 2011
Dance... dance... otherwise we are lost (Pina Bausch)
Fui ontem à noite ver Pina, o filme. O CineClube de Faro conseguiu mostrá-lo, se bem que na sua versão 2D; os circuitos comerciais não revelaram interesse em prolongar a presença do filme em cartaz, para além de breves sessões, em algumas cidades.
A dança é um processo de comunicação algo hermético para os não iniciados, afinal como qualquer outra linguagem. Há que aprender a falar.. há que aprender a ler... há que aprender...
A linguagem de Pina é a das emoções e essas tocam-nos no mais recôndito lugar das nossas memórias afetivas. Sentimo-las como um estímulo, um choque, um sufoco, uma vibração e o nosso corpo reage num estremecimento, numa contração, num relaxamento, num embevecimento, num palpitar, numa tomada de ar, num sorriso, numa lágrima...
Wenders soube muito bem revelar esse espírito "bausch(iano)" de enquadrar os bailarinos num décor apropriado. A cena é não só o palco pensado ao mais ínfimo pormenor. Da cena faz parte até o som, o apoio musical, que não serve a coreografia do bailado, mas o apoia como um suporte cénico, mais até como uma outra linguagem, que apela à impressão necessária para despoletar a emoção precisa que pretende desencadear no espetador.
O palco é também a natureza ou a rua, a paisagem urbana, as grandes fábricas da era industrial, ou os cenários das grandes metrópoles contemporâneas.
As cenas de Café Muller continuam a ser as que mais me provocam e senti que foram essas também as que mais tocam o interesse de Wenders.
Este filme vai ficar-me para sempre na memória afetiva e não vejo a hora de me apropriar de uma cópia que possa ver e rever quando me der na gana.
A dança é um processo de comunicação algo hermético para os não iniciados, afinal como qualquer outra linguagem. Há que aprender a falar.. há que aprender a ler... há que aprender...
A linguagem de Pina é a das emoções e essas tocam-nos no mais recôndito lugar das nossas memórias afetivas. Sentimo-las como um estímulo, um choque, um sufoco, uma vibração e o nosso corpo reage num estremecimento, numa contração, num relaxamento, num embevecimento, num palpitar, numa tomada de ar, num sorriso, numa lágrima...
Wenders soube muito bem revelar esse espírito "bausch(iano)" de enquadrar os bailarinos num décor apropriado. A cena é não só o palco pensado ao mais ínfimo pormenor. Da cena faz parte até o som, o apoio musical, que não serve a coreografia do bailado, mas o apoia como um suporte cénico, mais até como uma outra linguagem, que apela à impressão necessária para despoletar a emoção precisa que pretende desencadear no espetador.
O palco é também a natureza ou a rua, a paisagem urbana, as grandes fábricas da era industrial, ou os cenários das grandes metrópoles contemporâneas.
As cenas de Café Muller continuam a ser as que mais me provocam e senti que foram essas também as que mais tocam o interesse de Wenders.
Este filme vai ficar-me para sempre na memória afetiva e não vejo a hora de me apropriar de uma cópia que possa ver e rever quando me der na gana.
segunda-feira, junho 13, 2011
Um poema a cada segunda-feira (XXX)
Quando das comemorações do Dia Mundial da Poesia, Paulo Pires, Técnico Superior da Biblioteca Municipal de Silves, compilou uma antologia que intitulou POESIA 21, porque se refere a 21 poetas e ao dia 21 de Março.
São trabalhos desses 21 poetas, gente que se vem afirmando no nosso mundo literário, que aqui estou a incluir desde a XX edição.
- ARTE PRIVADA
Deveria ter feito da minha música um amor mais silencioso
como se de uma arte privada se tratasse.
A ti, a quem falo de poesia, a ti
que assistes ao desenrolar de qualquer coisa que não compreendes,
respondo-te que também eu não compreendo,
que não há que compreender,
porque nada nos condena à fala
antes que as palavras aconteçam.
Por exemplo, esse poema começado numa manhã de Junho
e nunca terminado: um princípio de verão,
a janela que dá para o alcatrão sem tráfego serpenteando pelas colinas.
A rua de dia de semana
e o arquipélago da solidão despertando
para as poucas coisas que procuro
e que o poema irá entretecer
se entretecer. –
A virtude que, cega,
vai conhecendo o seu caminho.
Desprende-se um fio luminoso da impossibilidade das palavras,
e se ficamos tristes não era para ficarmos,
pois não existem momentos irrepetíveis.
Eles aninham-se no sangue
e voltam a mergulhar-nos na experiência:
um dia de verão, um bosque, colinas
onde a serpente de alcatrão se enrola.
A ausência de tráfego como motivo.
A pouco e pouco vou recuperando a gravura.
Agora sei que havia uma ave sobre as colinas,
pois há sempre uma ave, ou a sombra dela,
nos meus poemas. Que havia água,
o cheiro das inusitadas chuvas
pela manhã de Junho.
O rumor da imagem colado aos dedos.
O ocre escuro das areias espalhado na mesa
é um símbolo da infância,
mas não o reconheço ainda.
O poema é uma enumeração que não teve lugar,
que nunca terá. Eu, à beira do fracasso,
não o reconheço ainda.
Enquanto isso tem lugar em mim o advento
do que me define,
e o barro de que sou feito coze por dentro.
Luís Quintais
A Imprecisa Melancolia
Editorial Teorema, Lisboa 1995
Lamento
Cotovia, Lisboa 1999
Umbria
Pedra Formosa Edições, Guimarães 1999
Verso Antigo
Cotovia, Lisboa 2001
Angst
Cotovia, Lisboa 2002
Duelo
Cotovia, Lisboa 2004
Canto Onde
Cotovia, Lisboa 2006
Mais Espesso Que A Água
Cotovia, Lisboa 2008
Riscava a palavra dor no quadro negro
Cotovia, Lisboa 2010
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves
A Imprecisa Melancolia
Editorial Teorema, Lisboa 1995
Lamento
Cotovia, Lisboa 1999
Umbria
Pedra Formosa Edições, Guimarães 1999
Verso Antigo
Cotovia, Lisboa 2001
Angst
Cotovia, Lisboa 2002
Duelo
Cotovia, Lisboa 2004
Canto Onde
Cotovia, Lisboa 2006
Mais Espesso Que A Água
Cotovia, Lisboa 2008
Riscava a palavra dor no quadro negro
Cotovia, Lisboa 2010
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves
quinta-feira, junho 09, 2011
A "constatação", de Rui Tavares
segunda-feira, junho 06, 2011
Um poema a cada segunda-feira (XXIX)
Quando das comemorações do Dia Mundial da Poesia, Paulo Pires, Técnico Superior da Biblioteca Municipal de Silves, compilou uma antologia que intitulou POESIA 21, porque se refere a 21 poetas e ao dia 21 de Março.
São trabalhos desses 21 poetas, jovens que se vêm afirmando no nosso mundo literário, que aqui estou a incluir desde a XX edição.
- A INFÂNCIA DE HERBERTO HELDER
No princípio era a ilha
embora se diga
o Espírito de Deus
abraçava as águas
Nesse tempo
estendia-me na terra
para olhar as estrelas
e não pensava
que esses corpos de fogo
pudessem ser perigosos
Nesse tempo
marcava a latitude das estrelas
ordenando berlindes
sobre a erva
Não sabia que todo o poema
é um tumulto
que pode abalar
a ordem do universo agora
acredito
Eu era quase um anjo
escrevi relatórios
precisos
acerca do silêncio
Nesse tempo
ainda era possível
encontrar Deus
pelos baldios
Isso foi antes
de aprender a álgebra
José Tolentino Mendonça
A noite abre meus olhos [poesia reunida]
Assírio & Alvim, Lisboa 2010
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves
A noite abre meus olhos [poesia reunida]
Assírio & Alvim, Lisboa 2010
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves
sábado, junho 04, 2011
O Mundo do Trabalho no Sul de Portugal
Decorreu ontem em Portimão o Encontro "O Mundo do Trabalho no Sul de Portugal".
Faço-me eco do teor de uma comunicação, a que tive acesso por parte do seu autor, proferida durante o mencionado Encontro, sobre a situção da Fábrica do Inglês, em Silves, nomeadamente o seu Museu, laureado em 2001 como o Melhor Museu Industrial Europeu do ano.
Remeto-vos para o documento (clique) que apoiou a comunicação de Manuel Ramos, diretor do Museu.
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