segunda-feira, agosto 15, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XXXIX)



Quando das comemorações do Dia Mundial da Poesia, Paulo Pires, Técnico Superior da Biblioteca Municipal de Silves, compilou uma antologia que intitulou POESIA 21, porque se refere a 21 poetas e ao dia 21 de Março.
São trabalhos desses 21 poetas, gente que se vem afirmando no nosso mundo literário, que aqui estou a incluir desde a XX edição.



  • KARMA

e duvidamos dos instantes
mas não de todo o tempo,
dos versos mas não da poesia.
se alguém nos disser
que o tempo parece uma cascata de céus
acreditamos mais facilmente
do que se alguém disser
que nos ama.
e acreditamos nos poetas,
e não naqueles loucos
que dizem que uma pessoa
se mata muitas vezes
se tiver muitos corpos. e duvidamos
de certas palavras
mas não de todas as combinações
entre sílabas. acreditamos
na geração do movimento mas
não conseguimos sair do meio do caos.
e acreditamos nos tiros
que acabámos de ver partir
mas não que estamos
prestes a morrer.

Tiago Nené
Polishop
edição bilingue com tradução para espanhol de Santiago
Aguaded, colecção "Palavra Ibérica", Ayuntamento de Punta Umbria, 2010

Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves

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terça-feira, agosto 09, 2011

segunda-feira, agosto 08, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XXXVIII)



Quando das comemorações do Dia Mundial da Poesia, Paulo Pires, Técnico Superior da Biblioteca Municipal de Silves, compilou uma antologia que intitulou POESIA 21, porque se refere a 21 poetas e ao dia 21 de Março.
São trabalhos desses 21 poetas, gente que se vem afirmando no nosso mundo literário, que aqui estou a incluir desde a XX edição.



  • ABSINTO

Pouso a solidão na mesa
a imagem
há algo de social
agora que são poucos os que não dormem.
E os outros todos, os bilhões,
os colhões da humanidade
que se levantam de manhã
e não falam
exalam um odor seco e intoxicante
de vinho a martelo
mal encarados
pobres portuguesinhos
fechados a cadeado
achim e achado
bamos andando
calando e soltando as agressões
que há muito estavam mudas
e que nesta noite onde as ruas estão vazias
e nas casas nem sequer se fala
nem se discutem os mínimos problemas
da miséria e da mesquinhez.
no fundo, o pequeno grande português:
– Cale-se.

– Não me calo, mas ando na miséria,
protesto mas nem sequer falo,
sento-me debaixo de um autocarro,
discuto, grito e gesticulo,
mas calo-me.

Onde está esse gajo português de 500
que ia dar passeios de barco à vela
descobrindo novos caminhos?

Acho que esse gajo deve estar na paragem
há duas horas à espera do autocarro
para andar uma paragem
coxo, cheio de sacos de plástico.
Mas vai-se andando,
com o Inverno as dores pioram
só o salário e a pensão é que não pioram,
não sobem, nem descem
porque quase não existem.

Tiago Gomes
Auto-ajuda
Mariposa Azual, Lisboa, 2009
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves

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segunda-feira, agosto 01, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XXXVII)



Quando das comemorações do Dia Mundial da Poesia, Paulo Pires, Técnico Superior da Biblioteca Municipal de Silves, compilou uma antologia que intitulou POESIA 21, porque se refere a 21 poetas e ao dia 21 de Março.
São trabalhos desses 21 poetas, gente que se vem afirmando no nosso mundo literário, que aqui estou a incluir desde a XX edição.



  • "HE LOVED BEAUTY THAT LOOKED KIND OF DESTROYED. " (*)

Gostava dessa espécie de beleza
que podemos surpreender a cada passo,
desvelada pelo acaso numa esquina
de arrabalde; a beleza de uma casa devoluta
que foi toda a infância de alguém,
com visitas ao domingo e tardes no quintal
depois da escola; a beleza crepuscular
de alguns rostos num retrato de família
a preto e branco, ou a de certos hotéis
que conheceram há muito os seus dias de fulgor
e foram perdendo estrelas; a beleza condenada
que nos toma de repente, como um verso
ou o desejo, como um copo que se parte
e dispersa no soalho a frágil luz de um instante.
Gostava de tudo isso que o deixava muito a sós
consigo mesmo, essa espécie de beleza
arruinada
onde a vida encontra o espelho mais fiel.


(*) - James Gavin, Deep in a Dream: The Long Night of Chet Baker, Londres, Vintage, 2003, p.239.


Rui Pires Cabral
Geografia das Estações
edição de autor, Vila Real, 1994
A Super-Realidade
edição de autor, Vila Real, 1995
Música Antológica & Onze Cidades
Presença, Lisboa, 1997
Praças e Quintais
Averno, Lisboa, 2003
Longe da Aldeia
Averno, Lisboa, 2005
Capitais da Solidão
Teatro de Vila Real, Vila Real, 2006
Oráculos de Cabeceira
Averno, Lisboa, 2009
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves

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segunda-feira, julho 25, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XXXVI)



Quando das comemorações do Dia Mundial da Poesia, Paulo Pires, Técnico Superior da Biblioteca Municipal de Silves, compilou uma antologia que intitulou POESIA 21, porque se refere a 21 poetas e ao dia 21 de Março.
São trabalhos desses 21 poetas, gente que se vem afirmando no nosso mundo literário, que aqui estou a incluir desde a XX edição.



  • *

Foi a noite em que provámos as plantas da loucura.
O visitante bebia água no tanque e molhava a
fronte à passagem da coruja.
Disse que subiriam como névoa pelos braços quentes
as canções de outras línguas que cantámos.
Tão lentas eram que inclinavam ao
relento, tal a brisa do tanque por detrás da roupa.
Toda a memória havia passado em um corpo estranho,
nunca os olhos ficaram tão vagos antes de sorrirmos.

Quando partiu o
visitante deixou o último recado distribuído nos beirais.
Não provocou rasto nas veredas e nos remoinhos de água
mas dizem que aparece soterrado pela noite.
E ao amanhecer, sem que os galos já cantassem, descobrimos
uma a uma nos beirais as
flores do esquecimento.


Rui Coias
A Função do Geógrafo
Quasi, Vila Nova de Famalicão, 2000
A Ordem do Mundo
Quasi, Vila Nova de Famalicão, 2005
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves

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quarta-feira, julho 20, 2011

De regresso a casa



(Foto com o telemóvel, em Cacela, da fortaleza sobre a ria e o mar)

 

Durante o regresso do "Poesia na Rua", em Cacela, sintonizado na Antena 2, com um fundo musical que me pareceu de Débussy, uma voz de mulher surpreendeu-me pela semelhança com o timbre da voz da minha boa amiga Elsa Viegas e dizia:

    "O amor deve ser, talvez, não sei, o que nos provoca comoção e exultação.
    Talvez, não sei."

Soube, no final, que se tratava de Graça Lobo, a responsável pelo programa.

De Cacela, regressei trazendo novas amizades e novas experiências. Enriqueci.


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segunda-feira, julho 18, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XXXV)



Quando das comemorações do Dia Mundial da Poesia, Paulo Pires, Técnico Superior da Biblioteca Municipal de Silves, compilou uma antologia que intitulou POESIA 21, porque se refere a 21 poetas e ao dia 21 de Março.
São trabalhos desses 21 poetas, gente que se vem afirmando no nosso mundo literário, que aqui estou a incluir desde a XX edição.



  • LOJA DO CIDADÃO

Em fila, quase divertidos, os cidadãos
limpam os polegares negros com lenços
de papel e suspeitam que o homem
da medição lhes roubou centímetros.
Revêem as fotografias pequenas
que sobraram e comparam-nas
com o cartão caduco. Alguns planeiam
perguntar ao empregado calvo
do guichet metafísico: com o bilhete
podemos renovar também a identidade?


Pedro Mexia
Avalanche
Quasi, Vila Nova de Famalicão, 2001
Eliot e Outras Observações
Gótica, Lisboa 2003
Vida Oculta
Relógio d'Água, Lisboa 2004
Senhor Fantasma
Oceanos, Lisboa 2007
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves

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