quarta-feira, novembro 09, 2011

Colóquio: Estudos Árabes em Portugal



O Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves (CELAS) vai realizar no próximo sábado, 12, às 14:30 horas, um colóquio sobre a temática Estudos Árabes em Portugal, marcada para o auditório do Instituto Superior Jean Piaget, em Silves, com entrada livre.

Serão abordados os seguintes temas: Arabismo em Portugal: 500 anos de uma temática nunca esquecida, por António Rei; O Arabismo português e a escola orientalista europeia, por Mostafa Zekri; Alandalus, 1300 anos – Novas polémicas de interpretação histórica, por Adalberto Alves.

Em paralelo, será lançada a obra O Gharb Al-Andalus, primeiro volume de textos do arabista Garcia Domingues, “textos que se encontram dispersos e esquecidos apesar da sua pertinência e actualidade científicas” e que o CELAS tem vindo a recolher para publicação.

Este projeto teve início em 2010 com a reedição da obra «História Luso-Árabe», por ocasião das comemorações do centenário do nascimento de Garcia Domingues.

Texto adaptado de um comunicado de imprensa

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segunda-feira, novembro 07, 2011

Um poema a cada segunda-feira (LI)



O Público divulgou, há alguns anos, uma série de antologias de poesia que encomendara a certas personalidades da vida portuguesa não diretamente relacionadas com a literatura.

É desse manancial que esta rubrica se irá sustentar por algum tempo, confinando-se as minhas escolhas às opções dessa personalidades e a poetas que viveram, ou ainda vivem, sob o bafo civilizacional do séc. XXI.

A primeira vaga proveio da safra de Mário Soares.
Prossigo, agora com Miguel Veiga.


  • PUDESSE EU
Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Pra poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes.



Sophia de Mello Breyner Andresen
Os poemas da minha vida
Miguel Veiga
Público, Lisboa 2005

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segunda-feira, outubro 31, 2011

Um poema a cada segunda-feira (L)



O Público divulgou, há alguns anos, uma série de antologias de poesia que encomendara a certas personalidades da vida portuguesa não diretamente relacionadas com a literatura.

É desse manancial que esta rubrica se irá sustentar por algum tempo, confinando-se as minhas escolhas às opções dessa personalidades e a poetas que viveram, ou ainda vivem, sob o bafo civilizacional do séc. XXI.

A primeira vaga provém da safra de Mário Soares.


  • SEGREDO
Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar



Maria Teresa Horta
Os poemas da minha vida
Mário Soares
Público, Lisboa 2005

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segunda-feira, outubro 24, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XLIX)



O Público divulgou, há alguns anos, uma série de antologias de poesia que encomendara a certas personalidades da vida portuguesa não diretamente relacionadas com a literatura.

É desse manancial que esta rubrica se irá sustentar por algum tempo, confinando-se as minhas escolhas às opções dessa personalidades e a poetas que viveram, ou ainda vivem, sob o bafo civilizacional do séc. XXI.

A primeira vaga provém da safra de Mário Soares.


  • O GRANDE ZIGUEZAGUE
"Classe ao ataque". Outubro. Dezassete.
"Os sovietes mais a luz eléctrica".
A própria poesia é um soviete.
Quem busca de Virgílio a antiga métrica?

"A História não se faz em linha recta".
Foi o século do grande ziguezague.
"A barca do amor quebrou-se" - disse o poeta.
São ásperas as letras do Gulag.

Desagrega-se a rosa e a gramática
os sovietes já não dão sinais
perde-se a alma em selva burocrática.

Conspiradores do impossível: onde estais?
Dai-me de novo a rosa iniciática.
O sonho que passou não volta mais.


Manuel Alegre
Os poemas da minha vida
Mário Soares
Público, Lisboa 2005

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segunda-feira, outubro 17, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XLVIII)



O Público divulgou, há alguns anos, uma série de antologias de poesia que encomendara a certas personalidades da vida portuguesa não diretamente relacionadas com a literatura.

É desse manancial que esta rubrica se irá sustentar por algum tempo, confinando-se as minhas escolhas às opções dessa personalidades e a poetas que viveram, ou ainda vivem, sob o bafo civilizacional do séc. XXI.

A primeira vaga provém da safra de Mário Soares.


  • SE PERGUNTAREM DAS ARTES
Se perguntarem das artes do mundo?
Das artes do mundo escolho a de ver cometas
despenharem-se
nas grandes massas de água: depois, as brasas pelos
recantos,
charcos entre elas.
Quero na escuridão revolvida pelas luzes
ganhar baptismo, ofício.
Queimado nas orlas de fogo das poças.
O meu nome é esse.
E os dias atravessam as noites até aos outros dias, as
noites
caem dentro dos dias - e eu estudo
astros desmoronados, mananciais, o segredo.

Herberto Helder
Os poemas da minha vida
Mário Soares
Público, Lisboa 2005

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segunda-feira, outubro 10, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XLVII)



O Público divulgou, há alguns anos, uma série de antologias de poesia que encomendara a certas personalidades da vida portuguesa não diretamente relacionadas com a literatura.

É desse manancial que esta rubrica se irá sustentar por algum tempo, confinando-se as minhas escolhas às opções dessa personalidades e a poetas que viveram, ou ainda vivem, sob o bafo civilizacional do séc. XXI.

A primeira vaga provém da safra de Mário Soares.


  • ESTA GENTE / ESSA GENTE
O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente

Gente que seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente

Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente

Gente que enterre o dente
que fira de unhas e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente

O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente

Ana Hatherly
Os poemas da minha vida
Mário Soares
Público, Lisboa 2005

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segunda-feira, outubro 03, 2011

Um poema a cada segunda-feira (XLVI)



O Público divulgou, há alguns anos, uma série de antologias de poesia que encomendara a certas personalidades da vida portuguesa não diretamente relacionadas com a literatura.

É desse manancial que esta rubrica se irá sustentar por algum tempo, confinando-se as minhas escolhas às opções dessa personalidades e a poetas que viveram, ou ainda vivem, sob o bafo civilizacional do séc. XXI.

A primeira vaga provém da safra de Mário Soares.


  • OUTRA COISA
Apresentar-te aos deuses e deixar-te
entre sombra de pedra e golpe de asa
exaltar-te       perder-te       desconfiar-te
seguir-te de helicóptero até casa

dizer-te que te amo amo amo
que por ti passo raias e fronteiras
que não ne chamo mário que me chamo
uma coisa que tens nas algibeiras


lançar a bomba onde vens no retrato
de dez anos de anjinho nacional
e nove de colégio        terceiro acto

pôr-te na posição sexual
tirar-te todo o bem e todo o mal
esquecer-me de ti como do gato

Mário Cesariny
Os poemas da minha vida
Mário Soares
Público, Lisboa 2005

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