Sim, meus amigos.
A cidade de Silves, tantas e repetidas vezes rotulada de Capital Algarvia da Cultura pela Sra. Presidente da Câmara, é um deserto cultural.
Nada de relevante acontece em Silves desde 1 de Janeiro de 2006.
Penso, por vezes, que a Sra. Presidente pretende alargar aquele conceito de capital da cultura incluindo a vizinha cidade de Lagoa, de tão próxima (escassos 6 km), pois não fora a actividade cultural que ali tem lugar todas as semanas eu já teria morrido de tédio e, como eu, alguns outros silvenses que ali se deslocam com alguma frequência, à falta de alternativas locais.
Silves nunca assistiu a um espectáculo do seu grupo de teatro regional, a ACTA, nem a qualquer actuação da sua orquestra regional, a Orquestra do Algarve. A justificação (desculpa) recaía sobre a falta de infra-estruturas culturais, que entretanto os outros municípios, Lagoa por exemplo, foram construindo. O ano passado foi inaugurado o velho Teatro Mascarenhas Gregório, em vésperas de eleições autárquicas, para logo fechar e se manter fechado ao grande público. Mesmo esta reconstrução não vem suprir as necessidades de um auditório, que só não se torna imperioso, porque a cidade, de tão adormecida culturalmente, não chega a sentir a sua falta.
Como se há-de sentir falta ou gostar do que se não conhece!?
Isto vem a propósito do desgosto que senti, neste final de semana, por não ter podido partilhar com outros cidadãos de Silves o prazer que me deu a audição do concerto da Orquestra do Algarve, em homenagem a João de Deus, na Igreja Matriz de São Bartolomeu de Messines, por iniciativa e exclusiva responsabilidade da Caixa de Crédito Agrícola local.
A foto foi batida com a câmara do meu telemóvel e não faz jus a uma igreja repleta de gente; de gente simples, de gente comum, que aqui compareceu a esta homenagem ao seu mais ilustre conterrâneo e vibrou aos acordes da Abertura da opereta O Morcego, de Johann Strauss Jr., e riu, prazenteiramente, com as sonoras gargalhadas, expressivamente entoadas pela voz da soprano Ana Paula Russo, em Mein Herr Marquis.
É com uma orquestra regional, conhecedora da sua região e da sua gente, que se pode trabalhar em repertórios que, sucessivamente, vão conquistando públicos e formando ouvintes, como já aqui dizia o ano passado, em post que intitulei Silves e a Orquestra do Algarve, e que ainda se pode ler, clicando no sublinhado atrás.
À saída do concerto e a este propósito, um responsável camarário afirmou-me que, a partir de Maio, a Orquestra do Algarve terá concertos para Silves e apoio institucional da autarquia.
Já não era sem tempo!
Finalmente!
P.S.
Esta ideia de restaurar edifícios para os manter fechados, parece revelar uma preocupante tendência da autarquia. Veja-se o caso do Teatro Mascarenhas Gregório, citado atrás, e o do CELAS (Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves) (clique, para informação complementar), que continua fechado há meses, sem ser atribuído à instituição para a qual foi concebido e justifica o restauro do edifício anterior (o antigo Matadouro Municipal). O CELAS continua teimosamente fechado, sem servir nada nem ninguém, apesar de decisão judicial contrária às intenções da autarquia, que também não conta com parecer favorável da Assembleia Municipal.