segunda-feira, setembro 11, 2006

Outono


  • É um outono inteiro imerso em armas
    é um sopro de dias
    movendo as suas lentas madrugadas
    e nas manhãs e tardes repetindo

    o céu cobrindo armas
    o sol por entre as árvores deixando
    soprar o movimento único imenso
    da manhã e da tarde a

    madrugada
    das armas renovada
    por um outono tão completo como

    o voo doloroso de ave morta
    ou o sopro do ar sobre o humano
    temor único imenso destas aves

Poemas de Gastão Cruz ditos por Luis Miguel Cintra
Assírio & Alvim, Lisboa 2005

Ouça o poema, na voz de Luis Miguel Cintra

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sexta-feira, setembro 08, 2006

A História de Silves em Medalhas (IV)

  • História de Silves - 3
    Os Romanos

    A colonização romana na área da actual Cidade de Silves fez-se sentir a partir de meados do séc II a.C. (Rocha Branca). Numerosos vestígios de villae e de necrópoles, denotam uma romanização intensa desta região, aproveitando tanto a proximidade da costa, rica em peixe, marisco e sal, como as férteis áreas agrícolas, os jazigos de minérios, ou uma localização entre o litoral e o interior, propícia ao desenvolvimento do comércio. A cidade era servida por um bom porto fluvial e na sua área urbana actual, descobrem-se testemunhos desta ocupação, sobretudo dos sécs. III-IV d.C.


quinta-feira, setembro 07, 2006

A História de Silves em Medalhas (III)

  • História de Silves - 2
    Idade do Ferro

    No Calcolítico e na Idade do Bronze foram explorados jazigos de cobre na área do Concelho de Silves. A este último período pertencem numerosas necrópoles da denominada Cultura do Bronze do Sudoeste. Posteriormente, na Idade do Ferro (sécs. VIII-V a. C.), intensificaram-se os contactos com o Mediterrâneo Oriental e é introduzida na região, a escrita, a roda de oleiro e o fabrico de objectos de ferro. No Cerro da Rocha Branca, junto a Silves, estabeleceu-se uma feitoria fenícia, que se há-de desenvolver na II Idade do Ferro, sob a influência púnica (sécs. IV-II a.C.).


quarta-feira, setembro 06, 2006

A História de Silves em Medalhas (II)

  • História de Silves - 1
    Período Neolítico

    O Concelho de Silves oferece testemunhos muito remotos da ocupação humana. Aqui se têm encontrado artefactos do Paleolítico fabricados, a partir de seixos e de lascas, pelos caçadores recolectores que o frequentaram.
    Cerâmicas e materiais de pedra polida oferecem indícios da presença do Homem Neolítico na região. Neste mesmo período (IV milénio a.C.) ergueram-se alguns menires que denunciam já a presença de uma superstrutura religiosa, complexa, onde se evidencia o culto da fertilidade.


terça-feira, setembro 05, 2006

A História de Silves em Medalhas

Por ocasião das Comemorações do 8º Centenário de Nacionalidade Portuguesa, assim se designava o que esta administração chama agora de "Conquista de Silves aos Mouros", foi editada uma colecção de 12 medalhas, para 12 diferentes períodos da história local, onde cada uma delas, além de testemunhos relativos a cada um desses períodos, cunhados na face, traz, no verso, um pequeno resumo da História da Cidade.

Tentando combater um pouco esta visão redutora da nossa História, que a confina à presença portuguesa, e que a grande maioria dos silvenses desconhece, pois não integra o currículo escolar, fotografei cada uma dessas medalhas e vou divulgá-las aqui, uma a uma, numa sequência de edição de três vezes por semana, ao longo de quatro semanas deste mês de Setembro - o mês em que a população de Silves, em 1189, ficou pela primeira vez sob administração portuguesa.
A tomada desta praça foi de uma tal importância para a coroa portuguesa, dado o prestígio de Silves à época, que D. Sancho I passou a usar o título de Rei de Portugal, Silves e Algarve.
A importância desta cidade para a administração islâmica ficou provada com a retoma da cidade em 1191, dois anos depois, permanecendo sob o seu poder por mais de meio século, até que Afonso III, em 1248, a voltou a incorporar no seu Reino de Portugal.

segunda-feira, setembro 04, 2006

O Dia da Cidade

Avenida junto ao rio, Silves, 3 de Setembro de 2006, © António Baeta Oliveira
(Foto captada com a câmara do telemóvel, no entardecer do Dia da Cidade, e que intitulei Beirute/Silves)

Na ausência de qualquer informação sobre iniciativas do executivo camarário para o Dia da Cidade, elegi esta foto dos escombros da Avenida sobre o rio, paradigma da actuação desta administração, que dá início a obras cujo fim e finalidade não consegue controlar, num atoleiro que envolve toda a cidade, que aqui descrevi no meu penúltimo post e que o Saco dos Desabafos complementa pormenorizadamente.

As Comemorações do Dia da Cidade, na óptica desta administração camarária, constituem uma jornada em que não participo, e em que não participarei, enquanto o Dia da Cidade for evocado nesta perspectiva redutora e negativista, de "Conquista da Cidade aos Mouros", que pressupõe a inexistência da cidade, dos seus cidadãos e da sua cultura nos séculos que precederam a administração portuguesa. É como um voltar as costas a todas as civilizações que nos antecederam, de Cilpes a شلب (Xilb), e que nos fizeram como somos hoje. É esquecer os intelectuais, os artífices, os cientistas e os poetas, cujos testemunhos permanecem entre nós e que viveram Silves, esta mesma cidade, tanto ou mais intensamente do que vivemos hoje. Os seus inumeráveis vocábulos fixaram a nossa língua, o seu saber e forma de viver integraram os costumes que hoje identificamos no artesanato, no labor agrícola e no controlo da água, esse preciosíssimo bem.

Porquê a primazia destas comemorações no confronto com os mouros, como se os mouros não fôssemos nós, os que nascemos e vivemos neste território, subjugados ao peso da administração islâmica e depois da portuguesa?

Porquê não comemorar o encontro destas culturas, tão patente, afinal, nos monumentos que ainda hoje melhor nos identificam - o Castelo, islâmico, e a Sé Catedral, portuguesa e cristã?!

sexta-feira, setembro 01, 2006

Um ano depois, o Teatro ainda não foi devolvido à cidade


A 3 de Setembro próximo passará um ano sobre a inauguração oficial do Teatro Mascarenhas Gregório, agora recuperado, mas cujo "espaço ainda não foi devolvido à cidade", no dizer de Aurélio Nuno Cabrita, investigador de História local e regional, em artigo publicado no Barlavento e cujo texto pode ser lido aqui.
O texto recorda a primeira inauguração do teatro, no dia 24 de Julho do ano de 1909.