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Local & Blogal

Comentários locais e globais sobre o que me apetecer.
© António Baeta Oliveira

A minha fotografia
Nome: Antonio Baeta Oliveira
Localização: Silves, Algarve, Portugal
Email:baeta.silves@gmail.com

Segunda-feira, Maio 26, 2008

Nas margens da poesia (II)

De novo em torno da antologia da III Bienal de Silves. Trago-vos alguém que já constava na lista de poetas deste meu blog e que conto entre os meus amigos.

  • Na praia os óculos de sol dão jeito

    Faria de ti
    a minha musa
    não fosse a tua pose
    de nariz empinado.

    Mas tens mamas rijas,
    cu arrebitado.

    E na hora
    de escrever o poema
    isso faz
    toda a diferença.

manuel a. domingos
Nas margens da poesia
Câmara Municipal de Silves, 2008

Terça-feira, Maio 20, 2008

Nas margens da poesia

Durante a III Bienal de Sives foi publicada uma antologia que recebeu o título em epígrafe.
Conto seleccionar e trazer-vos alguns poemas, um pouco ao sabor do momento.
Hoje seleccionei um poema de um amigo, natural de Silves, que teve a amabilidade de me oferecer um exemplar autografado.

  • Veraneio

    Tenho o mar à minha frente
    e não sei que fazer
    camones ao sol e não
    marinheiros nesta costa

    Sei de ilhas algures para lá
    deste horizonte imenso e limitado

    - Vai mais um mergulho, querida?

    É Agosto e faz calor

    Não há nada a fazer
    neste Algarve


Paulo Penisga
Nas margens da poesia
Câmara Municipal de Silves, 2008

Quarta-feira, Maio 14, 2008

Já com Londres à distância

Instalação de Doris Salcedo na Tate Modern, Abril 2008, ©António Baeta Oliveira
Apesar do distanciamento que o tempo gera, não resisto em trazer-vos o que já não podereis ver no mesmo local, porque se tinham iniciado os trabalhos de remoção quando regressei à Tate uma segunda vez: esta enorme fenda, uma instalação da colombiana Doris Salcedo, no grande átrio de entrada da Tate Modern, a provocar pânico ou estupefacção.

Mas o que vos queria mesmo referir foi a promessa que vos deixei, de voltar a comentar sobre a minha visita a Londres, para vos mencionar os impressionistas, que tanto amo.
Por isso mesmo não pude perder, na Royal Academy of Arts, a exposição temporária, que também lá não mais existe - Fom Russia - com as obras primas da pintura da França e da Rússia (1870 - 1925), deslocadas para esta exposição a partir dos museus de Moscovo e São Petersburgo.
Inesquecível!
Não pude fazer fotos, mas felizmente, porque nos últimos dias, consegui o catálogo por um preço acessível á minha bolsa.

Vi também outras obras de Monet, de Degas, de Renoir... na National Gallery e Monet de novo, na sua fase do expressionismo abstracto, na Tate Modern.

La Loge, de RenoirVisitei ainda a Courtauld Gallery, na belíssima Somerset House, em busca de uma exposição temporária - Renoir at the Theater - que reunia pinturas de Renoir e outros autores, nomeadamente Degas, bem como outras obras e documentação variada sobre a vida mundana relacionada com o teatro, e tendo como peça central este quadro de Renoir que a minha objectiva guardou, com autorização expressa do vigilante de serviço, mas sem flash.

Auto-retrato, Van GoghE foi ali, na Courtauld, que mais me impressionei com a variedade e qualidade dos pintores do final desse século XIX e inícios do século XX, na exposição permanente mais representativa desse período que alguma vez pude observar e onde me permitiram reter, na minha "câmara obscura", este auto-retrato de Van Gogh.
Ali, postados na minha frente, por tanto tempo quanto quis, enchendo-me de uma alegria e de um prazer enormes, que não sei descrever, mas vos traduzo numa citação de Picabia (1951), exposta numa parede da Tate, que anotei e agora transcrevo:

I've always loved to amuse myself seriously.

Quinta-feira, Maio 08, 2008

Guitarra

Passeando ainda a memória pelo fim-de-semana passado, que motivou o meu último post, dedico a Pepe, o homem da guitarra, este poema de Lorca, numa tradução de Eugénio de Andrade; desta feita numa fusão luso-espanhola.

  • Guitarra

    Começa o choro
    da guitarra.
    Quebram-se os copos
    da madrugada.
    Começa o choro
    da guitarra.
    É inútil calá-la.
    É impossível
    calá-la.
    Chora monótona
    como chora o vento
    sobre a nevada.
    É impossível
    calá-la.
    Chora por coisas
    distantes.
    Areia quente do Sul
    pedindo camélias brancas.
    Chora flecha sem alvo,
    tarde sem manhã,
    e o primeiro pássaro morto,
    nas ramadas.
    Oh guitarra!
    Coração malferido
    por cinco espadas.

Eugénio de Andrade
Poemas de Garcia Lorca
Fundação Eugénio de Andrade

Quarta-feira, Maio 07, 2008

Fusão hispano-marroquina

Estive, no passado fim-de-semana, num encontro de culturas em torno da figura do geógrafo medieval Al-Idrisi.
A foto abaixo, batida com a câmara do telemóvel, documenta um momento de um ensaio, a que tive o privilégio de assistir, em que se cruzaram os ritmos e as sonoridades do flamenco e da música tradicional do Norte de Marrocos.

Al-Idrisi, Vila Real de Sto. António, Maio 2008, © António Baeta Oliveira


              Quando as emoções se partilham através da música, fala-se do que as palavras não puderam transmitir.

Quarta-feira, Abril 30, 2008

Um Conto (XXIV)

Faz muito tempo que aqui não deixava um conto, nem sei quando voltarei a deixar outro, mas aqui fica, como num prolongamento das notas que venho escrevendo sobre a minha estadia na grande cidade.


  • Um olhar inovador e descomprometido

    Jonah hesitava.
    Mal sabia que a decisão que iria tomar alteraria toda a sua vida.
    Provavelmente serão assim todas as nossas decisões; as inúmeras decisões que temos de assumir, quase de minuto a minuto, ou até de segundo a segundo, nas ligeiras alterações do fluxo da nossa corrente de pensamento. Só validaremos, no entanto, as que nos parecerem mais significativas; as que o nosso julgamento vier a apreciar como tal, pela positiva ou pela negativa.

    Na sua frente erguia-se o enorme edifício onde se instala a Modern Tate Gallery.
    Jonah avançou.
    Impressionou-o a vastidão do espaço. Avistou os elevadores e aproximou-se. Aguardou frente a um deles e entrou junto de outros visitantes. Não premiu nenhum botão. Saiu quando lhe apeteceu e soube que se encontrava no 5º piso. Caminhou ao acaso.
    O seu olhar foi registando peças, de diferentes dimensões, construídas com materiais diversos, mas a que não conseguia atribuir significado ou utilidade. Passeou longamente, observando atento, de sala em sala, de corredor em corredor. A dado momento apercebeu-se de que as salas se repetiam e tentou procurar a saída. Caminhou por horas. A noite caía sobre a cidade, a grande cidade que avistava através dos vidros das amplas janelas.
    Subiu escadas, desceu escadas, cruzou salas e corredores e nem vivalma.
    Quando lhe pareceu não poder subir mais viu-se junto a um restaurante. Entrou na cozinha e não resistiu a comer o que avistou no frigorífico. Num compartimento que lhe pareceu ser o vestiário dos funcionários do restaurante e nas traseiras de uma fila de cacifos, acomodou batas e fardas e deitou-se, sobre elas adormecendo, exausto.

    Acordou era noite, de novo. Sem sono, percorreu todo o edifício. Numa das salas vazias, reservadas a exposições temporárias, Jonah foi montando a sua própria exposição, distribuindo a seu gosto uma escultura com duas ou três pinturas que julgava relacionar ou, numa parede, compondo quadros de diversos autores que lhe pareciam ter algo em comum.
    Oh! Como gostava de o fazer.

    O curador da galeria foi alertado para uma nova exposição que não constava nos catálogos, mas que estava a ganhar enorme sucesso entre os críticos e de que ele francamente não conseguia lembrar-se de ter apreciado ou autorizado.

                - «Será que a memória me falha?», perguntava-se.

    O sucesso ganhou lugar nas primeiras páginas dos jornais da especialidade e o curador via-se constrangido, com os críticos a referir-se ao seu olhar inovador e descomprometido.
    Outro caso o preocupava e decidiu ficar uma noite a pé, tentando averiguar do desaparecimento de comida, mudas de roupa e até da utilização abusiva da sua casa de banho privativa.

    Confrontaram-se no corredor: Jonah e um homem que se lhe apresentava como o curador daquele lugar.

                - «Mas quer ficar? Para sempre? Sente-se bem e é feliz? Não quer saber de mais nada? Prometa-me que este segredo fica entre nós e passe a usar este amplo gabinete, junto ao meu. Nomeio-o meu assistente.»

Quarta-feira, Abril 23, 2008

Book Fair 2008

Um dos mais movimentados acontecimentos em Second Life vai ocorrer entre 25 e 27 próximos. Trata-se de uma feira do livro que se irá instalar em locais, já eles próprios dedicados ao livro e às publicações em geral, e que o ano passado congregou milhares de visitantes. A animação da feira será intensa, com concertos, conferências, apresentação de livros, animações várias e, obviamente, as tendas (booth), espalhadas por ruas e praças, enriquecendo a feira com a diversidade do seu colorido e as propostas de editores, autores e livreiros.

Já adivinharam quem lá vai estar, com certeza: Ibrahim Bates.
Pois esse meu avatar tem vindo a preencher muito do meu tempo disponível para este blog, mas tem já equipada e apresentável a sua booth, com os seus livros em duas edições separadas, para português e inglês.
A feira será também ocasião para, em simultâneo com as comemorações do 25 de Abril na região onde Ibrahim habita - Portucalis - apresentar a sua próxima publicação: Una furtiva lagrima, título inspirado na bela ária de Donizetti em L'Elisir d'amore, que em inglês recebeu o título One hidden tear.

Aí está a booth do Ibrahim, em Publishing Island (Clique se for utilizador de SL).


P.S.
Esta nota foi escrita depois de regressar do acto solene de inauguração da Biblioteca Muncipal.
Quero expressar o meu voto sincero de que a Biblioteca se cumpra.


Evocação de Silves
Eduardo Ramos
Andalusino (1999)


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(Tente clicar numa destas imagens)

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