segunda-feira, janeiro 28, 2008

FLORIPES (II)

(...)

Pois, Miguel Gonçalves Mendes, realizador natural de Olhão, pegou na memória oral de FLORIPES, acrescentou-lhe alguns outros mitos locais e traduziu-os para a linguagem do cinema.

Não lhe bastou a narração dos episódios. Quis dar-lhes vida, misturando, ora aqui, ora acolá, testemunhos da actualidade, de gente real de Olhão que tem opinião para dar. Gente com rostos que conheço de miúdo, que não precisamente de Olhão, mas de outros lugares da minha meninice, de Armação ou Alcantarilha. Gente de pele crestada pela exposição ao Sol, à maresia, às intempéries de uma vida dura de trabalho... ao tempo. Gente que fala de FLORIPES como coisa real, mesmo quando se obstina em negar o fenómeno. Gente que, por vezes, receia falar - «Não vá o diabo tecê-las!». Gente que recusa a existência de fantasmas, mas que acaba sempre por ter, como seu, um episódio de estranhos contornos para contar.

Este filme tocou-me bem fundo, como registo de uma cultura e de uma época de que já quase só restam vestígios.
O meu obrigado a todos os que, ao participar neste registo, contribuíram de alguma forma para a preservação da memória de tal tempo.

Deixo-vos agora com as imagens do trailer oficial.



5 comentários:

Asulado disse...

Apenas um reparo, antes que tenhas os beirões à perna: o realizador é natural da Covilhã, mas viveu em Olhão quase toda a sua infância e juventude.

António Baeta disse...

Ora vês?! Assim como dizes seria eu de Quarteira e não de Silves, onde nasci por mera circunstância; mas sou de Silves, onde nasceram e viveram os meus antepassados, que eu saiba até à 4ª geração que me precedeu, e nada me liga a Quarteira, a não ser esse registo no meu BI.
Um abraço, meu amigo olhanense!

Torquato da Luz disse...

Essa agora... Não fazia a mínima ideia. Desde a mais tenra idade que sempre te julguei alcantarilhense.
Olha, não será por isso que deixaremos de ir mais uma vez almoçar ao silvense "Ruy", um dia destes...

António Baeta disse...

Pois não, Torquato. Alcantarilhenses são os meus irmãos José e Fernando. Já a Corina nasceu em Loulé, para onde meus pais foram viver depois de Quarteira, e antes de Alcantarilha e Silves.
ESpero-te no Rui, um destes dias.
Aquele abraço.

Torquato da Luz disse...

Pois, no "Rui", tens razão. Estava a pensar no poeta (o Belo? o Cinatti?), quando me ocorreu o y.
Até lá e outro abraço.