quinta-feira, novembro 04, 2010

Na Mesquita de Córdova



No regresso da minha viagem a Granada, também me fiz passear por Córdova.

Apesar dos quase cinco séculos que separam a construção da Mesquita da época final da construção da Alhambra, aqui em Córdova o despojamento arquitetónico, a horizontalidade da construção, o rigor, até mesmo a finalidade, virada para o silêncio, para a meditação, provocam uma sensação completamente diferente da que descrevi a propósito da Alhambra de Granada.

Recordo a primeira vez que visitei a Mesquita, já lá vão mais de 30 anos, e a forte reação emocional que me provocou a entrada no edifício. Verti copiosamente lágrimas que não conseguia controlar. Curiosamente, sucedeu-me a mesma coisa quando pela primeira vez avistei a Catedral de Santiago de Compostela.
Permitam-me que confesse que em Granada e na Alhambra me fico sempre por um mero "beicinho" e não quero com esta afirmação estabelecer qualquer comparação que de alguma forma ponha em causa o profundo apreço que tenho por qualquer uma destas obras monumentais, incontestáveis peças do melhor do Património Histórico da Humanidade.

Recordo também ter uma atitude condenatória face à transformação da Mesquita em Catedral, mas hoje em dia, e habituado que estou à destruição dos templos de outras religiões para implantar a nova, dos novos senhores, acho que Carlos V, apesar de ter querido afirmar o seu estatuto de Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, revelou algum respeito perante o templo muçulmano, incorporando mesmo, na estrutura vertical da nova Catedral, além da Mesquita muçulmana, elementos decorativos que evocam a presença da Mesquita, paredes-meias.
Podeis confirmar isso mesmo em algumas das fotos que aqui (clique) deixo.

2 comentários:

Manuel Ramos disse...

E antes da mesquita de Abd al-Rahman I já era igreja. De igreja a mesquita, de mesquita a igreja. O fanatismo religioso não resistiu à grandiosidade do que sempre ali esteve. Para que fosse perfeito, nesta cidade das três religiões, só faltou ter sido a sinagoga de Maimónidas.

António Baeta disse...

:)