segunda-feira, dezembro 17, 2007

Concurso do Local & Blogal

Decorreu mais um concurso do Local & Blogal, cuja intenção foi a de promover o património da cidade onde vivo, através da participação activa dos seus leitores, enquadrando-o nas tendências estéticas da época e projectando a sua matriz local num enquadramento mais vasto.

O concorrente vencedor identificou as duas cidades a que se reportam as imagens, Silves e Sevilha e, embora com alguma justificável indecisão, sobre essas duas imagens escreveu assim:

  • Foto nº 1 - Silves. Arcaria em volta inteira de gosto eclético, predominantemente mudéjar, suportada por colunas de ferro fundido realizadas na Fábrica das Devezas (Gaia) e pagas por Gregório Mascarenhas, industrial corticeiro e presidente da câmara por duas vezes nesta época. A influência decorativa neo-árabe está sobretudo presente na decoração estucada dos alfizes e nos alçados do zimbório que é rematado por clarabóia, assim como no friso que rodeia superiormente a galeria. É obra realizada provavelmente na última década do séc. XIX, princípios do séc. XX, no edifício destinado a ser os Paços do Concelho de Silves (Algarve, Portugal).

  • Foto nº 2 - Talvez Sevilha. Mas é plano difícil, muito fechado. É obra de tipo andaluz, sevilhano provavelmente. Novamente de gosto ecléctico, misturando elementos decorativos de influência islâmica e renascentista, fazendo utilização decorativa do azulejo tipo sevilhano, do estuque e do ladrilho hidráulico de cor verde e branca (tudo elementos decorativos de utilização na arte islâmica). A par de pormenores de tradição andaluza, como o ferro forjado. Se for edifício sevilhano, não me admirava nada que se tratasse de um pormenor do palácio neo-mudéjar, hoje Museu das Artes e Costumes Populares, no Parque Maria Luísa ou até um dos Pavilhões das redondezas, construídos propositadamente para a Feira Ibero-Americana de Sevilha em 1929, como é o caso do pavilhão português. Mas como já referi, o plano é muito apertado, podendo ser um revivalismo actual, em qualquer cidade andaluza!


Capa que antecede o Foral Manuelino de Silves

O vencedor, Manuel Francisco Castelo Ramos, Mestre em História de Arte, professor, director do Museu da Cortiça da Fábrica do Inglês, vereador não permanente da Câmara Municipal de Silves e que me concede a honra de ser meu amigo, já vencedor de um anterior concurso, aqui e aqui, nos mesmos moldes, irá receber como prémio uma edição dos Forais de Silves (Foral Afonsino de 1266, Foral dos Mouros Forros de Silves, Tavira, Loulé e Santa Maria de Faro, de 1269, e Foral Manuelino de 1504), de onde retirei a imagem acima, que serve de capa ao exemplar manuscrito e iluminuras do Foral Manuelino.

Notas:
1. Quero esclarecer que o edifício a que se refere a foto nº 2 é, precisamente, o que, do lado direito, abre a Avenida de la Constitución, em Sevilha, para quem, a partir do Ayuntamiento se dirija para a Catedral.
2. Resta-me ainda agradecer a todos os que se dispuseram a concorrer, nomeadamente a Filipe Rodrigues, que acertou nas duas cidades e também apresentou uma curiosa e adequada descrição do estilo e época dos edifícios.
3. Mais fotos que bati em Sevilha podem ser encontradas aqui.

2 comentários:

Manuel Ramos disse...

Fico satisfeito por ter andado lá próximo. Agora que já deste a localização exacta, lembro-me que da última vez que estive em Sevilha, em Outubro se não erro, fiz uma fotografia deste edifício! De corpo inteiro. Ele há coisas?!
Um abraço, também pela prenda no sapatinho.

António Baeta disse...

Um prazer, caro amigo.
Temos que combinar um almoço oficial para a entrega do prémio. :)