terça-feira, julho 14, 2009

Os animais da cabeça


Já por várias vezes nos cruzámos, em locais onde um apelo semelhante nos juntou ou por via de amigos que nos são comuns. A poesia de Rui Dias Simão é feita dos desmaiados contornos dos sonhos, onde tudo se cruza no desalinho das nossas inquietações, onde é preciso recordar para questionar, rememorar para entender, contar para exorcizar.


  • Na irreversível clarabóia dos teus passos
    uma passagem de rugas
    uma leve língua de fogo desmaiada
    pelo diuturno vento do mar de fora...

    Levanta-te, levanta-te mais e penetra o céu
    não vaciles para as alforrecas sombreadas
    pelo curtume da melania das noites

    A água a espuma imensa da água
    tudo tinge
    tinge o corpo e a alma
    a alma ainda moribunda da vida embaciada

    Não pernoites a imedicável paranóia
    do remoinho da rotina suja
    sossega a viagem
    é quase meio-dia dentro de ti

    A lua: a lua logo se vê

Rui Dias Simão
Os animais da cabeça
4 Águas Editora, Tavira 2008

2 comentários:

hfm disse...

Gostei e sobretudo do verso final!

António Baeta disse...

Também gostei muito do verso final, sim. :))