segunda-feira, julho 07, 2014

Compulsão






Interrogo-me sobre esta compulsão que faz com que as formigas se organizem em coletivo, de forma a garantir um determinada finalidade.

Sofreremos nós, também, algum efeito compulsivo que, de tão habituados ao nosso livre arbítrio, nem demos por tal?

Muito plausivelmente as formigas nem se dão conta disso, mas procedem em conformidade.

Estou agora a pensar na fábula da cigarra e da formiga, que usa estas duas espécies para contrapor a preguiça aos valores do trabalho, como se a cigarra não tivesse que se esforçar para  a obtenção do seu alimento. É que as formigas o fazem desta forma que nos parece penosa, enquanto a cigarra "canta".

Eu detesto ser um indivíduo, desde que me entendo como pessoa.

De tal maneira isso está presente na minha natureza libertária que desconfio compulsivamente das maiorias e é com dificuldade e algum recuo que me integro em coletivos, e se provisoriamente o faço, ainda que de "alma e coração", a minha experiência revela que não me fixo de todo. 

E esta minha atitude mostra-se-me compulsiva, se de alguma forma reflito sobre ela, como o estou a fazer agora.

Tenho esta natureza libertária, apesar de todas as prisões a que me sujeito no dia a dia, muitas vezes com gosto e com prazer.

Deve ser alguma compulsão que recuso reconhecer, já que entendo o efeito gregário como uma necessidade egoísta de satisfação das minhas necessidades mais diversas.

Gosto muito de estar só, mas não aturo isso por muito tempo.

Deve ser essa tal compulsão gregária. :)



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